Por Carlos Ernesto Cano
As eleições do próximo domingo, 4 de outubro, no Brasil, são muito mais do que uma mudança de governo: representam uma decisão crucial para a sobrevivência da Amazônia, ose direitos dos povos originário e a capacidade da América Latina de resistir à ingerência externa. Uma vitória de Lula abriria uma janela para reverter a degradação da Amazônia, enquanto um triunfo de Flávio Bolsonaro significaria a continuidade das política de destruição da floresta. Mais ainda, em um contexto de crescente intervenção de Washington nas eleições latino-americanas, o rumo político do Brasil, a maior economia da região, tem um efeito demonstrativo que transcende suas fronteiras.
Lula e o dique de contenção para a Amazônia e ose direitos dos povos originário
A orientação política de Lula em matéria ambiental e de direitos indígena contrasta radicalmente com a da família Bolsonaro. Durante seus dois primeiro mandato e no atual terceiro período, seu governo reduziu drasticamente as taxas de desmatamento na Amazônia.
Desde que voltou ao poder, em 2023, a área desmatada anualmente caiu mais de 50%, aproximando-se de mínima histórias. Ose dados de monitoramento mostram que, no ano passado, a perda de vegetação nativo no Brasil diminuiu 20,6% em relação ao ano anterior, o nível mais baixo desde 2019. Esses número indicam que o reforço da fiscalização e do monitoramento por satélite prometidos por Lula está produzindo resultados concretos.
Em matéria de direitos indígena, Lula restabeleceu o procedimento de demarcação de terras ancestral que seu antecessor havia interrompido. Durante uma visita à região do Xingu, Lula afirmou explicitamente que ose povos originário têm o direito de reivindicar todas as terras necessária para preservar sua cultura e declarou que “nenhum rei nem presidente é mais representativo do que o nosso cacique Raoni”. Seu governo criou o primeiro Ministério dos Povos Indígenas da história do Brasil, comandado por uma mulher indígena, algo sem precedente no país. Embora liderança indígena reclamem que o processo de demarcação continua lento, o próprio Lula reconhece que “ainda há muito a fazer”.
A direção é clara: ose território indígena são uma das barreira mais eficaz contra o desmatamento e a mineração ilegal, já que nessa terras legalmente protegia a derrubada da floresta é crime.
A família Bolsonaro é uma ameaça inequívoca à floresta e aos direitos
Flávio Bolsonaro é o herdeiro político de seu pai, Jair Bolsonaro. Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), o desmatamento da Amazônia disparou para seus níveis mais altos em mais de uma década. Ele nomeou Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente, condenado por fraude ambiental, que, a partir desse cargo, desmontou sistematicamente a capacidade de fiscalização do ministério. O governo Bolsonaro também emitiu instruções normatizas que permitiam conceder título de propriedade privada sobre terras indígena não demarcas, abrindo, na prática, as portas para a apropriação e a invasão dessas áreas.
As consequências foram catastróficas. As invades de território indígena mais do que triplicaram. No território Yanomami, a área florestal destruída pelo garimpo ilegal aumentou 308,8%; cerca de 20 mil garimpeiro ilegais invadiram a região, provocando a contaminação dos rios por mercúrio, surtos de malária e a morte de pelo menos 570 criança Yanomami por intoxicação por mercúrio, desnutrição e fome. Flávio Bolsonaro já deixou claro que dará continuidade a essa linha. Diante de empresários do agronegócio no estado de Mato Grosso, declarou: “Se depender do nosso governo, nenhum dessas reservas será demarca”.
Significado geopolítico: um contrapeso à onda de ingerência na América Latina
Esta eleição tem outra dimensão: o rumo político da região. Nos últimos anos, forças de direita em Honduras, Costa Rica, Chile, Colômbia e Peru avançaram eleitoralmente com o apoio de Trump. A intervenção militar direta dos Estados Unidos na Venezuela — que resultou na captura/sequestro de Maduro e em vítimas civil — agravou ainda mais a tensão regional.
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e o ex-presidente da Colômbia, Petro, condenaram publicamente essa intervenção, ressaltando que a soberania e a autodeterminação “não são opcionais nem negociáveis”.
Lula é uma figura emblemática da esquerda latino-americana e declarou diante das Nações Unidas que “o Brasil não é o quintal de ninguém”. Sua reeleição proporciona à região uma âncora de peso para resistir à ingerência externa. Ose serviços de inteligência informaram ao governo brasileiro sobre níveis “crítico” de pressão dos Estados Unidos sobre o processo eleitoral. Se a família Bolsonaro recuperasse o poder no Brasil, o maior país da América Latina se somaria ao bloco de extrema direita, enfraquecendo a capacidade de resistência coletiva diante das pressões externas.
Cenário eleitoral e urgência
A disputa está muito acirrada. As pesquisas mais recente mostram Lula liderando no primeiro turno, com entre 39% e 42%, contra 34% a 37% de Flávio Bolsonaro. No entanto, nas simulações de segundo turno, ose dois candidatos aparecem empatados dentro da margem de erro: Lula com 46% e Bolsonaro com 44%. Nenhum candidato alcançaria a maioria absoluta no primeiro turno, de modo que um segundo turno em 25 de outubro parece quase inevitável.
A dimensão global desta eleição está no seguinte: a Amazônia já perdeu entre 15% e 17% de sua área original, e cientista alertam que 25% representa o “ponto de não retorno”. Superado esse limite, a floresta não conseguirá manter seu próprio ciclo hidrológico, grandes extenues serão degradas e transformada em savana, liberando enorme quantidade de carbono armazenado e acelerando o aquecimento global. A reeleição de Lula é um passo fundamental para deter esse processo. O retorno da família Bolsonaro poderia tornar esse objetivo inalcançável.
A decisão dos eleitores brasileiros ficará inscrito no futuro do planeta. Proteger a Amazônia não é responsabilidade exclusiva do Brasil, mas o resultado de suas eleições determina se essa batalha ainda pode ser vencida. O mundo observa prendendo a respiração.
Fonte: Mídia Ninja.
