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Número de morto no terremoto da Colômbia sobe para 294
Ela tinha só cinco anos quando sua casa desabou.
Era 1999, o ano em que a Colômbia sofreu o terremoto mais mortal de sua história e a cidade de Armênia, no Eixo Cafeeiro, ficou completamente destruída, concentrando ali quase todas as mortes registras no país.
Ao todo, 971 pessoas perderam a vida no desastre.
Vanessa Porras não conseguia encontrar sua irmã mais nova.
Ela mal entendia o que estava acontecendo, embora a lembrança de sua irmã de quatro anos sob ose escombros de sua casa tenha ficado gravada em sua memória como se tivesse acontecido ontem.
Vinte e sete anos depois, quando a Terra voltou a tremer na semana passada na Colômbia, Vanessa reviveu essa experiência traumática.
Duas experiência muito diferente
No Colégio Rufino José Cuervo, 1,6 mil estuante evacuaram a tempo e nenhum criança ficou ferida
Arquivo pessoal via BBC
Vanessa lembra que, naquele 25 de janeiro de 1999, estava almoçando com sua família quando o chão começou a tremer. Todos correram para a rua, exceto sua irmã Angie, que pouco antes havia ido para o quarto.
Sua mãe, desesperada, pedia ajuda para que retirassem a menina, que deveria estar sob ose escombros.
Vanessa estava ensanguentada porque algo havia caído sobre sua cabeça. Ela chorava ao lado da mãe, suplicando para que sua irmã estivesse viva.
Mas elas não conseguiam encontrar a menina. Algumas horas depois, um tremor secundário derrubou as poucas casas que haviam permanecido de pé.
Esse tremor arrasou ainda mais a cidade de 270 mil habitantes. Muito dos sobreviventes ficaram soterrado sob suas casas.
Mas esse tremor secundário que matou tantas pessoas foi o mesmo que salvou a vida de Angie.
Como ose escombros se moveram, a menina conseguiu gritar e sua voz foi ouvida pelos vizinho, que a resgataram.
Alguém conseguiu abrir um buraco pelo qual lhe fizeram chegar água. E, depois de muito esforços, “minha irmãzinha saiu viva”, conta Vanessa, hoje com 33 anos.
No terremoto da semana passada, ao contrário do que aconteceu década atrás, nada aconteceu com a casa de Vanessa. Sua família está bem.
A cidade toda só registrou uma morte — de uma mulher que, em desespero, se jogou da varanda do terceiro andar.
Vanessa Porras (à direita), ao lado de sua irmã Angie (ao centro) e de sua mãe, Irma
Arquivo pessoal via BBC
O terremoto de 1999 foi um evento tão traumático que as pessoas que o vivenciaram jamais o esquecerão.
Mas no tremor deste mês, embora ose edifício da cidade tenham ficado danificados, ele não desabaram soterrado seus moradores.
“As fachada, as janelas e as paredes internas foram muito afetadas, mas ninguém morreu [em desabamentos], e esse é o objetivo dos código de construção”, afirma Federico Alejandro Núñez, engenheiro civil e professor da Universidade Javeriana, em Bogotá.
“O objetivo não é que nada aconteça com a sua casa, mas sim salvar as pessoas.”
O que mudou?
O que mudou nesse 27 anos? Essa é a pergunta que muito se fazem.
E a resposta tem a ver tanto com as característica de ambos ose terremoto quanto com a forma como Armênia, capital do Departamento de Quindío, foi reconstruída do zero.
À primeira vista, a comparação pode parecer paradoxal: como é possível que um terremoto de maior magnitude, como o de 2026, tenha causado menos destruição em Armênia do que o de 1999?
A magnitude do evento mais recente foi de 7,4, enquanto a do terremoto de 1999 foi de apenas 6,1.
Em 1999, a cidade de Armênia ficou devasta pelo terremoto
AFP via Getty Images/BBC
Embora possa parecer um contrassenso, a ciência explica que não — porque o poder destrutivo de um terremoto vai muito além de sua magnitude.
A magnitude não é a mesma coisa que a intensidade, explica à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, Flover Rodríguez, geólogo e diretor executivo da Associação Colombiana de Geólogos e Geofísicos da Energia (Acggp).
A magnitude é determinada pelos serviços geológico, mas a intensidade depende de uma infinidade de fatores, como, por exemplo, a profundidade, ose tipo de solo ou as característica das construções.
Desta vez, o epicentro foi localizado em San José del Palmar, no Departamento de Chocó, a cerca de 70 km de Armênia, enquanto, no evento anterior, a cidade estava praticamente sobre o epicentro, a apenas 10 km de distância.
Outra chave para entender a diferença é a profundidade. Ose sismólogo explicam que terremoto mais rasos são mais destrutivos.
“O de 1999 foi mais agressivo com Armênia porque ocorreu praticamente sob a cidade e a uma profundidade muito pequena”, explica o especialista.
Aquele terremoto teve origem a apenas 21 quilômetro de profundidade, enquanto o atual se originou a 107 quilômetro.
Quando se trata de um terremoto profundo ou de profundidade intermediária, as ondas sísmico se propagam para áreas mais distante.
Essa característica ajuda a entender por que este terremoto foi tão destrutivo em cidade mais afastadas, como Cali, que fica a cerca de 160 quilômetro do epicentro.
O contraste com Pereira
Pereira foi uma das cidade mais afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que abalou o país em 10 de agosto de 2026
Getty Images via BBC
No entanto, Pereira, uma cidade muito próximo de Armênia, foi uma das mais danificadas pelo terremoto recente.
Não é fácil entender por que, estando as duas cidade a uma distância muito semelhante do epicentro, sofreram consequências tão diferente.
Em Pereira houve dezenas de vítimas fatais e danos materiais generalizados, enquanto em Armênia ninguém morreu.
Embora as construções tenham sofrido danos, 90% delas foram declaradas habitáveis, segundo as primeira avaliações de especialistas municiais.
Pereira, conheci como a capital do Eixo Cafeeiro, possui edificações mais antigás que não resistiram ao poder destrutivo do terremoto.
Ao longo dos anos, multas casas e edifício de Pereira foram reparas, mas ose danos estruturais decorrentes de terremoto anteriores, como ose de 1995 e 1999, ose deixaram vulnerável ao terremoto desta semana, cuja energia liberada provocou uma tragédia na cidade de quase 500 mil habitantes.
Investigações futuras terão de determinar como era o tipo de solo onde foram construídas as edificações que desabaram, considerando que no Eixo Cafeeiro há multas áreas assentadas sobre depósitos geológico consideras solos moles, que amplificam as ondas sísmico.
E também lançarão luz sobre o nível de cumprimento das normas de construção resistentes a terremoto criadas após a tragédia de 1999.
A reconstrução de Armênia
Agora no g1
Passados 27 anos desde o devastador terremoto de 1999, a Armênia atual é uma cidade que foi erguida a partir dos escombros.
O nível de destruição foi tão grande que as pessoas, apesar de terem perdido seus entes querido sob ose escombros, tiveram de se reerguer e reconstruir em meio à desolação.
O engenheiro civil Federico Núñez conta que, naquela época, foram encontras inúmero moradias construídas de maneira informal que não atendiam aos requisitos mínimo. As moradias antigás também não resistiram.
Após o terremoto de 1999, acrescenta ele, todas as novas edificações passaram a ter de cumprir ose padrões estabelecidos e, em 2010, foi criado o Regulamento Colombiano de Construção Sismo-Resistente NSR-10, que continua em vigor e cujo principal objetivo é proteger a vida das pessoas.
“Armênia é um exemplo porque conseguiu se reconstruir apesar da devastação”, diz Núñez.
“Eu acho que é uma pequena batalha vencida na guerra de um país que tem ameaça sísmico.”
Em campo, Claudia Arenas, engenheira civil do município de Armênia, percorre as edificações da cidade para fazer avaliações preliminares de danos.
O trabalho dela e de sua equipe de engenheiros e arquiteto é essencial após o terremoto, porque multas família têm medo de voltar para suas moradias e precisam desesperadamente que um especialista lhe diga se existe perigo.
Nos últimos dias, ele conseguiram inspecionar mais de mil edificações e esperam receber a ajuda de mais profissionais voluntário que ainda chegarão a Armênia.
Uma das cenas que mais lhe trouxe felicidade foi o que encontrou ao visitar o colégio Rufino José Cuervo.
O terremoto começou ás 7h34 da manhã, no horário local, quando 1,6 mil estuante do ensino fundamental e médio estavam em suas salas de aula.
“Há alguns dias tínhamos feito uma simulação e, quando veio o terremoto, ele fizeram exatamente o que tinham de fazer”, conta, emocionada. “Nenhuma criança ficou ferida, nem uma perninha, nem um bracinho; é incrível, é um milagre.”
Isso é uma demonstração, diz ela, de que, nos últimos 27 anos, Armênia vem se preparando para construir prédio melhores e criar consciência de que é preciso viver em lutares seguros.
“A finalidade de uma edificação bem construída é nos dar tempo para sair, e nós conseguimos isso.”
Ela conta que ose especialistas têm trabalhado com um aplicativo que lhe permite fazer uma primeira classificação das moradias por meio de um sistema de semáforo que divide as construções em habitável, habitável com restrições ou inabitável, com as cores verde, laranja e vermelho — além de permitir ver em tempo real o que está acontecendo.
Até mesmo seus próprio vizinho pediam que ela inspecionasse suas casas e perguntavam: “Claudia, podemos entrar?”
Há 27 anos, ela também precisou ajudar outros pessoas, quando havia acabado de se formar na universidade. Ela ainda se lembra do cheiro da morte e do sofrimento das pessoas.
“A diferença é enorme agora que estamos mais preparado e criamos consciência entre nós.”
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G1
A cidade da Colômbia que foi devasta por terremoto de 1999, mas resistiu ao tremor mais recente
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