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Brasil tem segundo maior número de assassinatos de defensores ambientais no mundo

Levantamento da Global Witness registrou 26 mortes no país em 2025, mais que o dobro de 2024; América Latina concentram 85% dos casos documentados O post Brasil tem segundo maior número de assassinatos de defensores ambientais no mundo apareceu primeiro em Mídia NINJA.

O Brasil foi o segundo país com mais assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente documentados em 2025. Foram 26 mortes, atrás apenas da Colômbia, que registrou 39. Os dados fazem parte do relatório Collective Power, divulgado em 16 de setembro pela organização internacional Global Witness.

Em 2024, a organização havia documentado 12 assassinatos no Brasil. Em 2025, foram 26, mais que o dobro. No mundo, 124 defensores foram assassinados no mesmo período. Depois de Colômbia e Brasil, aparecem Honduras e Filipinas, com 12 mortes cada; México, com dez; e Guatemala, com oito. Brasil e Colômbia concentram, juntos, 52% dos assassinatos registrados pela organização em 2025.

Quando a Global Witness fala em defensores da terra e do meio ambiente, não está tratando apenas de ativistas de organizações ambientais. O termo inclui indígenas, pequenos agricultores, lideranças comunitárias e outras pessoas que atuam de forma pacífica na defesa de territórios, da natureza e de direitos relacionados ao uso da terra e dos recursos naturais.

No Brasil, a disputa pela terra está no centro de quase todos os casos. Dos 26 assassinatos documentados em 2025, 25 estavam ligados principalmente a conflitos fundiários, ou seja, disputas pela posse, pelo uso ou pelo reconhecimento de um território. Sete mortes tinham relação com reivindicações indígenas pelo reconhecimento de territórios ancestrais. Outras 14 estavam associadas a demandas por reforma agrária, principalmente de pequenos agricultores e comunidades afrodescendentes.

Entre as vítimas brasileiras estavam 11 pequenos agricultores e sete indígenas. Metade dos assassinatos ocorreu em Rondônia e no Pará. Nos dois estados amazônicos, o relatório aponta invasões e disputas por terra em áreas onde avançam atividades como exploração ilegal de madeira, mineração e pecuária. Segundo a Global Witness, essas atividades pressionam territórios ocupados por pequenos agricultores e outras comunidades locais.

América Latina concentra 85% das mortes

Dos 124 assassinatos documentados no mundo em 2025, 85% ocorreram na América Latina. A região concentra a maior parte dos casos registrados pela Global Witness há mais de uma década.

Mais de três quartos das pessoas assassinadas eram pequenos agricultores, indígenas ou afrodescendentes. Os povos indígenas, sozinhos, somaram 44 vítimas em 2025. As disputas por terra aparecem em mais da metade dos assassinatos documentados no ano.

O levantamento também identificou atividades econômicas relacionadas aos territórios onde esses defensores atuavam. Mineração e outras atividades extrativas aparecem associadas a 11 assassinatos; exploração de madeira, a oito; e agronegócio, a seis.

Isso não significa que empresas desses setores tenham sido responsabilizadas pelos crimes. Os dados mostram as atividades econômicas ligadas aos conflitos em que as vítimas estavam envolvidas.

A Global Witness também identificou suspeitas de envolvimento do crime organizado ou de pistoleiros contratados em mais de um terço dos assassinatos registrados em 2025. Em muitos desses casos, a autoria ou os mandantes dos crimes ainda não foram definidos pela Justiça.

Os números podem ser ainda maiores

O levantamento não consegue registrar todas as mortes.

Para que um caso entre na base da Global Witness, é preciso haver informações consideradas confiáveis sobre a vítima, a data e o local da morte, além de elementos que relacionem o crime à atuação daquela pessoa na defesa da terra ou do meio ambiente. A organização cruza registros oficiais, publicações e informações de entidades da sociedade civil antes de incluir um caso.

Em regiões onde há conflitos armados, ameaças, repressão ou dificuldade de acesso à informação, alguns assassinatos podem nunca ser conhecidos ou não reunir elementos suficientes para serem confirmados.

A própria Global Witness reconhece que sua base provavelmente está incompleta. Por isso, os dados representam os casos que a organização conseguiu documentar, e não necessariamente toda a violência contra defensores da terra e do meio ambiente.

Desde 2012, quando começou a reunir esses dados, a organização documentou 2.375 assassinatos e desaparecimentos prolongados de defensores em diferentes partes do mundo. A base considera desaparecimento prolongado quando uma pessoa permanece desaparecida por seis meses ou mais.

Consulte o ranking

A Global Witness mantém uma plataforma interativa com os dados reunidos desde 2012. No site, é possível consultar os casos por país, acompanhar os números ao longo dos anos e verificar quais atividades econômicas aparecem relacionadas aos assassinatos e desaparecimentos. A plataforma também traz recortes sobre povos indígenas e permite baixar os dados para uso não comercial.

Acesse o ranking e explore os dados:
Global Witness | In numbers: Attacks against defenders since 2012
https://globalwitness.org/en/campaigns/land-and-environmental-defenders/in-numbers-lethal-attacks-against-defenders-since-2012/ 

Leia o relatório completo:
Global Witness | Collective Power
https://globalwitness.org/en/campaigns/land-and-environmental-defenders/collective-power/

Fonte: Mídia Ninja.

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