Em 17 de fevereiro de 2026, o Bloco Vez e Voz consolidou-se como um dos principais espaços de protagonismo negro e diversidade no centro de São Paulo. O tradicional bloco LGBTQIAPN+ de cultura preta das terças de Carnaval reafirmou a rua como território simbólico de resistência, pertencimento e expressão coletiva, transformando o espaço urbano em verdadeiro quilombo contemporâneo.
A sambadeira do Recôncavo Baiano Nega Duda, guardiã espiritual do bloco, conduziu a tradicional lavagem simbólica que abriu os caminhos do cortejo com ervas, flores e água de cheiro. O rito evocou proteção, boas energias e a força da Bahia como fundamento cultural da celebração.

Na sequência, o presidente Éric Tomas realizou a fala oficial, louvando a ancestralidade e saudando Exu com o despacho simbólico de água e padê, reafirmando a espiritualidade como pilar estruturante do Vez e Voz.
PROTAGONISMO FEMININO E REPRESENTAÇÃO DOS ORIXÁS
O desfile foi conduzido majoritariamente por mulheres, reforçando a centralidade feminina na história do bloco.
- Daniela Sardinha, vice-presidente, representou Iemanjá — senhora do mar — com vestimenta em formato de barco ornamentado com flores, simbolizando proteção e abundância.
- Beatriz Dias, porta-estandarte do Bloco Vez e Voz, conduziu o símbolo maior da identidade coletiva.
- Daniela Santanna representou Oxum — senhora dos rios e cachoeiras — evocando a força das águas doces e da fertilidade.
- Jeane, matriarca e mãe do presidente, integrou a velha guarda, simbolizando continuidade e memória.
- Lisa Gomes também compôs a velha guarda, hoje majoritariamente feminina, reafirmando a sustentação histórica das mulheres na construção do bloco.

REDE DE APOIO E ARTICULAÇÃO COLETIVA
Éric Tomas destacou que a ocupação de 2026 foi possível graças à mobilização de amigos, parceiros e colaboradores, entre eles:
- Instituto Eu Sou do Axé
- Daniela Sardinha
- Alcides Amazonas
- Portal Inhaí
- Flora Xangô
- Nova Ellos
- Agência Coneccta
- Dicas LGBT
- AHF Brasil
- Bate-Papo UAU
- Wellington Barró
- TV Frida
- Marcelo Oliveira
- Ateliê Tânia Flores
- Ghe Santos
Além de colaboradores independentes e apoiadores culturais que fortaleceram produção e comunicação do evento.

A cobertura da imprensa independente ampliou a visibilidade da ocupação, consolidando o Vez e Voz como vitrine de cultura preta e diversidade no carnaval paulistano.
ENCERRAMENTO COM CONSCIÊNCIA SOCIAL
Na dispersão, a comunidade LGBTQIAPN+ celebrou ao som de Lady Gaga, com leques batendo e energia vibrante tomando conta da rua. O cortejo foi encerrado com “Zé do Caroço”, da cantora Leci Brandão, reafirmando o compromisso do bloco com consciência social e valorização da cultura popular.
Mesmo diante do pedido do público para prolongar a festa, o bloco cumpriu rigorosamente o horário estabelecido pela guia oficial de regras, demonstrando organização e responsabilidade.
Ao final, Éric Tomas afirmou que a ocupação só foi possível porque o Vez e Voz hoje é um coletivo estruturado, composto por pessoas que unem forças para fazer acontecer — sempre com gratidão à ancestralidade e aos Orixás.

E deixou a mensagem que ecoou entre os presentes: 2027 está logo aí.
