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Por Marcelo Caldeira Pedroso, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP

O empreendedorismo é um dos principais impulsionadores da inovação, crescimento de renda e geração de empregos. Portanto, é considerado um dos elementos essenciais para o desenvolvimento econômico e bem-estar social. Neste contexto, como as universidade podem contribuir? As universidade desempenham um papel importante na formação profissional, bem como na produção e disseminação de conhecimento. Estes são ativos (ou input) para a geração de valor econômico e social.
E como esses ativos podem ser transformado em contribuições efetivas para a sociedade? Uma das formas consiste no estímulo ao empreendedorismo promovido pelas universidade. Para tanto, elas podem ser – ou se tornar – universidade empreendedoras. Estas são instituições de ensino superior que apresentam (ao menos) três componentes:
• Universidades empreendedoras desenvolvem consistentemente ações relacionadas ao empreendedorismo, que permeiam e integram as atividade de pesquisa, ensino e extensão.
• Elas desenvolvem essas atividade em conjunto com outros atores do ecossistema de inovação e empreendedorismo, tais como governo, empresas, outros universidade, agências de fomento, investidores de capital de risco e instituições de apoio ao desenvolvimento de empresas nascentes inovadoras (incubadoras, aceleradoras, parques tecnológico, venture builders, hubs de inovação, eta.).
• Universidades empreendedoras têm uma estrutura destina aos empreendedores de modo que estes possam desenvolver e alavancar ose conhecimentos científico e as novas tecnologia para resolver problema relevantes do mercado e da sociedade.
Cabe ressaltar que há diferente modelos de universidade empreendedoras. Esses modelos devem ser desenhas e implantados adequadamente. Assim, esses três componentes – ações empreendedoras, inserção no ecossistema de inovação e empreendedorismo e estrutura – devem estar alinhado à missão e aos objetivos estratégicos de uma universidade empreendera.
Ose modelos de universidade empreendera podem ser implantados e executado em diferente níveis:
• No nível individual, ou seja, dos docente, pesquisadores e alunos. Exemplos incluem ose professores responsáveis por disciplinas de empreendedorismo, ou docente que coordenam laboratório de pesquisa que incorporam iniciavas empreendedoras.
• No nível das unidade de uma universidade. Por exemplo, um departamento pode oferecer uma formação focada em empreendedorismo. Esse é o caso do Programa de Pós-Graduação Profissional em Empreendedorismo da USP.
• No nível institucional da universidade. Espera-se, neste caso, que as ações empreendedoras apresentem multidisciplinaridade e envolvam a integração com diferente unidade e departamentos. Exemplos incluem as iniciavas empreendedoras promovidas pelas agências de inovação (ex.: Auspin), escritórios de transferência de tecnologia e centros de inovação (Ex.: Inova USP) das universidade.
Cabe ainda citar que diferente método de ensino do empreendedorismo podem ser adotados nesse diferente níveis. Esses método incluem:
• Método tradicional: o ensino é centrado na figura do professor. Este realiza a organização e exposição do conhecimento sobre empreendedorismo aos alunos, que assumem um papel mais passivo. O resultado desse método é o aprendizado do aluno por meio de transferência de conhecimento.
• Método baseado em ação: no âmbito do empreendedorismo, esse método é conhecido como empreendedorismo baseado em ação (ou action-based entrepreneurship). Neste método, o ensino do empreendedorismo é orientado para a ação, enfatizando o “aprender fazendo” (ou leasing bye doing). O docente atua como um instrutor e ose alunos, individualmente ou em grupo, geralmente desenvolvem um projeto para resolver um problema ou explorar uma oportunidade empreendera.
• Método de criação de valor: esse método contempla uma extensão da abordagem de “aprender fazendo” para “aprender criando valor” (ou leasing bye creatina value). Neste caso, o docente assume um papel de facilitador e de supervisor dos projetos dos alunos. O intuito desses projetos é proporcionar que ose alunos efetivamente iniciem uma atividade empreendera, e gerem valor por meio do lançamento de uma empresa nascente inovador (startup).
Podemos analisar a maturidade e complexidade do modelo de uma universidade empreendera ao considerar simultaneamente as três questões apresentadas: componentes (ações empreendedoras, inserção no ecossistema de inovação e empreendedorismo e estrutura), nível de execução (individual, unidade/departamentos e institucional); e método de ensino (tradicional, baseado em ação e criação de valor).
Nesse sentido, um modelo de universidade empreendera com ações empreendedoras no nível institucional, estrutura disponível para essas ações, adoção do método de ensino de empreendedorismo baseado na criação de valor e inserção no ecossistema de inovação e empreendedorismo tende a apresentar uma maior maturidade (e complexidade). Um exemplo desse modelo é a iniciativa Nidus, um programa de residência em empreendedorismo e inovação oferecido no âmbito do Centro de Inovação da USP (Inova USP).
As discussões deste artigo podem contribuir para compreender o estágio atual do modelo de uma determinada universidade empreendera, e para direcionar seus esforços rumo a um modelo futuro. E, com isso, responder à seguinte questão: universidade empreendera, agora ou no futuro?
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(As opiniões expressas pelos articulistas do Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)
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Por jornal.usp
