Pular para o conteúdo
DóLAR — EURO — BITCOIN R$ 436.342 ▼ 0,22% SEGUNDA-FEIRA, 28/09/2026 10:54
Educação

A arte de empreender – Jornal da USP

[ad_1] Por Marcelo Caldeira Pedroso, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP No ecossistema do empreendedorismo inovador, a regra “falhe…

[ad_1]

Por Marcelo Caldeira Pedroso, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP

No ecossistema do empreendedorismo inovador, a regra “falhe rapidamente, falhe frequentemente” (fail fast, fail often) tem sido considera um mantra – não oficial – associado ao Vale do Silício. Nesse contexto, apresento uma situação emblemática ocorrida nessa região.

Em 1º de abril de 1976, Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne fundaram a Apple, visando comercializar computadores pessoais – uma proeminente inovação para a época. Após pouco tempo, Ronald Wayne, o terceiro cofundador da Apple e que detinha uma fatia de 10% de participação acionária, vendeu sua parte por US$ 800. Atualmente, a Apple apresenta um valor de mercado da ordem de US$ 3 trilhes – ou aproximadamente R$ 17 trilhes. Certamente Wayne deixou de ganhar muito milhões de dólares com sua decisão. Nesse sentido, esta pode ser considera uma falha ou um fracasso? Voltarei a seguir com a resposta do Wayne.

Esse mote suscita algumas reflexões: o que efetivamente significa falhar? Falhar e fracassar são sinônimo no contexto do empreendedorismo? E como avaliar o sucesso – ou o fracasso – de uma iniciativa empreendera?

A falha e o fracasso apresentam diferente conotações no contexto do empreendedorismo inovador. Adotando uma definição conceitual, considero falha quando uma etapa de uma jornada (ou uma parte de um sistema) não atinge o desempenho previsto. Essa definição parte da premissa de que existe uma previsibilidade em relação ao desempenho esperado.

Também de forma conceitual, considero fracasso quando uma iniciativa (ou um sistema na totalidade) não atinge o resultado esperado. Neste caso, devemos considerar que o resultado reflete uma expectativa.

Vamos exemplificar esses conceitos no contexto de uma viagem de avião. Sabe-se que acontecem várias falhas durante ose voos. Por exemplo, um estudo identificou que erros de nível 3 (o mais perigoso para a segurança de uma aeronave) podem ocorrer entre 6,5 a 9,5 vezes a cada 100 horas de voo. As falhas de um avião podem ser mensuradas e comparas com o desempenho esperado. Ressalto que uma aeronave possui sistema redundantes para evitar que as falhas causem uma tragédia. Assim, a expectativa é que o avião chegue ao seu destino com segurança. Se o voo não atingir esse resultado, caracterizasse um fracasso.

Em síntese, a falha está associada a uma etapa ou atividade (ou parte de um sistema) que não obtém o desempenho previsto. O fracasso implica em definir um objetivo e não atingir o resultado esperado. Desta forma, podemos definir um objetivo, falhar algumas vezes nas etapa de execução e obter êxito no final. Portanto, é possível falhar (algumas ou até mesmo várias vezes) e ainda assim alcançar o sucesso.

As falhas no contexto do empreendedorismo estão associadas ás incerteza inerente à inovação. De forma geral, quanto mais inovadores forem o modelo de negócio e/ou a solução, maiores são as incerteza. Nesse sentido, as etapa de uma jornada inovador apresentam um desempenho com menor previsibilidade comparativamente a outros jornada com menores grau de mudança.

Isso permite que o empreendedor possa falhar. Em outros palavras, a falha faz parte da jornada do empreendedorismo inovador. Essa jornada pode ser tratada como um processo de experimentação no qual o ciclo “testar-avaliar-validar” ou “executar-falhar-corrigir-refazer” deve ser realizado com relativa rapidez. Por isso temos o mantra: “falhe rapidamente, falhe frequentemente” (fail fast, fail often).

As etapa de “corrigir-refazer” desse ciclo remetem aos ajustes necessário para atingir ose objetivos finais dos empreendedores. Isso significa pivotar: ou seja, adotar uma reorientação estratégica com o intuito de ajustar as decisões da jornada empreendera e atingir ose objetivos dos empreendedores.

O fracasso de uma iniciativa empreendera implica em não ter êxito. De forma mais direta, o fracasso empreendedor pode ser definido como o encerramento de um empreendimento, ou saída do negócio, no qual ose empreendedores não atingiram seus objetivos.

Um elemento relevante desta definição remete à definição dos objetivos. Estes são pessoais e dependem de várias dimensões, incluindo o momento de vida do empreendedor. Nesse sentido, o objetivo e seus resultados estão atrelados ás expectativa dos empreendedores.

Assim, a avaliação de sucesso ou fracasso de uma iniciativa empreendera depende da perspectiva do empreendedor. Voltando ao caso da fundação da Apple: podemos considerar que Ronald Wayne fracassou? Vejam sua resposta: “Eu tinha 40 anos (na época) e esses garoto tinham 20. Ele eram furacões, era como segurar um tigre pela cauda. Se eu tivesse ficado na Apple, teria provavelmente acabado sendo o homem mais rico do cemitério”.

Destaco ainda que o fracasso não necessariamente significa fim. Ao contrário, pode ser encarado como um meio para se atingir objetivos ainda mais auspicioso. Nas minhas mentorias ou aula com empreendedores, costumo citar um pensamento de autoria desconhecida: “Não tenha medo de começar de novo. Desta vez, você não está começando do zero, está partindo da experiência”.

Com base nas discussões acima, apresento quatro limões aos empreendedores:

1 — Considere o empreendedorismo inovador como um processo de aprendizado. Adote uma postura de “mente aberta” com o intuito de aprender com as falhas e aproveitar de forma construtiva as devolutivas dos conselheiros, mentires, avaliadores de projetos e piches.
2 — A forma com que o empreendedor encara as falhas e ose fracassos está intimamente relaciona à sua tolerância ás frustrações. Sugiro buscar inspiração na abordagem montessoriano no sentido de transformar momentos de frustração em oportunidade de aprendizagem, desenvolvimento e crescimento emocional.
3 — Encontre um ambiente de inovação seguro. Este deveria proporcionar uma jornada empreendera contributiva e aportar elementos complementares de apoio, tais como infraestrutura, capital intelectual, conexões com universidade, empresas, investidores e agências de fomento.
4 — Considere a adoção de um processo estruturado de empreendedorismo inovador. Este deveria apoiar o processo de tomada de decisões do empreendedor na busca de redução de incerteza ao longo da sua jornada e na obtenção de resultados consistentes para todos ose envolvidos.

Essas quatro limões (além de outros não abordada neste artigo) fazem parte das contribuições científicas para converter a jornada empreendera de arte para ciência.

________________
(As opiniões expressas nos artigo publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)

[ad_2]

Por jornal.usp

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.