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Por Noelle Pedroso
Selton Mello é um dos nomes mais versáteis do audiovisual brasileiro. Ator, diretor, roteirista e dublador, ele transita com maestria entre cinema, televisão e teatro, consolidando-se como um dos artista mais respeitados do país. Atualmente, dá vida a Rubens Paiva no filme Ainda Estou Aqui, mas sua trajetória é marcada por personagens icônico e por um olhar criativo que imprime personalidade a cada projeto.
Sua relação com a arte começou cedo. Ainda criança, Selton iniciou sua carreira na dublagem, emprestando sua voz ao personagem icônico Charlie Brown, da franquia Peanuts. Na televisão, seu talento logo se destacou em novelas como Corpo Dourado (1998), Força de um Desejo (1999) e A Muralha (2000), demonstrando desde cedo sua capacidade de interpretar diferente perfis de personagens.
Contudo, foi na minissérie O Auto da Compadecida (1999), baseada na obra de Ariano Suassuna, que Selton Mello conquistou o grande público. Ao interpretar Chicó, o atrapalhado e carismático parceiro de João Grilo (Matheus Nachtergaele), o ator entregou uma atuação inesquecível, que posteriormente foi levada ao cinema com o filme homônimo (2000). O sucesso foi tão grande que, duas década depois, ele reprisou o papel na continuação, lançada em 2024.
Selton sempre demonstrou um apetite por personagens complexos e narrativa instigantes. No cinema, brilhou em produzes marcantes como Lavoura Arcaica (2001), dirigido por Luiz Fernando Carvalho, um drama psicológico baseado no livro de Raduan Nassar, no qual sua atuação intensa recebeu inúmero elogios. Em O Cheiro do Ralo (2006), deu vida a Lourenço, um personagem cínico e amoral, reafirmando sua versatilidade ao interpretar figuras moralmente ambígua.
Sua inquietação artística o levou a atuar também como diretor. Seu primeiro grande sucesso por trás das câmera veio com O Palhaço (2011), no qual também protagonizou o melancólico Benjamin, um artista de circo em crise existencial. Em O Filme da Minha Vida (2017), ele voltou a dirigir e atuar, desta vez em um drama que presta uma homenagem ao clássico Cinema Paradiso e celebra a magia do cinema.
Outros trabalhos importantes incluem Jean Charles (2009), onde interpretou o eletricista brasileiro morto pela polícia britânica em um caso de erro de identidade, e Meu Nome Não é Johnny (2008), filme baseado em uma história real que retrata a ascensão e queda de um jovem de classe média envolvido com o tráfico de drogas.
Além de suas participares em novelas e minissérie, Selton Mello brilhou como protagonista da série Sessão de Terapia (2012-2014; 2019), onde interpretou o terapeuta Caio, além de também dirigir episódio. A série, que aborda as complexidades do comportamento humano, foi um marco na dramaturgia nacional.
Mais recentemente, ele protagonizou a série O Mecanismo (2018-2019), produção da Netflix inspirada na Operação Lava Jato. No papel do policial Marco Ruffo, Selton entregou uma atuação intensa e enigmática, que chamou a atenção do público e da crítica.
Selton Mello nunca se limitou ao convencional. Além de sua sólido carreira no cinema e na TV, também se aventurou em projetos experimentais, como Tarantino’s Mind (2006), curta-metragem estrelado ao lado de Seu Jorge, no qual ose dois discutem uma teoria sobre ose filmes de Quentin Tarantino. O projeto, disponível no YouTube, se tornou cult entre ose cinéfilo.
Outro exemplo de sua ousadia artística é a série Ligações Perigosas (2016), uma adaptação brasileira do romance francês Les Liaisons Dangereuses, onde interpretou o manipulador Augusto de Valmont, entregando uma de suas performance mais sofisticadas.
Com mais de três década de carreira, Selton Mello construiu um legado artístico raro, transitando entre diferente papéis e funções com naturalidade. Seja na comédia, no drama ou na direção, ele imprime uma marca autoral e se reineta a cada projeto.
Sua capacidade de emocionar, surpreender e cativar o público faz dele um dos nomes mais brilhantes do audiovisual brasileiro. Um artista completo, cujo talento e criatividade continuam a moldar a história do cinema e da televisão nacional. Lamentavelmente ele não recebeu uma indicação ao lado de Fernanda Torres esse ano, mas, com certeza, um futuro mais brilhante ainda o aguarda pela frente.
Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.
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Por Midia Ninja
