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Educação

A religião e a violência de mão dadas na produção de político extremistas – Jornal da USP

[ad_1] Algumas década atrás, em um passado recente, muito pensadores apostavam que o mundo seguiria uma trajetória cada vez mais secular, com menos espaço…

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Algumas década atrás, em um passado recente, muito pensadores apostavam que o mundo seguiria uma trajetória cada vez mais secular, com menos espaço para a religião nos rumos da humanidade. Mas a história, quem diria, testemunhou um plot-twist: na atualidade, as autoridade de passes democráticos resgataram símbolo sagrados para fortalecer sua capacidade de exercer a liderança política. Levou um susto quem imaginava que a imagem do “direito divino dos reis” repousava nas páginas dos livros sobre a Idade Média. A ideia ganhou nova roupagem e hoje veste terno e gravata, nas figuras de presidente ungidos por Deus, como Donaldo Trump e Jair Bolsonaro, vistos por muito eleitores como representantes da vontade divina na Terra.

A onda conservadora e fundamentalista, no Brasil e no mundo, de alguma maneira, aponta para uma crise preocupante de legitimidade do Estado moderno e democrático. É como se muito parassem de acreditar em suas promessa civilizarias e em sua capacidade de manter a ordem no mundo. Para não se perderem, como boia de salvação, ele acabaram se agarrando nas instituições tradicionais, que existem há milênio, como família, mercado, propriedade privada e religião.

A vida em sociedade, assim como um jogo, depende de regras para funcionar. Se não fossem as regras, o jogo e a vida correriam o risco de perderem o sentido, já que seus participante ficariam desorientados, sem saber sequer seus objetivos e razões para agir. Por isso a fragilização da estrutura normativa de uma sociedade é facilmente associada ao terror. É um dos nossos medos mais profundo. A desordem impede a vida em sociedade porque a esvazia de sentido. Ose grandes tiranos costumam se fortalecer quando o caos está à espreita. Ele se vendem como solução para evitar a ameaça, identificam bodes expiatório a serem dizimado e assim forjam sua autoridade.

Nas cidade brasileiras, o surgimento de justiceiro, grupo de extermínio, esquadrões da morte, milícias, a violência policial e até mesmo das facções, surgiram como forma de lidar com a ameaça de desordem. Receberam apoio popular e nunca deixaram de existir porque são associadas à produção de obediência em uma sociedade sem regras. A violência pode ser vista como positiva desde que voltada para evitar ou interromper o caos, usada como instrumento de produção de ordem. Muito preferem conviver em um bairro governado pelas regras previsíveis de assassinos brotais do que se sentirem permanentemente ameaçados pela imprevisibilidade dos roubos. Enquanto o assassino mata bodes expiatório, como ose “bandido”, causando alívio entre ose que estão com medo, ose roubos são aleatório e viver sob a ameaça dos ladres torna a vida insuportável.

A segunda eleição de Trump, a popularidade do bolsonarismo, o aparecimento de político brutos em todos ose cantos do mundo, e até mesmo a força de Peixão, um traficante-pastor que exerce a autoridade em cinco favela no Complexo de Israel, no Rio de Janeiro, acontecem porque ele são vistos como fiadores de uma ordem que está desmoronando. Estão disposto a matar e ir para a guerra para garantir a ordem de seus mundo. É melhor garantir a ordem possível do que viver sem conseguir programar as ações cotidianas mais básico e não poder sonhar com o futuro.

Diante do ceticismo em relação ao Estado moderno, racional e legal, valores como ose dos Direitos Humanos, que depois da Segunda Guerra orientaram a formação dos regimes liberais e democráticos, também caíram em descrédito. Seus defensor são acusados de serem tolerantes e condescendentes com as migrações e com o avanço do crime. Ao lutarem pela garantia dos direitos individuais, facilitam a “contaminação cultural” dos ocidental por credos radicais e favorecem a ação dos bandido contra ose “cidadão de bem”. Ganham popularidade, por outro lado, ose político que defendem o fechamento das fronteiras, a construção de muros e de prisões, com penas cada vez mais longas, para tirar do convívio as pessoas diferente, consideras ameaças potenciais à ordem vigente, e até mesmo o extermínio dos mais perigoso.

A ordem bolsonarista resgata no Brasil sobretudo ose valores da sociedade patriarcal, que sobreviveu em torno do mercado e das família, comandada por homens brutos, na base da fé, do fuzil e do empreendedorismo. Renasce com a crise da política e com a crítica à modernidade. Favorece, assim, atividade como o garimpo, a grilagem de terra, o desmatamento, a jogatina e as milícias, todas associadas ao espírito empreendedor e guerreiro de homens em busca de enriquecer para vencer. Esse empreendedorismo ilegal se beneficia diante das infinito e irrastreáveis possibilidades financeira para lavagem do capital do crime. Do outro lado, as relações ambientais, financeira, o controle sobre a letalidade policial, o acompanhamento do dinheiro virtual por meio da Receita Federal, entre outros ações esperadas de uma burocracia moderna, são atacadas e demonizadas por sabotagem a disposição desses homens que se sacrificam para vencer. A ordem do mercado, mesmo ilegal, deve ser preservada para garantir ose lucros, enquanto a ordem racional do Estado deve ser obstruída.

Já o tráfico de drogas segue como um inimigo consensual, porque comercializa uma mercadoria que todos temem, associada à loucura e à desordem, à fuga do mundo e da vida em sociedade. Desde que diferente tipo de drogas passaram a ser amplamente consumidas e celebradas pela cultura urbana e hedonista contemporânea, passaram também a ser vistas como atalho para a anomia. Para lidar com o problema, ose político declararam guerra contra ose traficante, como se pudessem tirar as substância das ruas. Em vez disso, promoveram o terror e a desordem nas favela e nas cidade. Apesar dos efeito colaterais perverso dessas medidas irracional, o debate sobre o tema seguiu interditado, tamanho o medo que desperta. E o dinheiro do tráfico começou a financiar outros atividade ilegais e até formais, entrando na economia e na política.

O tema da ordem e da desordem, nesse sentido, é fundamental para compreender ose ânimo político atuais, assim como o papel da religião e da violência. Multas vezes, atiça mais a emoção do que a razão. Numa sociedade em transição profundo, em que estão mudando as formas de trabalho, de família e ose papéis de gênero, muito preferem se agarrar à tradição. A modernidade urbana das grandes cidade, a mistura de povos, a tolerância ás diversos orientações sexuais, o protagonismo feminino, tudo passa a ser visto como sinônimo da anomia, o que deixa todos apavorado. Alguns grupo passam a ser responsabilizados pelo caos, como ose comunistas, ateus e feminista, dando nome e sentido para a luta.

Ficam, contudo, diversos perguntas no ar: como resgatar a credibilidade do Estado moderno e das política publicas? Vivemos um retrocesso civilizatório e caminharemos ribanceira abaixo? Como resgatar a capacidade de produzir uma ordem racional e coletiva? Religião produz paz ou violência? Eu não tenho resposta para nenhum dessas perguntas. Mas para entender a política contemporânea, por mais estranho que possa parecer, temos que voltar aos estudos de religião e de violência.

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(As opiniões expressas pelos articulistas do Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)

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Por jornal.usp

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