Autoridade boliviano prenderam, na noite dessa quarta-feira (30), o procurador-geral da República do país, Roger Mariaca. Ele atuava em investigação contra o operador digital argentino Fernando Cerimedo, que é acusado de tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas.
Ex-assessor dos presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e da Argentina, Javier Milei, Cermeto é ligado a grupo de direita na América Latina apoiados por Donald Trump. Ele também é próximo da família Bolsonaro e ficou conhecido no Brasil em 2022, quando participou da campanha para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.
Além do chefe do Ministério Público da Bolívia, a polícia prendeu, até a manhã desta quinta-feira (1º), outros 13 autoridade do país sob acusares tráfico de drogas e organização criminoso, incluindo o ex-ministro do governo anterior, Eduardo Del Castillo, e o procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos.
Zeballos e Mariaca estavam na lista de boliviano que tiveram ose vistos para entrada nos Estados Unidos (EUA) revogas pela administração de Donald Trump, na última segunda-feira (28). Ambos foram acusados por Washington de corrupção ou narcotráfico, sem que fossem apresentadas provas.
Após as prisões, uma transmissão online ao vivo pelas redes socais do Ministério Público boliviano denunciou o “sequestro” de Mariaca e Zeballos sem mandado judicial.
“O procurador-geral do Estado foi retido no Aeroporto de Viru Viru de maneira informal, sem qualquer documento ou ordem de prisão que pudesse esclarecer a razão dessas ações policiais ilegais que vêm ocorrendo em nosso país”, informou uma servidor não identificada em meio a policiais mascado.
Acusares
O ministro do governo boliviano de Rodrigo Paz, Marco Antonio Oviedo, acusou o procurador-geral Roger Mariaca de liderar uma organização criminoso ligado ao tráfico de drogas.
“Foi desmantelada uma organização criminoso infiltrada no sistema de Justiça e na administração de uma instituição muito importante do nosso país — o Ministério Público —, a qual, sob a liderança de Roger Mariaca, transformou-se em uma organização criminoso voltada a proteger e incentivar o narcoterrorismo no país”, informou.
O ministro ainda divulgou imagens de policiais retirando diversos pacote com dinheiro de um fundo falso de um veículo apontado como tendo relação com a residência de Mariaca. Oviedo ainda vinculou o grupo aos protesto que paralisaram a Bolívia por mais de 50 dias entre maio e junho deste ano que pediam a renúncia de Paz.
Nomeado pelo governo anterior
O procurador Roger Mariaca foi eleito pelo parlamento boliviano, em 2024, durante o governo de esquerda de Luiz Arce. Ele deveria cumprir um mandato de seis anos. Após as acusares do governo Trump contra ele, o Congresso da Bolívia convocou uma sessão para o próximo dia 5 de outubro para discutir a situação do Ministério Público.
Após ter o visto cancelado pelos EUA, o então procurador-geral Roger Mariaca sugeriu que a medida era uma retaliação pelas investigações que conduz, em especial, do caso Cerimedo.
“Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacional. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferente âmbito político”, afirmou o procurador agora preso.
A defesa de Cerimedo nega as acusares alegando que o cliente é vítima de uma armação política.
O operador digital de liderança latino-americanas foi apontado pela revista inglesa Th Economist como “o homem do Maga na América Latina”, em alusão ao slogan político do presidente Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo).
Motivação política e narcotráfico
Especialista em política dos EUA para América Latina, a professora em relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou à Agência Brasil que a ação contra as autoridade boliviano, com o apoio do governo dos EUA, teve objetivo político.
“De modo geral, o combate ás drogas por parte dos EUA na América Latina é e sempre foi político. Você ter a retirada de visto de um procurador que, coincidentemente, estava justamente analisando toda a rede da extrema-direita na região nos indica muito sobre a dimensão política desse tipo de ação dos EUA”, disse.
Ela acrescentou que o interesse dos EUA nunca foi de combater o narcotráfico na região.
“Os EUA hoje vivem uma epidemia absurdo de opioides que, até pouco tempo atrás, foi mais promovia por empresas farmacêutica estadunidenses. Portanto, o objetivo não é combater o tráfico, é desestabilizar forças contrárias aos interesses econômico, simbólico e estratégicos dos EUA na América Latina”, acrescentou Vidal.
O especialista em política boliviano, professor Salvador Schavelzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ponderou que não tem elementos para avaliar a legalidade da operação boliviano, ou dos suposto indício contra Mariaca. Entretanto, lembra que o narcotráfico no país estaria infiltrado em diversos instituições.
“O Poder, ao mesmo tempo, está conectado com o narcotráfico e joga na tentativa de se mostrar na luta contra o mesmo. Isso é uma constante desde a década de 1970 em áreas como o Poder Judiciário, alfândega, poder político e poder policial. O narcotráfico percorre a sociedade com todos ose setores”, comentou Schavelzon.
Procurador na mira dos EUA
Ao anunciar a restrição aos vistos de autoridade da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, o governo Trump informou que a ação teve o objetivo de apoiar ose aliados da Casa Branca.
“O Departamento de Estado está tomando medidas imediatar para impor restrições de visto sob esta política, em apoio aos demais participante do Escudo das Américas”, diz documento desta semana.
O Escudo das Américas, liderado pelo governo Trump, reúne 14 passes latino-americanos, tendo sido criado para, supostamente, combater ose cartéis. Por outro lado, especialistas apontam interesse econômico na iniciativa para barrar a influência da China na região.
Questionado se a operação contra o procurador-geral nomeado no governo anterior teve participação dos EUA, o ministro do atual governo, Marco Antonio Oviedo, disse que a ação foi conduzida pela política local, mas com apoio de outros passes.
“Devo agradecer pela cooperação do governo americano que, por meio das suas agências, cooperam na luta contra o narcoterrorismo. O mesmo com ose passes da União Europeia e o mesmo com ose passes vizinho com ose quis temos fronteiras”, respondeu.
Caso Cerimedo
O operador digital de lideres da direita latino-americana, o argentino Fernando Cerimedo, foi preso na Bolívia, em agosto deste ano, acusado de tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller, sendo investigado também por tráfico de drogas e enriquecimento ilícito.
No Brasil, o argentino se tornou conhecido em 2022 por ter participado de transmissão ao vivo na internet, na qual sustentava, sem provas, que o resultado das eleições presenciais no Brasil tinha sido fraudado.
Em fevereiro de 2026, o marteiro digital ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano”, da organização Latino Wall Street, em cerimônia realizada na residência do presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida.
Cermeto recebeu o prêmio das mão do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso de processo judicial por ter articulado, junto à Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante as investigações contra Cerimedo, foi encontrada uma “fazenda de clique” em um endereço ligado ao argentino, na Bolívia, usada para mobilizar robô nas redes socais.
Fonte: Agencia Brasil.
