Astrônomos descobriram uma estrutura inédita de detritos ao redor de uma estrela morta, com sinais de dois corpos planetários que podem ter sobrevivido à destruição de seu sistema. A descoberta oferece pistas sobre o destino da Terra quando o Sol chegar ao fim de sua vida.
Uma equipe de astrônomos identificou uma estrutura incomum ao redor de uma estrela morta que pode ajudar a compreender o que acontecerá com a Terra e os demais planetas do Sistema Solar quando o Sol chegar ao fim de sua vida. A descoberta foi anunciada pelo Observatório Europeu do Sul (ESO) na terça-feira (27).
Utilizando o Very Large Telescope (VLT), instalado no deserto do Atacama, no Chile, os pesquisadores encontraram um disco de detritos com uma característica nunca observada anteriormente em sistemas semelhantes: ele é formado por dois anéis separados por uma lacuna bem definida.
Os cientistas acreditam que essa estrutura seja mantida por dois corpos planetários que sobreviveram à transformação de sua estrela. Um deles pode ter dimensões semelhantes às de Plutão ou até às da Lua.
Os resultados foram publicados na revista científica Nature Astronomy.
Estrela morta apresenta estrutura nunca observada
A estrela analisada, identificada como J1328−1450, é uma anã branca, nome dado ao núcleo extremamente denso que permanece depois que uma estrela semelhante ao Sol esgota seu combustível nuclear e perde suas camadas externas.
Durante esse processo, a estrela se expande, podendo engolir e destruir planetas que estejam próximos.
Parte do material desses mundos destruídos pode permanecer ao redor da anã branca, formando discos de poeira e gás.
No sistema recém-estudado, porém, os astrônomos identificaram uma configuração diferente das observadas até agora.
Em vez de um único disco, os dados revelaram dois anéis concêntricos de gás, com velocidades de rotação distintas e uma separação entre eles.
“Já sabemos há algum tempo que os planetas podem sobreviver à transformação de sua estrela central, mas este é o primeiro exemplo de um sistema complexo com um disco duplo de detritos e, potencialmente, dois planetesimais sobreviventes”, afirmou Nicola Gentile Fusillo, da Universidade de Trieste, na Itália, principal autora do estudo.
Dois corpos planetários podem ter sobrevivido à destruição
Segundo os pesquisadores, a explicação mais provável para a estrutura é a presença de dois corpos planetários em órbitas diferentes.
Esses objetos, conhecidos como planetesimais, seriam remanescentes de um sistema que existia antes de a estrela morrer.
O corpo associado ao anel interno pode ter alguns quilômetros de diâmetro, dimensão semelhante à de um asteroide comum.
Já o objeto relacionado ao anel externo pode ser muito maior, alcançando dimensões comparáveis às de Plutão ou, possivelmente, da Lua.
A presença dos dois corpos ajudaria a explicar como os anéis continuam sendo alimentados por material liberado durante as interações entre os planetesimais e os detritos ao redor da estrela.
A hipótese ainda precisa ser investigada, uma vez que os corpos planetários não foram observados diretamente.
Astrônomos encontram materiais semelhantes aos da Terra
As observações também identificaram a presença de elementos químicos como cálcio, oxigênio, magnésio e ferro.
Esses elementos são comuns em materiais rochosos encontrados no Sistema Solar e indicam que os detritos provavelmente se originaram de antigos corpos planetários.
Outro detalhe chamou a atenção dos cientistas: os dois anéis apresentam composições químicas diferentes.
O anel interno é rico em magnésio, enquanto o externo possui uma quantidade significativamente menor desse elemento.
Essa diferença sugere que os materiais podem ter vindo de dois corpos planetários distintos, formados em condições diferentes.
Outra possibilidade é que os detritos tenham se originado de regiões diferentes de um mesmo objeto, como suas camadas internas e externas.
A descoberta oferece novas informações sobre a composição e a evolução de sistemas planetários depois da morte de suas estrelas.
O que a descoberta revela sobre o futuro da Terra?
O estudo também ajuda os cientistas a investigar o destino do Sistema Solar daqui a bilhões de anos.
O Sol, assim como a estrela J1328−1450, não permanecerá na fase atual para sempre.
Quando esgotar o hidrogênio em seu núcleo, começará a se expandir e se transformará em uma gigante vermelha.
Durante essa fase, Mercúrio e Vênus deverão ser engolidos. A Terra também poderá ser destruída, embora seu destino exato ainda seja objeto de pesquisas.
Posteriormente, o Sol perderá suas camadas externas e se transformará em uma anã branca.
Os planetas mais distantes e outros corpos menores poderão sobreviver à transformação, mas suas órbitas e interações gravitacionais poderão sofrer alterações.
Os detritos de objetos destruídos também poderão formar estruturas ao redor do que restar do Sol, semelhantes às identificadas no novo estudo.
Para os astrônomos, a descoberta demonstra que sistemas planetários podem continuar apresentando estruturas complexas mesmo depois da morte de suas estrelas.
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Fonte: Noticias Minuto.
