Por Isabella Goulart
O Maranhão viveu, nesta sexta-feira (27), um marco histórico para a educação pública brasileira. O Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) inaugurou, na comunidade quilombola de Oitiua, em Alcântara, a primeira escola pública de ensino médio em tempo integral com Educação Profissional e Tecnológica (EPT) implantada em território quilombola no Brasil. A cerimônia contou com a presença de autoridades como o governador Carlos Brandão e o prefeito de Alcântara, Nivaldo Araújo, além de lideranças, estudantes e moradores da região.
Embora já existam experiências de escolas em tempo integral em territórios quilombolas no país, esta é a primeira iniciativa que integra, de forma estruturada, o ensino médio à Educação Profissional e Tecnológica, garantindo não apenas formação básica, mas também qualificação técnica e oportunidades concretas de inserção produtiva para a juventude quilombola.
Mais do que a entrega de uma nova unidade educacional, o momento representa um avanço concreto na democratização do acesso à educação de qualidade, levando ciência, tecnologia e formação profissional a jovens de uma das regiões mais tradicionais e simbólicas do estado.
A inauguração do IEMA Pleno Quilombola de Alcântara integra uma política educacional estruturante do Governo do Maranhão, sob a liderança do governador Carlos Brandão, que tem colocado a educação no centro das estratégias de desenvolvimento social e econômico do estado.
Com o apoio do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, a gestão estadual tem ampliado o diálogo com os municípios e fortalecido a interiorização da educação técnica, garantindo que as oportunidades cheguem a territórios historicamente invisibilizados.
Durante a cerimônia, o governador destacou os resultados concretos dessa política, evidenciados pelos avanços nos indicadores educacionais. O Maranhão alcançou IDEB de 4,5 e registrou a menor taxa de evasão escolar de sua história, com apenas 0,31%.
“Essa escola vai ser uma referência para o Brasil quando se trata de educação em território quilombola. Aqui, estamos garantindo ensino de qualidade, respeitando a cultura e a identidade das comunidades, ao mesmo tempo em que abrimos portas para o futuro desses jovens”, afirmou o governador.
Um marco de identidade, pertencimento e futuro
Para a diretora-geral do IEMA, Cricielle Muniz, a entrega da unidade carrega um significado que ultrapassa a dimensão estrutural. É, sobretudo, um reconhecimento histórico.
“Mais do que um prédio, essa escola representa oportunidade, respeito à história e a construção de um novo futuro para a juventude de Oitiua. Aqui, mostramos que o quilombo é presente e também futuro”, destacou.
A celebração também foi marcada pela valorização da cultura local, com diversas apresentações culturais, como o Tambor de Crioula e a Capoeira, reforçando o compromisso da escola com as identidades e tradições do território.
Estrutura moderna e ensino conectado à realidade local
O IEMA Quilombola de Alcântara inicia suas atividades com 80 estudantes, distribuídos em cursos técnicos integrados ao ensino médio nas áreas de Agroecologia e Informática para Internet — formações alinhadas às vocações locais e às demandas contemporâneas do mundo do trabalho.
A unidade conta com uma estrutura completa, incluindo salas de aula modernas, laboratórios, biblioteca, auditório, quadra poliesportiva, refeitório e espaços voltados ao desenvolvimento científico, cultural e tecnológico.
Para a estudante Dandara Cristina, a escola representa a concretização de um sonho coletivo.
“Agora a gente tem a oportunidade de estudar perto de casa, com ensino de qualidade. É um sonho que começa a se tornar realidade para muitos de nós”, afirmou.
Avanços do IEMA: expansão, inclusão e transformação social
A inauguração do IEMA Quilombola de Alcântara não é um fato isolado, mas parte de um processo consistente de expansão e fortalecimento da rede.
Entre 2023 e 2026, o Instituto passou de 34 para 58 unidades plenas, alcançando 44 municípios maranhenses. O número de estudantes também cresceu de 14 mil para uma projeção de 25 mil matrículas, ampliando significativamente o acesso da juventude à educação técnica de qualidade.
Atualmente, o IEMA oferta 49 cursos técnicos distribuídos em 11 eixos tecnológicos, além de contar com 28 unidades do IEMA Vocacional, consolidando-se como uma das maiores redes públicas de educação profissional do país.
Esse crescimento é acompanhado por uma política educacional que alia inclusão, inovação e equidade, garantindo que jovens de diferentes realidades tenham acesso a oportunidades concretas de transformação de vida.
Um passo histórico para o Brasil
A criação do IEMA Quilombola de Alcântara teve início em 2024, com a assinatura da ordem de serviço para a construção da unidade, em agenda que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Carlos Brandão e da diretora-geral do Instituto.
Agora, com a escola em pleno funcionamento, o Maranhão se coloca na vanguarda de uma agenda nacional que reconhece a educação como instrumento de justiça social.
Ao levar ensino técnico integral para um território quilombola, o estado não apenas amplia o acesso à educação, mas reafirma um compromisso: o de construir um futuro mais justo, em que o direito de aprender, sonhar e prosperar alcance todos os cantos do Brasil.
