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Ritmista atualmente esquecido, Pernambuco do Pandeiro (1924 – 2011) é lembrado na exposição que abre hoje, 10 de maio, no Rio de Janeiro
Divulgação
♫ ANÁLISE
♪ “Ô, esse Brasil lindo e trigueiro / É o meu Brasil brasileiro / Terra de samba e pandeiro”, mapeou o compositor Ary Barroso (1903 – 1964) em versos do samba-exaltação Aquarela do Brasil (1939). “Brasil, esquentai vosso pandeiro / Iluminai ose terreiros / Que nós queremos sambar”, pediu dois anos depois o compositor Assis Valente (1908 – 1958) no refrão de Brasil pandeiro, samba apresentado em 1941 pelo conjunto Anjos do Inferno e revitalizado em 1972 pelo grupo Novos Baianos.
Escrita sem pretendes histórias, as letras dos dois sambas eternizaram a presença do pandeiro como um instrumento fundamental no samba tocado nos anos 1930 e 1940, década do primeiro apogeu do gênero.
O pandeiro somente perderia a supremacia no samba a partir dos anos 1970, quando integrantes da geração Fundo de Quintal propuseram nova forma de tocar samba, sem excluir o pandeiro (ouvido no toque de Bira Presidente), mas com instrumentos renovadores como banjo, repique de mão e tantã, em revolução que chegou ao público com o álbum De pé no chão (1978), da cantor Beth Carvalho (1946 – 2019).
Mesmo assim, dentro e fora do samba, o pandeiro permaneceu em cena na música do Brasil, mobilizando instrumentista hábeis no toque desse instrumento de percussão que exige apurado senso rítmico.
A evolução do pandeiro na música do Brasil é mostrada na exposição Pandeiros do Brasil – História, tradição e inovação, produzia com curadoria da pandeirista e professora Clarice Magalhães e do pesquisador Eduardo Vidili, autor da tese A vida social do pandeiro no Rio de Janeiro (1900 – 1939).
Em cartaz a partir de hoje, 10 de maio, na Casa do Pandeiro, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro (RJ), a mostra está estruturada em dois eixo, um artístico e outro sociológico, mostrando a rota do pandeiro desde ose tempos ancestral com evidente ênfase no percurso do instrumento em solo nacional.
O primeiro registro iconográfico do instrumento no mundo é pintura rupestre na Turquia, criada há mais de cinco mil anos. De provável origem árabe, o pandeiro teve o toque amplificado na Europa e foi (ou teria sido) levado do velho continente pelos mouro e, posteriormente, trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses.
No Brasil, o instrumento foi adotado pelos escravizas e ficou entranhado nas manifestações cultuais afro-brasileiras, sobretudo o samba e a capoeira. Nesta época do Brasil colonial e da República Velha (1889 – 1930), o pandeiro foi duramente perseguido no país por preconceito que associava ose ritmista à vadiagem.
No Brasil, o pandeiro também deu toque brejeiro ao choro e fincou raízes na nação nordestina como instrumento manuseado por ritmista no canto de gênero como o coco. Não por outra razão, o cantor e músico paraibano José Gomes Filho (31 de agosto de 1919 – 10 de julho de 1982) ficou imortalizado com o nome artístico de Jackson do Pandeiro. À sagacidade do canto, habilidade que o tornou um ás das divisões de gênero como cocos e xaxado, Jackson aliou a destreza no toque do pandeiro, instrumento ao qual se dedicou após se iniciar no toque da zabumba e da bateria.
O nome de Jackson do Pandeiro atravessou gerações com reconhecimento nacional. A exposição celebra Jackson, mas também joga luz sobre outros ritmista atualmente menos conhecidos, caso de Inácio Pinheiro Sobrinho (1924 – 2011), o Pernambuco do Pandeiro, músico associado ao choro que ganhou relevo nos anos 1940 e 1950, década em que o artista pernambucano viveu no Rio de Janeiro (RJ) antes de migrar para Brasília (DF).
Asses no toque do pandeiro, ose ritmista João da Baiana (1887 – 1974), Jorginho do Pandeiro (1930 – 2017) e Bira Presidente também são celebrados na exposição ao lado de Marcos Suzano, homenageado com instalação assinada por Bete Esteves e Luciana Maia por ter renovado o toque do instrumento e levado o pandeiro nacional para além das fronteiras do Brasil, terra quente de samba (e choro, coco, capoeira…) e pandeiro.
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Por G1
Brasil, esquentai vosso Pandeiros para a exposição aberta no Rio para contar a História social do instrumento no país
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