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Casamento homoafetivo pode estar em risco em eventual governo Flávio Bolsonaro, alertam pesquisadores

Estudo identificou aumento de casamentos homoafetivo após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Agora, pesquisadores alertam para possíveis retrocessos caso Flávio Bolsonaro vença a disputa presidencial O post Casamento homoafetivo pode estar em risco em eventual governo Flávio Bolsonaro, alertam pesquisadores apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Pesquisa publicada no Journal of Population Economics identificou um aumento nos registros, sobretudo entre casais de mulheres e em municípios onde Bolsonaro teve maior votação. Às vésperas do segundo turno de 2026, pesquisadores alertam para os riscos de retrocesso nos direitos LGBTQIAPN+.

A eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República, em 2018, foi seguida por um aumento no número de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. A alta foi mais expressiva nos municípios onde o então candidato obteve maior percentual de votos e entre casais de mulheres, segundo um estudo conduzido pelos economistas brasileiros Sara Parente, da EBS Universidade de Economia e Direito, e Mateus Maciel, da Universidade de Tübingen, em parceria com David Zuchowski, da Universidade de Valência.

Publicado em agosto no Journal of Population Economics, o artigo Rushing to the altar? Same-sex marriages when rights feel at risk investiga como o apoio eleitoral a um líder político com posições contrárias aos direitos da população LGBTQIAPN+ pode influenciar as decisões de casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Os pesquisadores identificaram que o crescimento dos registros se concentrou no período entre a eleição e a posse presidencial, em janeiro de 2019. Para os autores, os resultados são compatíveis com uma reação preventiva de casais que perceberam ameaças aos seus direitos e buscaram formalizar suas uniões enquanto as garantias legais permaneciam disponíveis.

O casamento civil assegura reconhecimento jurídico às uniões e garante direitos e benefícios econômicos aos cônjuges. Nesse contexto, a formalização das relações pode ter sido uma forma de reduzir a insegurança diante da possibilidade de mudanças políticas e institucionais.

Pesquisadores alertam para riscos em 2026

Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, Sara Parente avalia que o cenário atual apresenta riscos diferentes daqueles enfrentados em 2018.

“Quando Jair Bolsonaro foi eleito, a probabilidade de esse direito ser revertido era baixíssima, visto que ele não poderia fazer tantas mudanças no Supremo Tribunal Federal para conseguir a maioria dos votos. Mesmo nesse cenário, as pessoas tiveram medo de perder seus direitos. A situação agora é diferente. Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, ele poderá fazer mudanças no STF a ponto de conseguir a maioria necessária para abolir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O que antes era um medo agora pode se tornar realidade”, afirma a pesquisadora.

Mateus Maciel também alerta para possíveis retrocessos em outras áreas dos direitos LGBTQIAPN+. Segundo ele, a composição do Congresso Nacional pode influenciar a capacidade de avançar pautas contrárias a essa população em um eventual governo Flávio Bolsonaro.

“Com um maior número de senadores e deputados ligados à extrema direita eleitos, caso Flávio Bolsonaro vença no segundo turno, será mais fácil avançar pautas contra a população LGBTQIAPN+ do que no governo do seu pai. Dessa forma, não apenas a união estável entre pessoas do mesmo sexo pode estar em jogo, mas toda a agenda de direitos desse grupo pode sofrer retrocessos”, afirma.

O artigo está disponível em acesso aberto no Journal of Population Economics, periódico científico da área de economia e demografia.

Fonte: Mídia Ninja.

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