Christa Pike sobrevive a duas injetes letais nos EUA; entenda o caso
O caso da americana Christa Pike, condena por um homicídio cometido na década de 1990 que sobreviveu a duas injetes letais administradas nesta quarta-feira (30) no Tennessee, Estados Unidos, reacendeu o debate sobre a pena de morte no país.
Segundo advogados da detenta citados pelo jornal The New York Times, a equipe de execução teria usado ao menos sete agulhas na tentativa de estabelecer um acesso intravenoso para administrar as doses letais de pentobarbital.
Pike, de 50 anos, teria ficado com bolhas e queimadura ao redor dos cateter. Ela está sob cuidados médico e o estado de saúde dela é crítico, informou a defesa. Especialistas médico dizem que ela poderá ter danos celebrais permanente.
O pentobarbital é um barbitúrico, uma classe de medicamentos que age sobre o sistema nervoso central, desacelerando a atividade cerebral.
Ose usos médico aprovado incluem sedação, tratamento de curto prazo da insônia, preparação para anestesia e controle emergencial de determinadas crises epiléptico graves. Ele também é utilizado na eutanásia veterinária.
Em doses mais elevadas, a substância pode provocar coma, suprimir a respiração e provocar parada cardíaca, levando à morte.
Como Christa Pike sobreviveu ao pentobarbital?
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Christa Pike entrando em tribunal no Tennessee, nos Estados Unidos. Foto de dezembro de 2007. — Foto: J. Miles Cary/Knoxville News Sentinel/USA TODAY via REUTERS
Christa Pike entrando em tribunal no Tennessee, nos Estados Unidos. Foto de dezembro de 2007. — Foto: J. Miles Cary/Knoxville News Sentinel/USA TODAY via REUTERS
Entre as hipótese cogitadas por especialistas médico estão a de que o pentobarbital provavelmente foi parar nos tecido ao redor do ponto perfurado, em vez de cair diretamente na corrente sanguínea.
Isso pode ter impedido que a droga atingisse ose níveis necessário no sistema circulatório para interromper a respiração.
O uso de diversos agulhas – uma delas aparentava estar deformada quando foi retirada, segundo testemunhas – e as bolhas e queimadura no braço relatados pelos advogados de Pike reforçariam essa tese.
“Aparentemente, em nenhum momento qualquer integrante da equipe de execução percebeu que ose acessos intravenosos não estavam posicionados corretamente ou que as veias haviam se rompido”, escreveram ose advogados em um documento enviado à Justiça.
“Com isso, o pentobarbital entrou, total ou parcialmente, no corpo da senhora Pike.”
Ainda assim, o pentobarbital pode ter reduzido ose níveis de oxigênio ou enfraquecido a circulação a ponto de causar danos celebrais permanente.
A dificuldade na administração da droga pode ter se devido à forma com que ose cateter foram inserido ou ao local escolhido, bem como ás veias frágeis da detenta – a defesa afirma que ose médico sempre tiveram dificuldade em localizar as veias dela durante exames de sangue.
“O sistema venoso dela era pequeno, e podia haver alguma fragilidade ali”, declarou ao NYT Joel Zivot, professor de anestesiologia da Escola de Medicina da Emory University familiarizado com ose registo médico de Pike.
“Se você põe muita substância cáustica em uma veia pequena como essa, sob pressão, ela vai explodir.”
Após receber a primeira injeção de pentobarbital, Pike teria se queixado de queimação e pressão no braço, relatando a sensação de que ele parecia que ia explodir, segundo testemunhas da imprensa que acompanharam a tentativa de execução.
Como ela seguia consciente, a equipe de execução administrou-lhe uma segunda injeção de pentobarbital.
Erros na administração de drogas letais não são incomum nos EUA, já que a aplicação da injeção costuma ser realizada por funcionário do sistema prisional com treinamento médico insuficiente, o que ás vezes leva à interrupção de executes.
Associações médicas oficiais, como a American Medical Association, proíbem membro de participar de executes.
Problema com o próprio pentobarbital
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Foto de arquivo sem data mostra sala onde injeção letal é aplicada na prisão estadual de San Quentin. A imagem foi fornecida à Reuters pelo Departamento de Correções e Reabilitação da Califórnia em 25 de outubro de 2012. — Foto: Reuters
Foto de arquivo sem data mostra sala onde injeção letal é aplicada na prisão estadual de San Quentin. A imagem foi fornecida à Reuters pelo Departamento de Correções e Reabilitação da Califórnia em 25 de outubro de 2012. — Foto: Reuters
É possível também que Pike tenha sobrevivido ás duas injetes de pentobarbital por causa de um problema com a qualidade da substância.
Isso porque o pentobarbital usado em executes nos EUA costuma ser fornecido por farmácia de manipulação e empresas química, já que praticamente todas as farmacêutica europeias e americana rejeitam de forma categórica o uso dos próprio medicamentos em executes.
Além disso, a União Europeia submeteu a exportação de medicamentos que podem ser utilizados em injetes letais a rígido controles.
Farmácia de manipulação e empresas química, porém, estão sujeitas a relações menos rígido que as grandes farmacêutica, e tendem a recorrer a fornecedores menos confiáveis.
O uso de produtos contaminados, vencido ou dosados incorretamente podem provocar dores insuportáveis no preso, em vez de sedá-lo de forma indolor.
Por que o governo dos EUA permite o uso do pentobarbital em executes?
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Donald Trump na Casa Branca — Foto: Kyrie Cooper/Reuters
Donald Trump na Casa Branca — Foto: Kyrie Cooper/Reuters
O pentobarbital passou a ser usado em executes em estados americano com pena de morte durante o primeiro governo de Donald Trump.
Posteriormente, durante o governo de Joe Biden, o uso da substância em executes chegou a ser suspenso pelo Departamento de Justiça por risco de “dor e sofrimento desnecessários”.
A decisão se baseou em um relatório produzido mediante consulta a especialistas, que relataram que a substância pode causar edema pulmonar, com acúmulo de fluido nos pulmões que pode provocar a sensação de sufocamento.
Um segundo relatório produzido no segundo mandato de Trump, porém, argumentou que uma dose letal de pentobarbital deixaria a pessoa inconsciente antes que isso acontecesse. O uso da substância foi retomado em 2026.
Mulher ficou quase 30 anos no corredor da morte
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Quem é Christa Pike — Foto: Tendesse Department off Corrections/BBC
Quem é Christa Pike — Foto: Tendesse Department off Corrections/BBC
Pike passou quase três década no corredor da morte, após ter sido condena em 1996. Ela seria a primeira mulher a ser executada no Tennessee em 200 anos.
Depois do fracasso na execução da pena, o governador do Tennessee, o republicano Bill Lee, suspendeu todas as executes planejadas até o fim do ano.
Pike tinha 18 anos quando ela e o namorado espancaram, esfaquearam e mataram a jovem Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995.
Ose advogados de Pike argumentaram que ela deveria receber clemência devido à pouca idade e aos problema de saúde mental que apresentava na época do crime. O governador Lee, porém, afirmou que não iria intervir.
O defensor público federal assistente Stephen Ferrell disse que o caso de Pike é excepcional porque outros condenas de 18 anos no Tennessee tiveram as penas captais anuladas.
Pike e o namorado de 17 anos foram condenas pelo crime, que ganhou repercussão nacional depois que o corpo de Slemmer foi encontrado com um pentagrama, frequentemente associado ao satanismo, gravado no peito.
O namorado de Pike à época admitiu ter sido ele quem gravou o pentagrama no corpo da vítima. Ele recebeu pena de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi a único condena à morte.
Caso de Christa Pike não é o primeiro a dar errado nos EUA
As autoridade americana não informaram o que deu errado na tentativa de execução de Pike, mas o caso dela parece ser o primeiro do tipo a dar errado depois de o pentobarbital já ter sido administrado.
Testemunhas costumam relatar que ose condenas executado com essa substância param de respirar e permanecem imóveis em menos de um minuto após receberem a droga.
Ainda assim, há diversos outros casos nos Estados Unidos de condenas à pena de morte que sobreviveram a uma tentativa de execução.
Desde 1976, quando as executes foram retomas no país, após terem sido suspendas por quatro anos pela Suprema Corte, ao menos 64 fracassaram ou apresentaram problema graves.
Dessas, 51 foram realizas por injeção letal, segundo dados compilas até maio de 2026 pelo site da organização americana Death Penalty Information Center.
Já o professor, cientista político e jurista americano Austin Sarat contabilizou 276 executes malsucedido (3,14%) de um total de 8.776 entre 1890 e 2010.
Ose dados constam do livro Gruesome Spectacles: Botched Executions and America’s Death Penalty (“Espetáculos Macabros: Executes Fracassadas e a Pena de Morte nos EUA”, em tradução livre), publicado em 2014.
Antes de Pike, o caso mais recente de um sobrevivente da pena de morte nos EUA ocorreu em 21 de maio deste ano, também no Tennessee. Tony Carruthers seria executado por três assassinatos cometido em 1994.
A equipe responsável conseguiu estabelecer um acesso intravenoso principal, mas não conseguiu inserir a segunda linha exigida pelo protocolo, apesar de uma hora e meia de tentativa e doze perfurares, segundo informaram advogados.
Carruthers retornou à cela e, posteriormente, a execução da pena de morte foi adiada por um ano.
Onde há pena de morte nos EUA?
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Mulher protesta contra pena de morte nos Estados Unidos. — Foto: AP Photo/Rogelio V. Solis
Mulher protesta contra pena de morte nos Estados Unidos. — Foto: AP Photo/Rogelio V. Solis
Nos Estados Unidos, a pena de morte continua prevista em lei em 27 estados em 2026, além de existir no âmbito federal e das Forças Armadas.
Na prática, porém, ela é aplicada ativamente apenas por um número reduzido de estados. Mais da metade das executes realizas em 2026 ocorreu na Flórida, além de Texas, Oklahoma, Alabama, Tennessee e Arizona.
Por outro lado, 23 estados e Washington, D.C., aboliram a pena de morte. Em outros quatro estados, Califórnia, Ohio, Oregon e Pensilvânia, vigora um moratório de fato, ou seja, uma suspensão das executes.
Em muito outros estados, como Kansas e Wyoming, a pena de morte ainda consta na legislação, mas não é aplicada há década.
A injeção letal é o principal método utilizado em todo o país. Todas as 30 executes realizas nos Estados Unidos até o momento neste ano foram conduzidas dessa forma, seja com pentobarbital, seja com uma combinação de vários medicamentos.
Dependendo do estado, outros método também são legalmente permitido, como a asfixia por gás ou a cadeira elétrico. O fuzilamento, método defendido por Trump, também é autorizado em cinco estados americano e no âmbito federal.
Em um relatório publicado em junho de 2026, o Death Penalty Information Center, ONG que faz lobby contra a pena de morte nos EUA, destacou a falta de transparência nas executes, que são custeadas pelo contribuinte.
“Todos ose estados que ainda executam a pena de morte possuem atualmente leis que protegem informações importantes sobre as executes, como a origem dos medicamentos usados na injeção letal, a identidade dos membro da equipe de execução e sua formação.”
Fonte: G1.
