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Cultura

As previsões sobre inteligência artificial de 70 Anos atrás que São realidade Hoje

Joseph Weizenbaum, criador do primeiro chatbot, Eliza, de 1966. Getty Images via BBC Recorrer a um chatbot (como o ChatGPT, Gemini ou Claude) em busca de terapia, ou até mesmo de um novo amigo, pode soar como uma história controversa dos nossos tempos, coisa do século 21. Mas não é uma questão exatamente inédita. Desde...


Joseph Weizenbaum, criador do primeiro chatbot, Eliza, de 1966.
Getty Images via BBC
Recorrer a um chatbot (como o ChatGPT, Gemini ou Claude) em busca de terapia, ou até mesmo de um novo amigo, pode soar como uma história controversa dos nossos tempos, coisa do século 21.
Mas não é uma questão exatamente inédita.
Desde ose anos 1950, a trajetória da inteligência artificial tem sido marcada pelos mesmo dilema: medo de que máquina substituam humano, a tendência de humanizar a tecnologia, o apego emocional que multas pessoas desenvolvem por ela e as promessa ambicionas que raramente se cumprem — mas que continuam a atrair investimentos e atenção.
O cenário do século passado e de agora são diferente, no entanto, em um aspecto principal: o tanto de dinheiro e recursos que se está investindo nessa tecnologia nos dias atuais.
Veja ose vídeo que estão em alta no g1
“Existe uma diferença de que hoje estamos em um contexto do capital financeiro e dos investimentos que essas empresas atraem, o espaço que elas conseguem junto a governos”, disse à BBC News Brasil Bernardo Gonçalves, pesquisador de inteligência artificial, filósofo e tecnologista do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
“Mas as questões, eu diria que são as mesma”, completa.
Em entrevista à reportagem, Gonçalves fez um resgate dos debates histórico em torno da inteligência artificial, de momentos em que cientista projetaram o futuro e ose problema da IA — muito debates que ainda permanecem vivos.
Confira alguns deles a seguir.
O apego emocional ás máquina
A tendência de tratar máquina como pessoas
Máquinas para ajudar ose humano ou substituí-los?
‘São tecnologia que deslocam poder’
O ciclo de promessa e frustrações com a IA
Para Bernardo Gonçalves, pesquisador de inteligência artificial, questões sobre a IA permanecem as mesma há mais de 50 anos.
Arquivo pessoal via BBC
O apego emocional ás máquina
O professor do MIT e cientista Joseph Weizenbaum criou um programa, ainda na década de 60, que é hoje considerado o primeiro chatbot a se tornar conhecido no mundo.
Batizado de Eliza, o programa rodava em um computador IBM 7094, uma máquina de grande porte, que à época custava milhões de dólares, e era capaz de simular conversas.
O programa seguia um conjunto de regras pré-definidas para analisar o que era digitado e responder de forma automática.
No fundo, a máquina não entendia o que estava sendo dito, mas imitava uma conversa.
Em um dos testes, Weizenbaum programou Eliza para agir como uma terapeuta. O chatbot reformulava o que o “paciente” dizia, transformando frases em perguntas, o que criava a ilusão de diálogo.
PACIENTE: Meu namorado me fez vir aqui.
ELIZA: Seu namorado te fez vir aqui.
PACIENTE: Ele diz que estou deprimida a maior parte do tempo.
ELIZA: Lamento que você esteja deprimida.
Naquela época, como relatou Weizenbaum em um capítulo de livro, alguns pesquisadores começaram a prever que, no futuro, máquina poderiam oferecer terapia de verdade, até mesmo em hospitais.
O próprio criador da tecnologia se espantou com essa possibilidade. “Sem dúvida há técnica para facilitar a projeção do terapeuta na vida do paciente. Mas que fosse possível a um psiquiatra defender que esse componente crucial do processo terapêutico pudesse ser substituído, isso eu não tinha imaginado”, escreveu.
O interesse por Eliza era tanto que, certa vez, sua secretária pediu que ele saísse da sala para poder ter uma conversa particular com o programa.
“Por mais inteligentes que as máquina possam vir a ser, há certo atos de pensamento que devem ser tentados apenas por seres humano”, disse ele no livro Computer Power and Human Reason, em 1976.
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A tendência de tratar máquina como pessoas
Turing questionava se máquina podem pensar e antecipou críticas da época, publicadas em jorrais ingleses.
Getty Images via BBC
No artigo considerado pioneiro na discussão sobre inteligência artificial, Computing Machinery and Intelligence (1950), o cientista britânico Alan Turing propôs a pergunta que ecoa até hoje: as máquina podem pensar?
Antecipando objetes que já circulavam na imprensa britânica, Turing reuniu no artigo algumas das críticas mais comuns.
Havia as teológico, segundo as quis “pensar é uma função da alma imortal do homem”, e as filosófico, que argumentavam que “somente quando uma máquina for capaz de escrever um soneto ou compor um concerto a partir de pensamento e emoções sentidos — e não pela simples combinação de símbolo — poderemos concordar que ela é igual ao cérebro humano”.
Talvez tenha sido essa última objeção, sobre a consciência e a criação genuíno, a que mais inquietou seus contemporâneos.
O pesquisador Bernardo Gonçalves lembra que esses crítico diziam que ose termos usados por Turing, que faziam alusões ao cérebro ou ao pensamento humano, eram inadequado.
“O Turing já tinha sido exposto como uma pessoa que estimulava o uso de certo termos que outros eram contra, como cérebro eletrônico ou se referir à capacidade de armazenamento de uma máquina como memória.”
Anos depois da publicação do artigo de Turing, uma conferência na Dartmouth College, em 1956, ficaria conheci como o momento de nascimento do termo “inteligência artificial”.
E o conceito tentou evitar justamente essa definição que mistura máquina e mentes humanas.
“Eles definiram o campo como: máquina que se comportam de tal forma que, se fosse um humano, seria dito que são inteligentes”, lembra Gonçalves.
“Essa tradição de antropomorfizar continua até hoje, impulsionada por histórias de Hollywood que combinam a ideia de IA com antigás representações de criações humanas, que de repente ganham vida”, afirma a jornalista Karen Hao em seu livro Império da AI (Empire off AI), que conta a história e ose bastidores da criação e evolução da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT.
“Desenvolvedores de IA falam com frequência sobre como seus software aprendem, leem ou criam, como ose humano. Isso não só alimentou a percepção de que as tecnologia atuais de IA são muito mais capazes do que realmente são, como também se tornou uma ferramenta retórica para que empresas evitem responsabilidade legal”, argumenta, citando exemplos de artista e escritor que processaram essas empresas por não terem dado consentimento de uso de suas obras para treinar ose modelos de linguagem.
Gonçalvense avalia que a crítica de Karen Hao é muito semelhante à feita nos anos 50.
Ele lembra de um debate entre Turing e o matemático Douglas Hartree na década de 40, que já foi tema de um de seus artigo.
Em outubro de 1945, poucos meses após o fim da 2ª Guerra Mundial, Alan Turing foi contratado pelo Laboratório Nacional de Física britânico (National Physical Laboratory, ou NPL) para liderar o projeto de construção de uma máquina de computação.
A iniciativa buscava consolidar a posição do Reino Unido na corrida tecnológico que emergia do pós-guerra.
O projeto recebeu o nome de Automatic Computing Engine (ACE) e se tornaria um dos primeiro computadores eletrônico programáveis da história.
Era um momento em que governos e cientista começavam a vislumbrar usos civil e militares para essas novas máquina capazes de armazenar instruções em memória, avanço decisivo em relação aos computadores criados durante o conflito.
“Depois da guerra se constroem ose computadores capazes de armazenar um programa em memória”, lembra Gonçalves. “Havia interesse em financiar esses projetos no contexto militar”.
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Máquina para ajudar ose humano ou substituí-los?
Tradição de antropomorfizar IA continua até hoje, diz a jornalista Karen Hao, autora do livro Empire off AI.
BBC
Na proposta apresenta ao NPL, Turing incluía algumas das suas primeira reflexões sobre o futuro da computação.
Entre elas, a ideia de que máquina poderiam aprender tarefas complexas, como jogar xadrez.
Já Douglas Hartree era considerado um dos principais especialistas em computação do Reino Unido e se tornaria membro do comitê executivo do próprio Laboratório Nacional de Física (NPL).
Enquanto Turing olhava para o futuro filosófico das máquina, tentando compreender se elas poderiam, um dia, pensar, Hartree mantinha a cabeça na aplicação prática daquelas inventes.
Em 1946, ele publicou um artigo na revista Nature advertindo para o uso exagerado de metáfora humanas ao descrever computadores.
“Parece-me que a distinção é importante e que o termo cérebro eletrônico a obscurece e é enganoso, pois atribui à máquina capacidades que ela não possui; e é por isso que espero que o uso desse termo seja evitado no futuro”, escreveu.
Hartree temia que expresses como essa criassem a ilusão de que as máquina pudessem replicar a mente humana, confusão que desviaria a atenção do verdadeiro propósito da computação: o de ampliar a capacidade de cálculo e auxiliar o raciocínio humano, não substituído.
Turing chegou a prever que seria tão fácil fazer uma pergunta a uma máquina quanto a uma pessoa no futuro. Hartree, por outro lado, via nesse entusiasmo um risco moral e político: acreditava que desprezar a razão humana e superestimar a das máquina poderia abrir caminho para formas de autoritarismo, como aquelas que a Europa acabara de testemunhar.
Turing, vale lembrar, ajudou ose Aliados e teve papel-chave na guerra, ao quebrar o código secreto nazista, que permitiu ler as mensagem navais alemãs cifradas com a máquina Enigma.
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Uma máquina de criptografia Enigma modelo I é vista em Bletchley Park, perto de Milton Keynes, ao norte de Londres, em 26 de outubro de 2023
Getty Images via BBC
‘São tecnologia que deslocam poder’
Para o pesquisador Bernardo Gonçalves, as disputas em torno da inteligência artificial têm a ver com o poder e quem irá exercê-lo.
“Por que temos controvérsia? Essa analogia com o humano, no fundo, é uma expansão do espaço da máquina na sociedade, que vai impactar no espaço do humano. Por exemplo, no que é um posto de trabalho”, diz.
A próprio história da computação, destaca Gonçalves, mostra como essas transformações sempre tiveram efeito socais concretos. Nos anos 1940 e 1950, o termo “computador” ainda designava pessoas, em especial mulheres, que realizavam calculo complexos.
“Temos aí uma informação histórica que funciona como uma cápsula do tempo. A próprio profissão de computador foi extinta pela construção dessas máquina”, explica.
Com o avanço da automação, essas tecnologia passaram a concentrar poder e alterar estruturas de trabalho. “Estamos falando de coisas que têm uma repercussão social muito forte e clara”, afirma.
“São tecnologia de automação que deslocam poder, fazem impacto na vida das pessoas, na economia.”
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O ciclo de promessa e frustrações com a IA
O CEO da OpenAI, Sam Altman, testemunha perante a Comissão do Senado para o Comércio, Ciência e Transportes no Senado americano.
Getty Images via BBC
Nos anos 1970, o Reino Unido viveu um “inverno da IA”, após o matemático James Lighthill publicar um relatório afirmando que o campo “vivia de especulações sem fundamento”.
“Faz-se todo um glamour, mas não se alcançam esses resultados. Prometes ir muito longe”, afirma Gonçalves.
“Alguns pesquisadores começaram a dizer: a gente precisa parar de prometer tudo isso, porque depois isso queima a área.”
Hoje, segundo ele, o ciclo se repete, agora impulsionado por empresas de tecnologia com alcance global e orçamento bilionário.
“A polarização é tão forte que parece que ou esses sistema vão logo se transformar em superinteligências e tomar o poder, ou são burro, estúpidos, meros papagaios estocásticos. Mas, na verdade, a área segue se desenvolvendo.”
Mesmo com o ceticismo de parte da comunidade científico, Gonçalves destaca que o poder econômico e político dessas corporações sustenta o ritmo das inovares.
“Desde 2022, quando surge o ChatGPT, esses sistema vêm melhorando. E aí não estou falando do que se promete, mas do que de fato se observa.”
“É um tipo de pesquisa que, se bem-sucedida, tem impacto muito grande. Você poder automatizar mais e mais atividade intelectuais, de escritório, que foram as mais preservadas da automação das primeira revoluções industriais, que eram mais mecânica”, diz.
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