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Basta lança Manual hardcore punk para Dias Estranhos

Banda mineira lança primeiro EP com participações de músicos do Blind Pigs e do Carbona O post Basta lança manual hardcore punk para dias estranhos apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Formado por músicos de Araguari e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o Basta lança nesta sexta-feira, 6 de novembro, seu primeiro EP, “Manual para Dias Estranhos”. O trabalho reúne seis faixas de hardcore melódico e skate punk cantadas em português, com participações de Henrike Baliú (Blind Pigs/Armada) e Badke (Carbona/Morcegula). Criada em 2024, a banda reúne músicos com longa trajetória na cena independente, que encontraram no Basta um espaço para explorar suas referências no hardcore melódico e no skate punk.

O EP apresenta de forma mais completa a identidade que a banda vem construindo desde o começo. Com integrantes que passaram por projetos como Uganga, Attero e outras bandas da região, o Basta combina diferentes experiências em torno de um estilo que sempre fez parte de suas referências musicais: punk rápido, melódico e com refrões para cantar junto.

O primeiro single, “Inevitável”, foi lançado em 25 de setembro, acompanhado posteriormente de um videoclipe. Agora, o EP apresenta outras cinco músicas e amplia o universo musical e temático da banda.

Por que “manual”

As letras do Basta falam de situações comuns da vida: mudanças, perdas, escolhas, frustrações e a pressão para ser quem os outros esperam. A banda não pretende dar respostas. A ideia é que as músicas façam companhia a quem está passando por um dia difícil ou estranho, provoquem alguma reflexão ou simplesmente façam aqueles minutos valerem a pena.

O título do EP também dialoga com o Enchiridion, obra que reúne ensinamentos do filósofo estoico Epicteto, compilados por seu discípulo Arriano. Conhecido como “Manual”, o texto começa distinguindo aquilo que depende de nós daquilo que está fora do nosso controle, ideia que também inspirou a música “Inevitável”. “Algumas mudanças, perdas e acontecimentos são inevitáveis, mas a maneira como lidamos com eles ainda depende de nós”, diz a banda.

A capa

A capa de “Manual para Dias Estranhos” é assinada pelo ilustrador pernambucano Wendell Araújo. Com trabalhos para bandas como Ratos de Porão e Cólera, entre diversas outras, o artista tem uma trajetória ligada ao punk, ao hardcore e à música independente brasileira.

Buscando no estúdio a sonoridade ao vivo

Os cinco integrantes trouxeram experiências de diferentes projetos musicais e construíram as músicas juntos, nos ensaios, misturando referências e ideias de cada um. Do começo da banda até o disco pronto foram quase dois anos, período em que a formação se consolidou e as seis músicas foram escolhidas entre outras composições que ficaram de fora.

Para que o EP soasse como o Basta no palco, o produtor Gustavo Vazquez, amigo antigo dos músicos e parceiro em diferentes projetos ao longo dos anos, registrou a banda tocando junta, em uma sessão ao vivo no estúdio Rocklab, em Anápolis (GO).

A gravação também foi realizada sem metrônomo, preservando as variações naturais de andamento e a dinâmica dos músicos tocando juntos. A intenção era manter no disco a energia e a espontaneidade das apresentações ao vivo. Vazquez também foi responsável pela mixagem e masterização do EP.

Os convidados

Henrike Baliú canta em “De Novo Aqui”, a primeira música do EP. Ele ficou conhecido como vocalista do Blind Pigs, uma das bandas mais importantes do punk brasileiro, e depois seguiu carreira com o Armada. Para o Basta, ter logo no primeiro disco um músico cuja trajetória atravessa diferentes momentos do punk brasileiro tem um peso especial.

Badke divide os vocais de “Mundo Estranho”. Antes do Carbona, ele tocou no Barneys, uma das primeiras bandas de hardcore melódico do Brasil, nos anos 1990. Hoje, além do Carbona, tem carreira solo, o duo Morcegula e o selo Morcego Records. Sua música está diretamente ligada ao punk melódico que influenciou o Basta.

Os dois fazem parte de uma geração que, a partir dos anos 1990, ajudou a fortalecer e ampliar a cena punk independente no país. Os integrantes do Basta acompanham seus trabalhos há muitos anos, e ter essas participações no primeiro EP aproxima referências de longa data da identidade que a banda constrói agora.

O EP também conta com a participação de Igor Wallace, do selo Ruído Vermelho Records, nos coros de “Certas Escolhas” e “Nunca Me Fez Bem”, gravados ao lado dos cinco integrantes do Basta.

As músicas

“De Novo Aqui” abre o EP e é a música mais curta e mais direta. Fala sobre evolução, resistência e continuar em frente apesar das contradições do dia a dia, além de trazer o verso que dá nome ao disco. É a faixa mais crua e mais punk do trabalho, e a voz de Henrike Baliú reforça essa característica.

“Inevitável” foi a primeira música em que a banda sentiu que tinha encontrado seu som. A letra fala sobre aceitar que não dá para controlar tudo o que acontece e seguir em frente mesmo assim. É uma música intensa, com um refrão marcante, e foi escolhida como primeiro single do EP.

“Fora do Lugar” fala sobre erros, escolhas e convicções, e sobre a dificuldade de distinguir o que é verdade ou mentira, certo ou errado, em meio a tantas versões de uma mesma realidade. A proposta é aprender com o passado, sem apagá-lo, e continuar questionando o que parece fora do lugar. Musicalmente, aposta em bases marcadas, andamento pulsante e um refrão forte. A música também apresenta uma passagem instrumental que remete às trilhas dos vídeos de skate dos anos 1990.

“Mundo Estranho” fala sobre redes sociais e a vida perfeita que aparece nas telas. A letra trata de comparação, desejo e busca por aprovação, além do risco de viver mais para a imagem do que para a vida real. A música alterna ritmos e apresenta um refrão bem melódico, criando uma dinâmica diferente das demais faixas do EP. Badke canta alguns trechos sozinho, divide outros com o vocalista Raphael Franco, e os dois se juntam no refrão.

“Certas Escolhas” fala da saudade de tempos que pareciam mais simples e do peso que o passado pode ganhar com os anos. A letra valoriza as memórias, mas defende não ficar preso a decisões antigas nem se cobrar para sempre por elas. É uma das músicas mais rápidas do EP, seguindo o estilo do skate punk dos anos 1990 e 2000, com guitarras palhetadas, velocidade e melodia.

“Nunca Me Fez Bem” fecha o disco e traz uma das letras mais pessoais. Fala sobre silenciar a própria voz para agradar aos outros e sobre recuperar a própria identidade depois de perceber o preço disso. É rápida e melódica, com guitarras urgentes e um refrão que algumas pessoas já cantavam nos shows antes mesmo do lançamento da música. Para a banda, foi um dos primeiros sinais da conexão da faixa com o público.

Influências

As referências do Basta passam pelo hardcore melódico das décadas de 1990 e 2000, com bandas americanas como Pennywise, NOFX, Face to Face, Bad Religion e Rise Against. No Brasil, as influências incluem Dead Fish, Noção de Nada, CPM 22, Blind Pigs e Garage Fuzz.

São bandas que ajudaram a formar o repertório musical dos integrantes e mostraram diferentes maneiras de combinar velocidade, melodia e letras sobre questões pessoais e sociais. No Basta, essa herança ganha voz em português, com letras ligadas às experiências e inquietações dos próprios músicos. “A ideia é carregar essas referências, mas falar sobre o que somos e vivemos hoje”, diz a banda.

Cena do interior

Os músicos do Basta também ajudaram a criar espaço para a música independente no Triângulo Mineiro.

O baterista Marco Paulo Henriques comanda desde 2011 o Vitrola Ambiente Cultural, em Araguari. Ele criou o Festival Pegando Fogo, que já teve 33 edições e recebeu bandas de todo o país e de outros países, como Terrordome (Polônia) e 13 Bats (Espanha). Também ajudou a criar o Festival Triangulice e editou, por 20 edições, o fanzine Páginas Vazias, publicação independente que chegou a ter edições com mais de 3 mil exemplares distribuídos pelo Brasil.

O baixista Raphael “Sapão” Rabelo criou o Udi Rock, festival que por anos levou bandas de rock pesado a Uberlândia, e ajudou a fundar o coletivo e selo Valvulado.

Formação

Raphael Franco (vocal) faz música independente há mais de 25 anos. Como baixista do Uganga, gravou seis discos de estúdio e um ao vivo, registrado na Alemanha, e fez mais de 25 shows fora do Brasil. No Basta, assume os vocais.

Thiago Soraggi (guitarra) gravou com o Uganga os discos “Caos Carma Conceito” (2010), “Eurocaos” (2010), “Opressor” (2014) e “Servus” (2019), e com o Attero, o disco “Sobrevida” (2020). Tocou em festivais como Goiânia Noise, Abril Pro Rock e Jambolada e hoje trabalha como técnico de guitarra da dupla Victor & Leo.

Marco Paulo Henriques (bateria) tocou nas bandas Zuêra, Dull Kids e Uganga. Suas referências são os bateristas Travis Barker (Blink-182), Byron McMackin (Pennywise) e Leandro Nô (Dead Fish).

Raphael “Sapão” Rabelo (baixo) cresceu ouvindo moda de viola com o pai e hoje tem referências que vão de Tião Carreiro e Pardinho ao samba de Cartola e ao punk de bandas como Satanic Surfers e No Fun At All. Já tocou em Krow, Esquiva e Bad Thinkers e segue em atividade no Attero.

Felipe “Capacete” Santos (guitarra) começou a tocar aos 11 anos, depois de ouvir a guitarra de “Alive”, do Pearl Jam. Passou pelas bandas Multus, Rockem e Rockaos.

Instagram: https://www.instagram.com/bastahc/

Canal no YouTube: https://www.youtube.com/@BastaHC

Clipe oficial de “Inevitável”: https://youtu.be/v4ZMXXliA68

Spotify: https://open.spotify.com/artist/3IGlT9arXNMEgYuAAeuP2a

Apple Music: https://music.apple.com/br/artist/basta/6812057926

YouTube Music: https://music.youtube.com/channel/UCL9g-PCfgqtEcePIzrZHkng

Fonte: Mídia Ninja.

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