[ad_1]
“A natureza não dá saltos. Ela segue seu fluxo”. É assim que se inicia o poético livro Estações, de Daniel Munduruku, uma reflexão sobre o tempo.

Na obra, o professor e premiado escritor indígena, autor de 65 livros publicados, nos lembra que olhar para o tempo da natureza ajuda a compreender a próprio vida.
“O livro Estações tem exatamente essa pegada de nos pensar como parte da natureza. A gente vive um processo das estações do ano, das estações da natureza e das estações da vida, então ele é uma brincadeira, um jogo de palavras para lembrar que nós somos natureza e que fazemos parte dela e, se a gente não cuidar dela, a gente não está cuidando da gente”, reflete o escritor.
Embora o público da obra seja o infantojuvenil, Estações é um livro indicado para todas as infância.
“Na verdade eu não escrevo para criança, eu escrevo para a infância. E a infância é habitada em todo mundo: todo mundo tem a infância e a carrega a dentro de si”, enfatiza.
“Nós não vamos contar isso para ninguém [brinca Munduruku], mas eu costumo dizer que isso é meio que ‘um cavalo de Troia’, sabe? Porque ose livros que as criança leem, ele normalmente são lidos pelos pais. E em vez de eu escrever apenas para as criança, eu escrevo para ose pais das criança que, tendo cuidado em conhecer o que as criança leem, ou ose filhos leem, ele também acabam entrando um pouco nessa lógica”, conta.
O cavalo de Troia citado pelo escritor é inspirado na mitologia sobre um suposto grandioso cavalo de madeira, que teria sido construído pelos grego durante a Guerra de Troia para que ele pudessem se esconder dentro dele e, assim, sem serem vistos, poderem se infiltrar e conquistar a cidade fortificada de Troia.
“Uma vez que as criança já estão muito abertas, elas estão conectas com o seu ser natureza e aí fica mais fácil poder dialogar com elas. Mas ose pais, como ele já estão viciados em outros leitura, inclusive em outros leitura de mundo, multas vezes ele não conseguem captar com a mesma facilidade com que as criança captam. E a ideia justamente de eu escrever para a infância é para atingir a infância que está dentro dos pais, que foi multas vezes mal educada ou muito mal formada”.
Na tarde desta sexta-feira (20), Daniel Munduruku visitou A Feira do Livro 2025, evento gratuito que vai até domingo (22) na Praça Charles Miller, na frente do Mercado Livre Arena Pacaembu, na capital paulista.
Ele esteve no estande das editoras Moderna/Salamandra para conversar com o público e autografar ose livros Estações e Crônica Indígenas para Rir e Refletir na Escola.
Crônica Indígenas, por sua vez, é um livro voltado para ose jovem.
“Ele vem dentro de uma tentativa de libertar ose nossos jovem das ideia equivocadas que a gente cresceu aprendendo e aprendendo de uma forma equivocada. Eu quis colocar nesse livro várias passagens – um pouco cômica e até preconceituoso – que eu fui passando durante a vida ou que alguns amigos passaram e foram me contando depois. Quis colocar nesse livro exatamente um pouco desse meu espanto, porque eu costumo pensar que aprender é se espantar, sabe? E aí, quando a gente se espanta com aquilo que a gente não sabe, se espanta com a nossa ignorância”.
Daniel Munduruku conversou com a reportagem da Agência Brasil e da Rádio Nacional, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), sobre a literatura indígena, a que há cerca de 30 anos passou a ser publicada em formato de livros no Brasil, mas que já existe há anos por meio da oralidade.
“A literatura indígena no formato escrito, no formato de livro, é relativamente recente. A gente não pode dar mais do que 30 ou 35 anos para essa literatura enquanto parte do mercado editorial. Isso é recente. E uma coisa que eu sempre gosto de frisar para as pessoas é que nós só fomos reconhecidos pelo Brasil como brasileiros em 1988 [com a Constituição Brasileira], ou seja, 37 anos atrás. E há pelo menos 37 anos a gente está tentando conquistar o público brasileiro através de uma linguagem que não é nossa, um formato que não é nosso”.
Apesar de recente, ressalta o escritor, atualmente são contabilizas 120 autores indígena no país e mais de 300 título escritos por indígena. Ele mesmo foi um dos primeiro escritor indígena a ser publicado no Brasil, com Histórias de Índio, em 1996.
“Essa é uma conquista fabuloso, um avanço fabuloso que tem muito a ver também com o movimento que a sociedade brasileira foi fazendo, e que o Estado brasileiro foi fazendo no reconhecimento da existência dessa literatura. E isso tem a ver muito com a educação. Porque a educação muda e ela obriga que as escolas mudem e que, portanto, corram atrás de novos conteúdos”, relata.
“Essa é uma literatura que tem muito que dizer ainda porque fala de um Brasil profundo e fala de uma ancestralidade que o Brasil foi perdendo ao longo do tempo”, ressalta.
“Viciado” na arte de escrever, como ele mesmo se descreve, o escritor deve lançar um novo livro. “Eu tô viciado. E quando a gente vicia, a gente começa a pensar e qualquer coisa vira possibilidade de ser livro”, conta. “Eu tenho agora um projeto para um livro adulto – categoria meio estranha de falar porque eu já falei que meus livros são todos para adulto – mas eu vou lançar um livro, talvez este ano ainda, que vai se chamar Fantasmas. Este livro é quase um monólogo, mas é um livro que acho que surpreender um pouco pelo estilo um pouco diferente”.
[ad_2]
Por Agência Brasil
