Jardim Pantanal chega ao 5º dia seguido de alagamento; moradores ainda enfrentam água na canela
O Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, chegou nesta quarta-feira (16) ao quinto dia seguido com ruas alagadas. Apesar de o nível da água ter diminuído, moradores ainda precisavam enfrentar trechos com água na altura da canela para sair de casa e trabalhar.
O alagamento começou na madrugada de sábado (12). Nesta quarta, além da água que ainda ocupa as ruas, moradores enfrentavam lama e mau cheiro deixados pela enchente.
Na Rua Tite de Lemos, onde fica um dos equipamentos construídos para ajudar na drenagem da região, imagens feitas pela TV Globo na manhã desta quarta mostraram que, dos quatro canos do sistema, apenas dois estavam dando vazão à água.
A Prefeitura de São Paulo foi questionada sobre o motivo de somente dois dos quatro canos estarem em funcionamento e se há algum problema de manutenção no equipamento.
O pôlder da Vila Seabra foi inaugurado em fevereiro de 2025 e integra a estrutura criada para reduzir os alagamentos no Jardim Pantanal. A obra tinha previsão inicial de entrega em 2023.
A região conta ainda com outros sistemas de drenagem, como o pôlder do Jardim Romano e o piscinão da Vila Itaim.
Segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras, o funcionamento dos pôlderes é diretamente afetado quando há uma elevação acentuada do nível do Rio Tietê, o que compromete a capacidade do sistema de dar vazão ao volume de água acumulado.
Nesta quarta, caminhões também trabalhavam na retirada da água. A prefeitura havia informado que seis veículos estavam atuando na região. A equipe da TV Globo encontrou quatro deles nas proximidades das ruas Tite de Lemos e Serra do Grão Mogol.
Mesmo com a operação, ainda havia pontos onde veículos não conseguiam circular. Um caminhão de coleta de lixo, por exemplo, não conseguiu acessar uma das áreas alagadas.
Moradores abriram passagem para água
Na tentativa de acelerar o escoamento, moradores disseram ter aberto uma boca de lobo na região. Segundo eles, a medida ajudou a reduzir o nível da água.
“Se a gente não abrisse isso aí, a situação ficava pior, ficava mais complicada. Depois que nós abrimos, a vazão da água melhorou bastante”, afirmou Walter, morador do bairro.
Ele conta que, mesmo depois de a chuva parar, a água costuma permanecer nas ruas por vários dias.
“A chuva para e permanece essa água por três, quatro, cinco dias. […] Queremos uma resposta da subprefeitura. Por que isso acontece?”, questionou.
Segundo Walter, moradores chegaram a conseguir um barco por meio de uma doação para transportar pessoas que não conseguem atravessar os trechos alagados, entre elas idosos, pessoas acamadas e moradores que precisam de tratamento médico.
Nesta quarta, a reportagem também flagrou moradores lavando as pernas com água limpa depois de atravessar a enchente para poder seguir ao trabalho.
Cinco pontos de bombeamento
Desde o fim de semana, a prefeitura realiza ações de bombeamento nas ruas Serra do Grão Mogol, Tite de Lemos, Tietê, Antônio Dias Moura e Serra de Apodi.
A gestão municipal afirma, porém, que o nível elevado do Tietê dificulta o trabalho porque compromete o sistema de drenagem. Após a retirada da água, a prefeitura informou que as vias serão limpas.
Ontem, moradores já relatavam perdas de móveis e outros objetos dentro das casas. Também havia reclamações sobre o acúmulo de lixo, já que caminhões não conseguiam chegar a algumas ruas.
Parte dos moradores deixou suas casas. A Escola Estadual Cristina de Castro Paes, a cerca de 3 km da região, foi transformada em abrigo e chegou a receber 12 famílias.
Recupera Pantanal prevê retirada de mais de 4 mil imóveis
O Jardim Pantanal tem cerca de 45 mil moradores e enfrenta enchentes recorrentes por estar em uma área de várzea do Rio Tietê.
A prefeitura iniciou em 2025 o programa Recupera Pantanal, que prevê R$ 700 milhões em investimentos até 2029 e a remoção de 4.344 imóveis para ampliar a área permeável e recuperar ambientalmente o território.
Segundo a gestão municipal, 789 famílias haviam sido retiradas de áreas de risco desde dezembro de 2025 até o balanço divulgado nesta semana, e 1.021 famílias foram cadastradas em programas de assistência social.
A prefeitura afirma ainda que R$ 59,8 milhões estão sendo investidos em obras de microdrenagem e pavimentação no Jardim São Martinho. Segundo a gestão, 77,2% das galerias previstas já foram concluídas e estão em operação.
Questionado sobre a possibilidade de acelerar as próximas etapas do Recupera Pantanal, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que o processo depende de etapas como avaliação dos imóveis e negociação com os moradores, o que dificulta antecipar as remoções previstas até 2029.
CPI apontou problemas históricos
Os alagamentos no Jardim Pantanal foram investigados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo. O relatório final, concluído em junho deste ano após nove meses de trabalhos, apontou que as enchentes são resultado de uma combinação de fatores ambientais e urbanísticos e da falta de ações integradas e contínuas do poder público ao longo de décadas.
Os alagamentos são recorrentes principalmente durante o verão. Desta vez, porém, a região está há cinco dias com ruas debaixo d’água após chuvas registradas ainda no inverno.
O governo de São Paulo afirma que já retirou mais de 370 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê para ampliar a capacidade de escoamento do rio na região do Jardim Pantanal.
Por G1
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