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Com Artistas brasileiros, HQs do Superman ganham novas vozes No cenário global

[ad_1] Por Hyader Epaminondas Junho marca o lançamento de Superman: O Mundo, uma antologia internacional da DC Comics com distribuição simultâneo em diversos passes,…

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Por Hyader Epaminondas

Junho marca o lançamento de Superman: O Mundo, uma antologia internacional da DC Comics com distribuição simultâneo em diversos passes, que dá sequência ás publicações anteriores, como Barman: O Mundo e Coringa: O Mundo. A coletânea propõe um olhar multicultural sobre o maior símbolo dos quadrinhos, reunindo artista de diferente nacionalidade incluindo França, Alemanha, México, Argentina, Índia e Camarões para contar histórias do azulão em seus próprio contextos cultuais.

No Brasil, o encadernado se destaca com a participação do artista Jefferson Costa, que assina a história brasileira da coletânea com uma narrativa envolvendo o povo Tupinambá, ampliando a representatividade da nossa cultura na mitologia do Homem de Aço.

Paralelamente, o gaúcho Rafael Albuquerque integra um projeto central da nova fase da editora, Superman Unlimited, série que faz parte da iniciativa “Verão do Superman”, explorando não só sua vulnerabilidade e novas transformações diante da exposição a kryptonita, mas também sua capacidade de adaptação em um mundo cada vez mais complexo. 

Nos bastidores, o produtor e curador Ivan Freitas da Costa tem sido um agente fundamental na articulação de talentos brasileiros com o mercado internacional. Cofundador da CCXP, onde ele é responsável pelo Vale dos Artistas.

A seguir, você confere as entrevistas dessa trindade do universo dos quadrinhos, três nomes que mostram por que o Azulão continua sendo um herói de todos, inclusive nosso.

Foto: Arte por Hyader Epaminondas

Com traço marcante e forte engajamento social em suas narrativa, o artista Jefferson Costa amplia ainda mais seu alcance ao assinar a história brasileira da coletânea Superman: O Mundo. O artista, já premiado por obras como Jeremias: Pele e Jeremias: Alma (Mauricio de Sousa Produções) e pelo autoral Roseira, Medalha, Engenho e Outras Histórias (Pipoca & Nanquim), agora imprime sua voz no universo de um dos maiores ícone da cultura pop mundial.

O convite para participar do projeto veio dos editores da Panini Comics Brasil: Betle Felix e Guilherme Kroll. “Se fosse apenas para desenhar já seria bacana demais”, comenta o artista, “mas o que me deixou muito mais feliz com o convite foi poder fazer uma história toda minha, escrevendo também o roteiro.”

Jefferson destaca que a chance de atuar como roteirista é especialmente rara para profissionais estrangeiros no mercado norte-americano: “É sabido por todos que se relacionam com esse mercado norte-americano de comias que oportunidade para  estrangeiros escreverem roteiro são raras, sem falar no fato de ser um personagem tão icônico da próprio cultura estadunidense.” 

Para ele, o projeto ainda tem um diferencial importante: “Essa coleção é único, nesse sentido, oportunizando possíveis releituras, nesse aspecto cultural, de certo modo global.”

Apesar da grandiosidade da tarefa, Jefferson não abriu mão de trazer uma visão particular, em vez de tentar representar uma ideia homogêneo de “cultura brasileira”, ele buscou incorporar uma cosmovisão menos eurocêntrico, inspirada nos ensinamentos do poeta e filósofo quilombola Nego Bisbo. “O Termo ‘cultura brasileira’ é um guarda-chuva incômodo no meu modo de ver, e isso norteia minha abordagem do plot já divulgado.”, explica, revelando sua intenção de provocar o leitor,especialmente o estrangeiro a repensar referências e estruturas narrativa ocidental.

Esse olhar atravessa toda a construção da história e até o modo como o autor se relaciona com o mito do último filho de Krypton. Ao ser questionado sobre paralelo com figuras do imaginário popular brasileiro, Jefferson recorre a uma análise provocava. Para ele, há um paralelo direto com o arquétipo do “bom policial” , a ideia do herói urbano que “serve e protege”, algo que considera parte de um imaginário panfletário global. Já em relação aos protetor das florestas presente no folclore brasileiro, o autor vê conexões mais superficial “De certa forma sim, mas numa camada mais superficial, principalmente na intenção do discurso protetor, mas no segundo momento se distancia”, pondera.

Trabalhar com um personagem tão reconhecido no mundo inteiro também trouxe desafio emocionais. Jefferson admite, com bom humor, que seu maior esforço foi “ não perder a razão”. Segundo ele, a responsabilidade de representar o Superman através de sua próprio lente exigiu equilíbrio entre respeito à figura icônico e a ousadia de propor uma nova perspectiva, uma versão que espera, no sentido mais literal da palavra, esperançar.

Sua versão convida o leitor a uma reflexão: é possível reimaginar o herói de capa azul fora da lógica imperialista, num mundo realmente plural? Jefferson acredita que sim. E é exatamente isso que espera despertar, especialmente entre ose leitores de fora do Brasil. “Uma certa humildade em aprender e reconhecer que a pluralidade e diversidade cultural no mundo é vital. Que não fechemos ose olhos diante de apagamento etnicoculturais que são normalizados pelo mundo”, afirma.

Ao romper fronteiras com uma história enraizada em saberes orgânico, Jefferson Costa reafirma que não existe apenas uma forma de ser herói e que, sim, o mundo do Superman também pode ser temperado com um tiquinho de brasilidade.

Com 216 páginas, o encadernado Superman: O Mundo chega em território brasileiro pela Panini no dia 28 de junho.

Foto: Arte por Hyader Epaminondas

Enquanto Superman: O Mundo explora a pluralidade global do herói, é em Superman Sem Limites que o gaúcho Rafael Albuquerque encontra o personagem por outra perspectiva: mais lúdico, mais desafiadora e, principalmente, mais fantástico com a presença de vilões clássico em uma corrida armamentista ao redor da único fraqueza do Kriptoniano. 

Conhecido pelo premiado Vampiro Americano, obra que lhe rendeu ose prêmio Eisner e Harvey, Rafael promete trazer uma dose extra de criatividade ao projeto. “A nova série apresenta histórias de proporção cósmica, muito menos realista do que as últimas verses do Superman, e certamente em sintonia com a abordagem de James Gunn, que veremos nos cinema em julho”, comenta o artista.

O convite para participar do projeto surgiu após o cancelamento de sua participação em Absolute Superman, devido ás enchente que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024. “Fiquei muito grato. Acredito que a DC se solidarizar com a situação e me ofereceu esse novo projeto, o que me deixou feliz e motivado.”

Mais do que o escapismo heroico, foi a proposta emocional do roteirista que fisgou Rafael. “O que me atraiu para o projeto é que Dan propõe uma história bastante pessoal do Superman, explorando seus medos, sua família e as mudança acontecendo no mundo ao redor desse personagem tão estoico e, por muito, considerado ultrapassado. É um quadrinho que faz esses leitores desgarrados voltarem a gostar do Superman.”

Mesmo com a afinidade temática entre ose autores, o processo de colaboração não foi isento de obstáculo. “O Dan tem uma maneira muito particular de escrever, e confesso que demorei a me adaptar ao estilo dele”, relembra. “Minha abordagem sempre foi mais realista. Mas uma fala dele me fez repensar tudo: Enquanto essa visão realista e talvez desconfiada do Superman é algo com que qualquer ser humano pode se identificar, a Era de Prata representa o ponto de vista do próprio Superman. Mais otimista, lúdico e certamente mais divertido. Perceber essa ótica me desafiou, e eu gosto de desafio.”

Ao fazer parte da iniciativa “Verão do Superman”, Rafael sente que está deixando sua marca em um momento de renovação do herói. “Superman era meu herói favorito quando criança. Se alguém dissesse ao Rafael de 7 anos que ele faria parte desse evento global, ajudando a redefinir um personagem que é um verdadeiro ícone da cultura pop, ele jamais acreditaria”, conta, com emoção. “Quero influenciar as próximas gerações da mesma forma que fui influenciado e que esse legado continue por muito e muito anos.”

Superman Unlimited ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.

Foto: Arte por Hyader Epaminondas

Enquanto mais artista brasileiros conquistam espaço nas grandes editoras, Ivan Freitas da Costa segue abrindo caminho nos bastidores. Cofundador da CCXP, CEO da Chiaroscuro Studios e curador do Artists’ Valley, ele é hoje um dos principais responsáveis pelo reconhecimento internacional dos artista brasileiros, tanto no mercado mainstream quanto na cena autoral.

Ao comentar sobre ações recente envolvendo a marca Superman no Brasil, Ivan explica que, por enquanto, está confirma apenas “uma ativação no MIS para criança, que têm Superman como tema e conta com aprovação da Warner”. Ele também lembra de uma ação para licenciados da Warner, que contou com a criação de um pôster exclusivo do novo filme do Homem de Aço, ilustrado pelo artista Rafael Albuquerque, responsável pela arte da revista Superman Unlimited. “Há outros iniciavas em discussão, mas ainda sem confirmação”, sinalizando que o fortalecimento da presença do Superman no Brasil pode ganhar novos capítulos em breve.

Segundo Ivan, o avanço dos brasileiros no mercado externo não é novidade, mas vem ganhando contornos ainda mais relevantes. “O que temos visto nos últimos anos é uma presença cada vez maior deles em um território onde antes não se destacavam tanto: o das premiares”, afirma. “Somente nos últimos anos, vimos brasileiros vencendo prêmio importantes com obras autorais, como Eisner e Angoulême. Quanto ao Eisner, inclusive, tem sido raro não haver brasileiros competindo em alguma categoria.”

Esse crescimento, ele reforça, está diretamente ligado à percepção global sobre a qualidade da produção nacional. “O que se observa é o trabalho brasileiro sendo reconhecido lá fora como uma produção de alto nível, capaz de competir nesse prêmio tão disputado.”

Parte fundamental dessa transformação passa pela CCXP, considera a maior feira geek e de cultura pop do mundo, que tem atuado como elo entre o Brasil e o mercado global. “Um evento do porte da CCXP, que tem relevância internacional, conta sempre com a presença de artista e editores estrangeiros que vêm ao evento não apenas para promover seu trabalho, mas também para conhecer artista locais”. 

A participação frequente de editores estrangeiros no evento tem aberto portas concretas para novos talentos. “Nas edites da CCXP, são comuns as sessões de análise de portfólio feitas por headhunters de grandes editoras internacionais”, complementa. No coração da feira está o Artists’ Valley, que evoluiu do formato original Artists’ Alley para se tornar o maior espaço dedicado a artista independentes da América Latina e do Hemisfério Sul. “Esse tipo de intercâmbio só é possível porque temos um evento desse porte no Brasil, que acontece regularmente e atrai atenção internacional.”

Atento ás transformações do mercado e ás novas gerações, Ivan aposta em nomes que devem ganhar ainda mais visibilidade no exterior nos próximo anos. “Netho Diaz é um brasileiro que acaba de integrar o grupo Stormbreakers da Marvel Comics, que reúne artista que a editora acredita que serão ose próximo grandes nomes dos quadrinhos”. Ivan também aposta no quadrinista Vitor Cafaggi, cocriador de Turma da Mônica: Laços. “Ele deve conquistar mais reconhecimento lá fora muito em breve”, afirma.

Ele também ressalta a força da produção autoral brasileira. “Pedro Cobiaco produz quadrinhos de altíssimo nível desde a adolescência e já começa a participar de projetos no exterior. Já o Gidalti Jr., que é bastante celebrado no Brasil, está merecendo maior espaço nos mercados estadunidense e europeu, a exemplo do que já aconteceu com nomes como Marcello Quintanilha, Marcelo D’Salete e Fido Nesti, e espero que isso aconteça muito em breve.”

No fim das contas, o Superman pode até ter vindo de Krypton, mas é no mundo e no Brasil que ele encontra novas camada de significado. Seja nos traços de Jefferson Costa, na imaginação de Rafael Albuquerque ou na articulação de Ivan Freitas da Costa, o herói ganha novas formas, vozes e sentidos. Em cada uma dessas contribuições, há um lembrete: o futuro da cultura pop se escreve a multas mão, com sotaque diversos e olhares plugais. E o Brasil, com sua criatividade único, está no centro dessa construção. Afinal, ser super é também ser coletivo. E nesse novo mundo do Superman, tem muito do nosso por vir.

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Por Midia Ninja

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