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Atos em apoio a Lula reúnem multidões e marcam momento histórico para a Democracia Brasileira

Manifestações em centenas de cidades reúnem diferentes movimentos sociais e mostram a força da mobilização popular na reta final das eleições O post Atos em apoio a Lula reúnem multidões e marcam momento histórico para a democracia brasileira apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Vinicius Francisco

Estudantes, trabalhadores, povos indígenas, movimentos negros e LGBTQIAPN+, cientistas, artistas e até fãs de música pop. Desde o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, o Brasil acompanha uma onda de manifestações em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização tomou grandes avenidas, chegou às periferias e às cidades do interior e atravessou o Atlântico. Mais do que o tamanho das multidões, chama a atenção a participação de tantos grupos, muitos deles com décadas de atuação e reivindicações que vão além da disputa eleitoral.

No domingo (18), a coordenação da campanha de Lula contabilizou atividades em cerca de 500 municípios, segundo a Agência Brasil. A estimativa ainda não foi confirmada de forma independente, mas há registros de manifestações nas cinco regiões do país. Na Avenida Paulista, em São Paulo, a Marcha pela Democracia ocupou aproximadamente 12 quarteirões no dia 11 de outubro. Uma semana depois, milhares de pessoas enfrentaram a chuva durante o Ato Musical pela Democracia, em Copacabana. O público foi estimado em 56,4 mil pessoas às 18h, segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da More in Common.

 

A presença de diferentes setores da sociedade em uma mesma mobilização lembra outros momentos decisivos da história brasileira. Nas Diretas Já, em 1984, estudantes, trabalhadores, sindicatos, artistas e lideranças políticas ocuparam as ruas pelo direito de eleger diretamente o presidente, ainda durante a ditadura militar. Em 1992, os caras-pintadas tiveram papel central nos protestos pelo impeachment de Fernando Collor. Já em junho de 2013, manifestações iniciadas contra o aumento das tarifas de transporte se espalharam pelo país e incorporaram diferentes reivindicações.

Os contextos são distintos, assim como os objetivos de cada movimento. Em outubro de 2026, as manifestações acontecem em meio à disputa pela Presidência e aproximam organizações tradicionais de grupos que se articulam pelas redes sociais. A sucessão dos atos, seu alcance territorial e a diversidade de participantes colocam essa mobilização entre os acontecimentos relevantes da história política recente do país.

Os estudantes estiveram entre os primeiros a sair às ruas após o primeiro turno. Em 5 de outubro, alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) organizaram uma caminhada em Niterói. Nos dias seguintes, novas atividades foram convocadas em universidades de diferentes estados. Até 13 de outubro, a Mídia NINJA havia identificado mais de 40 mobilizações previstas em 14 estados e no Distrito Federal. Sindicatos e movimentos populares também participaram, levando pautas como a defesa da educação pública e o fim da escala de trabalho 6×1.

A mobilização ganhou ainda o apoio de organizações que atuam na defesa de direitos. A Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) se posicionou pela reeleição de Lula, associando a disputa eleitoral ao enfrentamento do racismo e à participação política das mulheres negras. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) convocou lideranças e jovens indígenas, mantendo a cobrança pela demarcação de terras e pela proteção dos territórios.

Entre os movimentos LGBTQIAPN+, representantes de mais de 100 Paradas do Orgulho participaram da articulação Construindo o Brasil do Orgulho, com entidades como ABGLT, Aliança Nacional LGBTI+ e ANTRA. Na saúde, organizações da luta contra o HIV/aids, como a Anaids e a ABIA, declararam apoio ao presidente e cobraram avanços nas políticas de prevenção, tratamento e fortalecimento do SUS.

A comunidade científica também entrou no debate. Uma carta articulada por 13 entidades nacionais, entre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ultrapassou 10,5 mil assinaturas até 20 de outubro. O documento defende a democracia, a educação pública, a liberdade acadêmica e o investimento em pesquisa.

O apoio desses movimentos não significa que suas cobranças ao governo tenham sido deixadas de lado. Demarcação de terras, combate ao racismo, financiamento da ciência e acesso à saúde continuam entre as reivindicações. Além das manifestações presenciais, houve cartas públicas, campanhas digitais e atividades comunitárias.

A classe artística também teve participação expressiva. Caetano Veloso, Djavan e outros músicos estiveram no ato de Copacabana. Em Salvador, Daniela Mercury, Gilberto Gil e integrantes do BaianaSystem participaram da mobilização na orla. No Rio, o samba ocupou os Arcos da Lapa, enquanto Emicida, Karol Conká e Rashid participaram de um encontro na periferia de São Paulo.

Nas redes sociais, comunidades de fãs de Taylor Swift, BTS, Anitta e outros artistas se organizaram sob a hashtag #FandomsComLula. Parte desses grupos também participou dos atos presenciais. Influenciadores como Camila Fremder, Doarda, Ciclopin e Victor Han declararam apoio ao presidente, levando o debate político a públicos ligados ao entretenimento e ao comportamento.

As manifestações chegaram também aos brasileiros que vivem no exterior. Entre 17 e 18 de outubro, foram registrados atos em oito países europeus, incluindo Portugal, Reino Unido, França e Alemanha. Em Lisboa, Alceu Valença participou de uma caminhada acompanhada pelo Maracatu Baque do Tejo. Em Londres, o deputado britânico Jeremy Corbyn discursou diante de manifestantes reunidos na Parliament Square.

A história ainda não permite afirmar que outubro de 2026 tenha registrado as maiores manifestações políticas do Brasil. Faltam levantamentos independentes para essa comparação. O que torna o momento significativo é a capacidade de reunir movimentos com histórias e reivindicações próprias, manter atos por várias semanas e alcançar diferentes regiões do país.

Às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, novas manifestações seguem previstas. O resultado eleitoral ainda está em aberto, mas a mobilização já deixa um registro importante: em um país onde as ruas foram decisivas em diferentes períodos da luta democrática, milhares de brasileiros voltaram a ocupar os espaços públicos para participar da disputa pelos rumos do governo e do país.

Fonte: Mídia Ninja.

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