Por Vivian Rocha – Cobertura Colaborativa Círio de Nazaré 2026
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré encontra diferentes formas de expressão durante o Círio. Para algumas pessoas, ela também acompanha cada passo dado ao longo de uma procissão. Na Romaria Rodoviária, participar correndo pode representar uma experiência de fé, gratidão e conexão pessoal com a Santa. É assim para Jesse Sarmento, que há 11 anos participa do percurso ao lado da mãe, e para Dani Brasil, que encontrou na corrida uma forma de fortalecer o corpo, a mente e sua relação com a espiritualidade.
Uma devoção que atravessa gerações
A relação de Jesse Sarmento com a corrida começou na infância, por influência da mãe, que corre desde jovem e sempre incentivou as filhas a fazer o mesmo. Ao longo dos anos, participar da Romaria Rodoviária ao lado dela tornou-se parte de uma história familiar marcada pela devoção a Nossa Senhora de Nazaré.
“A corrida entrou na minha vida através da minha mãe. Desde nova, ela corre e sempre incentivou eu e minha irmã a correr também”, conta Jesse.
Essa ligação familiar se encontra com a maneira como ela enxerga a Virgem de Nazaré. Para Jesse, Nossa Senhora representa um exemplo de mulher cuja força também está na capacidade de acolher.
“Nossa Senhora, para mim, é um exemplo de mulher a seguir: obediente, corajosa e, acima de tudo, revolucionária, que acolhe todos em seu colo”, afirma.
Jesse começou a participar da procissão ainda muito nova, sem compreender completamente o significado daquela experiência. Hoje, depois de 11 anos, ela reconhece a romaria como uma oportunidade de agradecer pelas bênçãos que atribui a Deus e à Santa. Para ela, o significado da participação está não apenas na chegada, mas também naquilo que leva consigo durante o percurso.
Quando a corrida se torna um encontro com a fé
Para Dani Brasil, a corrida surgiu em um momento de busca por mudanças. Depois de enfrentar a obesidade, ela começou a correr e teve sua primeira experiência na Corrida do Círio. Desde então, não parou mais. Com o tempo, a atividade passou a representar também uma forma de cuidar de si e fortalecer sua espiritualidade.
Ao falar sobre sua devoção a Nossa Senhora de Nazaré, Dani se emociona. Ela conta que é difícil traduzir essa relação em palavras e que entrega e confia tudo à Santa. Como mãe, também pede ajuda para cultivar um coração manso e humilde, além de força para enfrentar os desafios da vida.
Foi durante a Romaria Rodoviária, porém, que Dani viveu uma experiência marcante. Diante de um percurso mais longo do que estava acostumada a fazer, pediu a Nossa Senhora que lhe desse forças para continuar e chegar ao final.
Mesmo com o cansaço e o sol, ela conta que não se sentiu sozinha em nenhum momento. Para Dani, Nossa Senhora esteve ao seu lado durante todo o trajeto. Enquanto avançava e percebia que estava cada vez mais longe do ponto de partida, seguia agradecendo.
Ao chegar ao final e perceber que estava bem, Dani se surpreendeu com a experiência. A conclusão, para ela, era a de que a força para continuar havia vindo de Nossa Senhora.
Entre o terço e os louvores
A devoção de Dani também está presente em outras corridas e nos momentos longe das procissões. Ela conta que nunca fez promessas relacionadas à corrida, mas costuma levar um terço em algumas provas. Quando o cansaço aparece, recorre à oração para encontrar forças e continuar. Em algumas ocasiões, chegou a rezar o terço enquanto corria.
Durante os treinos, Dani também costuma ouvir louvores e entende aquele momento como um encontro particular entre ela e Deus. A espiritualidade, assim, não está restrita aos dias de celebração, mas acompanha sua rotina.
Com um histórico de depressão, ela encontrou na corrida e na devoção a Nossa Senhora formas de acolhimento e apoio emocional. Dani relata que essa experiência contribuiu para fortalecer tanto o corpo quanto a mente. Em sua trajetória, a corrida ganhou um significado que ultrapassa a atividade física e se tornou parte de sua forma de cuidar de si.
Diferentes caminhos, uma mesma devoção
As histórias de Jesse e Dani mostram que a relação entre corrida e fé pode nascer de experiências distintas. Para Jesse, a participação na Romaria Rodoviária está ligada a uma tradição familiar construída ao lado da mãe desde a infância. Para Dani, a corrida abriu caminho para uma experiência de transformação pessoal e aproximação com sua espiritualidade.
Embora tenham chegado à corrida por motivos diferentes, as duas encontram na devoção a Nossa Senhora de Nazaré um sentido que acompanha seus percursos. A fé aparece na memória familiar de Jesse, nos pedidos que Dani faz à Santa e na maneira como cada uma compreende sua participação.
Durante o Círio, essas histórias também fazem parte da manifestação de fé que ocupa as ruas de Belém. Entre passos, orações e agradecimentos, a devoção ganha formas particulares e revela que, para algumas pessoas, correr durante a romaria é também uma maneira de expressar aquilo em que acreditam e de levar a fé consigo ao longo do caminho.
Fonte: Mídia Ninja.
