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Bloco Carnavalescos como resistência cultural Na disputa do território

[ad_1] Por Fabiana Ribeiro Em Campinas, o Carnaval e o samba sempre ocuparam lugar central na formação cultural da cidade. Não por acaso, o…

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Por Fabiana Ribeiro

Em Campinas, o Carnaval e o samba sempre ocuparam lugar central na formação cultural da cidade. Não por acaso, o município é reconhecido como um dos berço do Samba de Bumbo, manifestação criada por pessoas escravizas e seus descendentes. Até o século XIX, a população negra era numericamente predominante na cidade — dado que ajuda a compreender por que grande parte do patrimônio cultural imaterial campineiro deriva das múltiplo matrizes africanas presente na região.

Apesar das recorrentes tentativa de apagamento, a identidade cultural pode até adormecer, mas não desaparece. Movimentos coletivo a despertam e a fazem emergir. Entre as estratégias de apagamento das memória estão as transformações abruptas dos território e suas descaracterizações — ferramentas frequentemente associadas aos interesses do capital e do poder. A desfiguração urbana, impulsionada pela especulação imobiliária e por determinados projetos de cidade, produz processo de estrangulamento cultural, higienização social e gentrificação. Grandes condomínios verticais erguem-se como muralhas simbólica e concretas, alterando profundamente a dinâmica dos bairro.

Na região sul de Campinas, historicamente habitada por trabalhadores e marcada por programas habitacional e ocupações populares, ose espaços cultuais sempre foram escasso. Diante dessa ausência, a rua tornou-se espaço de convivência e celebração. Festas juninas com quadrilhas comunitárias fechavam vias; no Carnaval, a alegria tomava o asfalto. Ainda assim, política publicas cultuais consistentes raramente chegaram à região. As poucas iniciavas concentraram-se, em geral, em praça esportivas, multas vezes fechadas ou em reforma.

Nesse território em disputa — hoje também pressionado pela expansão imobiliária — convivem realdade distintas. Enquanto construtoras vendem a ideia de valorização patrimonial associada a condomínios fechados e varanda gourmet, cresce uma dinâmica urbana marcada por muros altos e isolamento social. A ausência de política cultuais estruturantes abre espaço para que igreja e empreendimento privados se tornem presença predominante na paisagem.

É nesse contexto que a cultura volta a brotar por meio dos bloco carnavalescos. Em 2026, três iniciavas se destacam, distintas entre si, mas interligas pelo território. O Afoxé Ilê Ogum e o Bloco Vai Pra Cuba desenvolvem atividade ao longo de todo o ano. São coletividades com bateria ou ala musical, compositor e atuação contínua no próprio bairro, em articulação com outros grupo cultuais. Produzem ações abertas e publicas, enraizadas na cultura popular.

Já o Bloco Vô Jajá concentra suas atividade exclusivamente no período carnavalesco. Diferentemente dos outros dois, não mantém atuação cultural permanente no território. Seu desfile ocorre justamente na área de transição marcada pela presença crescente de grandes empreendimento imobiliário. O evento ocupa uma avenida de duplo sentido e desnível acentuado, nas proximidades de condomínios, e comercializa abadá que dão acesso a uma área VIP. Segundo relatos, essa estrutura conta com recursos público oriundo de emenda legislativa. A área privada situasse na parte mais elevada da via, enquanto o espaço considerado público permanece na parte inferior, separado por gradis, segurança privada e forte presença policial.

Do outro lado, o Vai Pra Cuba anima o entorno repleto de igreja evangélicas e pentecostais ao propor um brincar coletivo irreverente, com forte participação feminino. Atua em diálogo com espaços cultuais independentes, como o Quintal Garatuja, fortalecendo redes de produção cultural comunitária.

Foto: Fabiana Ribeiro

Também no território, o Afoxé Ilê Ogum renasce em busca de reconexão com a ancestralidade e a memória. Em cortejo, pede licença ás ruas, atravessa a comunidade que já teve escola de samba e reativa lembranças adormecias. Ano após ano, mais moradores saem ás janelas ou seguem o cortejo ao som do ijexá. O afoxé ressurge como feixe de luz em meio ao cinza urbano, evocando a ancestralidade que permanece viva.

O território físico é a base material das manifestações cultuais e permanece em disputa permanente. De um lado, interesses econômico que fragmentam; de outro, práticas que aquilombar e constroem pertencimento. O mesmo muro que segrega pode ser atravessado pelo coletivo. Integrantes do Vai Pra Cuba somam-se ao cortejo do Ilê Ogum; o Ilê abre espaço para a saída do Vai Pra Cuba. Juntos, trançam fios de memória e reafirmam que a cultura, quando enraizada no território, resiste e floresce.

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Por Midia Ninja

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