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¿Começa a queda de Trump?

As eleições de meio de mandato acontecem hoje (3) nos Estados Unidos e representam um teste para o governo marcado pelo autoritarismo, pela violência contra migrantes e pela política externa intervencionista. O post ¿Começa a queda de Trump? apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Carkis Cano

As eleições de meio de mandato da próxima terça-feira, 3 de novembro de 2026, não são uma disputa política comum, mas um referendo moral sobre os rumos autoritários, a crueldade migratória e a arrogância imperial que definem o segundo mandato de Donald Trump.

Com o mundo observando, o eleitorado norte-americano tem a oportunidade de frear um projeto de poder que transformou as instituições em armas e a política externa em um instrumento de coerção unilateral.

O aparato migratório dos Estados Unidos, sob a direção do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas), atingiu níveis de violência institucional que organizações de direitos humanos classificam como sistêmicos. Um relatório da Anistia Internacional de setembro de 2026 documentou, em operações militarizadas em Chicago, Minneapolis-St. Paul, Nova Orleans e Washington, um padrão de homicídios ilegais que poderiam constituir execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias e possíveis desaparecimentos forçados, repressão violenta de protestos pacíficos e condições de detenção que poderiam violar a proibição da tortura.

A organização concluiu que o ICE é “fundamentalmente disfuncional e não tem conserto” e pediu sua abolição. Essas não são falhas operacionais: são políticas deliberadas para espalhar o terror entre comunidades migrantes e consolidar um regime de deportações em massa sustentado por discursos racistas e xenofóbicos.

O governo Trump não se limitou a violar direitos dentro de suas fronteiras. Desde seu retorno à Casa Branca, em 2025, Trump tem interferido abertamente em processos eleitorais latino-americanos, apoiando candidatos da ultradireita e condicionando as relações bilaterais a resultados favoráveis a Washington. Concedeu seu “apoio total” ao colombiano Abelardo de la Espriella, comemorou a guinada à direita na Bolívia e no Chile e manteve uma interferência crescente nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro.

Essa estratégia, inserida no chamado “Escudo das Américas”, busca construir uma rede de governos aliados para conter a influência chinesa e consolidar a liderança hemisférica dos Estados Unidos, independentemente do custo para a soberania das nações da região.

A arrogância imperial atingiu um ponto absurdo e perigoso com a exigência de Trump, no Fórum de Davos, de que a Dinamarca cedesse a soberania da Groenlândia aos Estados Unidos. Embora tenha descartado inicialmente o uso de tropas, ameaçou impor “graves consequências econômicas e de segurança” e advertiu os líderes europeus: “Vocês podem dizer sim, e ficaremos muito agradecidos, ou podem dizer não. Nós nos lembraremos disso”. O presidente groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, denunciou que a visão anexionista de Trump continua vigente e classificou as ameaças como “inaceitáveis”.

O fato de um presidente norte-americano exigir a soberania de um território aliado como se fosse uma transação imobiliária demonstra um desprezo pelo direito internacional incompatível com a paz mundial.

Diante desse cenário, o movimento No Kings articulou uma rejeição popular sem precedentes. Em 17 de outubro de 2026, poucas semanas antes das eleições, milhares de pessoas se reuniram em mais de 2.500 atos em todo o país sob o lema “No Kings: Vote Antecipadamente”. Os protestos, organizados por uma coalizão de cerca de 200 organizações, incluindo a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis), não se limitaram a criticar Trump: concentraram-se na mobilização pelo voto antecipado como mecanismo para frear o autoritarismo.

Os manifestantes carregavam cartazes com frases como “Fora, Trump” e “Elegemos presidentes, não reis”, evidenciando que uma parcela significativa da sociedade norte-americana percebe seu governo como uma ameaça à própria democracia.

O Partido Republicano, sob o controle absoluto de Trump, transformou-se em um instrumento de erosão dos mecanismos institucionais de controle e equilíbrio de poderes e de promoção de um nacionalismo agressivo que desestabiliza a ordem global. As pesquisas antecipam uma possível derrota expressiva dos republicanos: a aprovação presidencial oscila entre 30% e 40%, e os democratas apresentam uma vantagem clara para recuperar a Câmara dos Representantes, enquanto a disputa pelo Senado será definida em alguns estados-chave. Historicamente, o partido do presidente perdeu cadeiras em 18 das 20 eleições de meio de mandato realizadas desde 1946.

Se os democratas recuperarem as duas Casas, Trump enfrentará um contrapeso legislativo inédito em seu segundo mandato: o Congresso controla o orçamento e poderia bloquear suas iniciativas militares e comerciais, além de abrir investigações que poderiam resultar em um novo processo de impeachment. Não se trata de uma vitória definitiva sobre o autoritarismo, mas de um freio necessário. O mundo já não depende da onipotência norte-americana: a transição para uma ordem multipolar é um fato.

Isso sem falar no apoio incondicional que Trump tem oferecido ao genocida Netanyahu para literalmente apagar a Palestina do mapa. Toda essa estratégia de aniquilação tem sido executada por meio do braço armado da entidade de ocupação sionista no território palestino, Israel, em uma aliança que se mantém há anos entre os governos dos Estados Unidos e a entidade sionista.

A América Latina busca alternativas, a Europa redefine sua segurança sem depender de Washington, e a Ásia concentra 60% da população mundial e 87% das patentes globais. Os Estados Unidos já não podem impor sua vontade por decreto. As eleições de 3 de novembro são um teste para saber se sua própria população está disposta a tolerar que um único homem, a partir da Casa Branca, continue agindo como se o planeta fosse sua propriedade.

Fonte: Mídia Ninja.

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