Por Vitória Balieiro
Com o passar dos anos, a sociedade tem avançado em alguns debates, e se torna cada vez mais necessário que o fazer comunicacional acompanhe e impulsione esse avanço. Tendo isso em vista, a Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor) elaborou um material — a partir da validação de colaboradores da rede, integrantes de 46 etnias indígenas — que visa educar a população, especialmente jornalistas, para desconstruir a visão colonial, frequentemente reproduzida em falas e narrativas.
O manual é estruturado em dois blocos: o primeiro narra a linha do tempo do movimento social e da resistência dos povos indígenas no Brasil; o segundo dá orientações para jornalistas não indígenas fazerem coberturas que respeitem as práticas, culturas e datas importantes para os povos veiculados.
Ykaruni Nawa, cofundador da Abrinjor, indígena jornalista e antropólogo, explica que a criação do manual foi impulsionada pela insatisfação com a visão enviesada sobre a representação indígena por alguns veículos de comunicação. “A ideia do manual era justamente combater essa representação inadequada para formação de uma representação adequada sobre os povos indígenas. Isso passa pela mudança de conduta dos próprios jornalistas quando forem cobrir a pauta indígena”, relata.
A mídia tradicional exerce, também, uma função educadora, ao passo que transmite notícias, mostra realidades e dá suporte para a população fazer uma leitura crítica do mundo, cenário que agrava a reprodução de conceitos ultrapassados. O antropólogo ressalta a importância de ocupar esses lugares: “A gente vem disputar esses espaços de produção de conhecimento a partir da mídia tradicional, por meio dessa nova narrativa que a gente apresenta como solução para combater todos esses estereótipos”, afirma.
A expectativa é que o manual impacte o campo da produção noticiosa e da produção de conhecimento, com uma narrativa mais ética e respeitosa sobre os povos indígenas, além de educar a sociedade não indígena com relação às heranças coloniais que ainda hoje são reproduzidas e fazê-la compreender sua própria história de forma mais plural e justa.
“Do ponto de vista da prática profissional, a gente espera que esse manual seja um reforço da necessidade da presença de indígenas jornalistas na produção desses conhecimentos.”
A versão digital do Poranga Maranduá está disponível gratuitamente e você pode acessar aqui.
