Por Vinicius Francisco
Caetano Veloso, Djavan e dezenas de artistas se apresentaram neste domingo (18) no Ato Musical pela Democracia, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A manifestação, convocada por Caetano e Paula Lavigne e organizada pelo movimento 342 Artes e pela Mídia NINJA, reuniu apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A concentração começou à tarde, na altura do Posto 5, e se estendeu por cerca de um quilômetro da Avenida Atlântica, ocupando pelo menos seis quarteirões. Camisetas de apoio a Lula e cartazes contra a anistia aos envolvidos nos ataques às instituições democráticas apareceram entre o público. Uma grande bandeira LGBTQIA+ também foi estendida sobre a multidão.
Às 18h, o ato tinha aproximadamente 56,4 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em parceria com a More in Common. O levantamento foi feito a partir de imagens aéreas e tem margem de erro de 12%, o que representa entre 49,7 mil e 63,1 mil participantes naquele horário. A chuva impediu novas contagens ao longo da noite.
O ator e humorista Paulo Vieira abriu a programação pouco depois das 16h e comentou as tentativas de barrar o evento na Justiça Eleitoral. Ao defender o direito de manifestação dos artistas, afirmou: “Não é comício, não é showmício e não é ato de campanha”. As apresentações começaram com Edu Krieger, seguido por Sophie Charlotte, que cantou “Dê um Rolê”, conhecida na voz de Gal Costa. Ao longo da tarde, o trio elétrico recebeu o grupo 3030, Rubel, Delacruz, Fernanda Abreu, Jão, Xamã, Ebony, Duda Beat e outros nomes da música brasileira.
Um dos encontros mais aguardados foi o de Caetano e Djavan, que cantaram juntos “Sina”, “Lilás” e “Linha do Equador”. Caetano também interpretou “Alegria, Alegria” e “Gente” e dividiu os vocais com Marina Sena em “Cajuína”, Flor Gil em “O Leãozinho” e o cantor e pastor Kleber Lucas em “Deus Cuida de Mim”.
Durante sua participação, Caetano recordou a prisão que sofreu na ditadura militar, assim como Gilberto Gil e outros artistas. “Nós estamos aqui para apresentar uma defesa da democracia”, declarou à Agência Brasil. Djavan também se manifestou e defendeu a soberania brasileira.
A lembrança da ditadura voltou ao palco com Geraldo Azevedo, preso e torturado durante o regime militar. Ao ouvi-lo cantar “Dia Branco”, Caetano se emocionou. Mais tarde, publicou uma homenagem ao amigo nas redes sociais: “Nossa democracia sempre precisou e ainda precisa da sua voz”.
A programação contou ainda com Simone, João Bosco, Ivan Lins, Chico César, Jorge Vercillo, Frejat, Gabriel o Pensador, Moacyr Luz, Moreno Veloso, Jota.pê e Diogo Nogueira. Em entrevista à Agência Brasil, Duda Beat comemorou a participação do público: “O povo unido consegue tudo. Viva a democracia!”
Também estiveram presentes as atrizes Renata Sorrah, Leandra Leal, Cissa Guimarães e Letícia Sabatella. Entre as lideranças políticas que participaram do ato estavam o deputado federal e pastor Henrique Vieira, a vereadora Mônica Benício, os deputados Sâmia Bomfim e Chico Alencar e a ex-ministra da Saúde Nísia Andrade.
Sabatella, em declaração à Agência Brasil, criticou a exaltação da ditadura por integrantes da família Bolsonaro e defendeu a preservação dos direitos sociais. Entre os manifestantes, também foram registrados discursos em defesa da educação pública, do Sistema Único de Saúde (SUS), da liberdade de expressão e da soberania nacional.
Na multidão, pessoas que viveram a ditadura dividiram espaço com jovens que participaram da mobilização. Maria do Patrocínio Souza Cézar, de 100 anos, foi ao ato em cadeira de rodas, acompanhada da filha. Natural do Piauí, chegou ao Rio na década de 1950, depois de enfrentar a seca e a fome no Nordeste. “Eu quero lutar pela democracia”, afirmou.
Dora Alcântara, de 95 anos, também esteve em Copacabana com a filha e a neta. Arquiteta e ex-professora, teve a casa vigiada durante a ditadura, segundo relatos da família. Ao UOL, explicou o que a levou à manifestação: “Tenho a sensação de estar participando mais dessa luta pela democracia, pelo povo”.
A defesa da saúde pública também apareceu entre os motivos para participar do ato. A médica Gabriela foi à manifestação com colegas de profissão e uma faixa de apoio a Lula. Em entrevista ao portal A Seguir, afirmou que a presença do grupo era uma forma de defender o SUS e o direito à saúde. O físico Patrick, de 28 anos, disse ao mesmo veículo que a mobilização também poderia alcançar eleitores ainda indecisos.
A manifestação ocorreu após duas tentativas de suspensão na Justiça Eleitoral. O Partido Novo pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barrasse eventos com apresentações artísticas por considerar que poderiam configurar showmícios, proibidos pela legislação. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou o pedido no sábado (17), por não encontrar elementos suficientes para justificar a proibição preventiva. Outra ação, apresentada pelo Instituto José do Patrocínio, foi encerrada pelo ministro André Mendonça por questões processuais.
Para evitar problemas com a legislação eleitoral, os organizadores orientaram os artistas a não fazer pedidos explícitos de voto nem mencionar números de candidatos durante os shows. A orientação não impediu que o público demonstrasse apoio à reeleição de Lula, com bandeiras, camisetas e palavras de ordem.
A chuva que atingiu Copacabana no início da noite não interrompeu as apresentações. A bateria da Estação Primeira de Mangueira encerrou a programação com o samba-enredo “História para Ninar Gente Grande”, campeão do Carnaval de 2019. O ato terminou por volta das 20h30, depois de mais de quatro horas de música e manifestações políticas.
Assista ao ato completo
Quer rever os shows, os discursos e os principais momentos da manifestação? A Mídia NINJA transmitiu o Ato Musical pela Democracia diretamente de Copacabana.
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Fonte: Mídia Ninja.
