EUA avançam com projeto que corta verba de universidades que boicotarem Israel – OCenário

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Câmara aprovou proposta por 237 votos a 169; medida apoiada por republicanos enfrenta críticas de parlamentares que apontam riscos à liberdade de expressão


A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (3), um projeto que permite bloquear o repasse de recursos federais a universidades envolvidas em boicotes contra Israel.

Batizada de Lei de Proteção à Liberdade Econômica e Acadêmica, a proposta recebeu 237 votos favoráveis e 169 contrários. O texto ainda precisa passar pelo Senado para entrar em vigor.

A medida representa mais uma iniciativa favorável a Israel apoiada pelos republicanos no Congresso norte-americano. A votação acontece em meio às divisões políticas provocadas pela guerra em Gaza e aos protestos realizados em universidades dos Estados Unidos.

Defensores do projeto afirmam que a proposta procura impedir práticas discriminatórias contra Israel e instituições judaicas. Os críticos, por outro lado, alertam que a retirada de financiamento poderá atingir o direito à liberdade de expressão e o debate acadêmico.


Projeto condiciona auxílio federal às universidades

A proposta aprovada determina que instituições de ensino superior beneficiadas por recursos dos contribuintes não poderão discriminar parcerias acadêmicas ou investimentos relacionados a Israel.

Na prática, universidades envolvidas em boicotes contra o país poderão ficar sem determinados auxílios federais.

Os autores argumentam que o objetivo não é proibir manifestações individuais, impedir debates sobre o conflito ou limitar críticas ao governo israelense. Para eles, a medida é direcionada às decisões institucionais das universidades.

O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado. Caso os senadores façam alterações, a proposta poderá retornar à Câmara antes de seguir para sanção presidencial.


Câmara aprovou proposta por 237 votos a 169

A votação seguiu principalmente as divisões partidárias existentes no Congresso dos Estados Unidos.

Apenas dois deputados republicanos votaram contra o projeto, enquanto 33 democratas apoiaram a proposta. A maioria dos parlamentares do Partido Democrata foi contrária à medida.

A Câmara é controlada pelos republicanos, que defendem uma política de forte apoio a Israel e têm pressionado universidades em razão dos protestos realizados nos campi.

A aprovação mostra que o projeto também conseguiu apoio de parte dos democratas, embora o partido esteja dividido sobre as ações do governo israelense na Faixa de Gaza.


Guerra em Gaza intensificou protestos universitários

Os protestos e os pedidos de boicote contra Israel ganharam força nos Estados Unidos após o início da guerra em Gaza.

O conflito começou depois do ataque de 7 de outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1,2 mil pessoas em Israel, segundo dados das autoridades israelenses.

Desde então, as operações militares israelenses mataram mais de 73 mil palestinos, conforme números divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza. Grande parte do território palestino foi destruída durante a guerra.

As consequências humanitárias das operações provocaram manifestações em diversas universidades norte-americanas. Estudantes e professores passaram a cobrar mudanças na política externa dos Estados Unidos e a retirada de investimentos ligados a Israel.


Governo Trump pressionou universidades após protestos

O presidente norte-americano Donald Trump determinou investigações e ameaçou suspender o financiamento federal destinado a universidades onde ocorreram protestos contra a guerra em Gaza.

O governo e parte dos republicanos no Congresso acusam manifestantes de promoverem antissemitismo e de apoiarem movimentos extremistas.

Os participantes das manifestações rejeitam essas acusações. Eles afirmam que a defesa dos direitos da população palestina e as críticas às ações militares de Israel não podem ser automaticamente classificadas como antissemitismo.

A discussão sobre os limites entre discurso político, discriminação religiosa e segurança nos campi passou a ocupar posição central no debate público norte-americano.


Críticos apontam ameaça à liberdade de expressão

Parlamentares contrários ao projeto afirmam que o bloqueio de verbas poderá ser usado para pressionar universidades e limitar manifestações políticas legítimas.

O deputado democrata Jerrold Nadler, de Nova York, declarou ser contrário ao movimento global de Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel, conhecido pela sigla BDS.

Mesmo assim, Nadler votou contra a proposta. Ele argumentou que a proteção à liberdade de expressão precisa alcançar também as opiniões com as quais as pessoas não concordam.

Para os opositores, o texto pode abrir espaço para interpretações amplas sobre o que seria um boicote institucional e gerar insegurança para universidades, professores e estudantes.

Eles também sustentam que o governo não deve condicionar recursos públicos à adoção de uma posição específica em debates políticos internacionais.


Autores negam tentativa de censura nas universidades

Os defensores do projeto rejeitam a interpretação de que a medida tenha como objetivo impedir críticas a Israel.

O deputado democrata Josh Gottheimer, de Nova Jersey, afirmou que universidades beneficiadas por dinheiro público não devem discriminar acordos acadêmicos ou investimentos realizados com um país específico.

Segundo Gottheimer, a proposta não impediria debates acadêmicos nem manifestações protegidas pela Constituição norte-americana. O texto buscaria impedir que instituições adotem medidas discriminatórias contra Israel e o judaísmo.

Os autores sustentam que estudantes e professores continuarão livres para expressar suas opiniões, inclusive aquelas contrárias às decisões do governo israelense.

O principal ponto da proposta seria estabelecer consequências para universidades que adotem oficialmente políticas de boicote enquanto recebem verbas federais.


O que é o movimento BDS

O movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções, conhecido como BDS, defende o isolamento econômico, acadêmico e cultural de Israel devido ao tratamento dado aos palestinos.

Seus apoiadores pressionam empresas, instituições financeiras, universidades e governos para que suspendam negócios e relações com entidades israelenses.

O movimento cresceu em diferentes países e passou a ocupar espaço relevante nos protestos organizados durante a guerra em Gaza.

Críticos do BDS afirmam que suas ações ultrapassam os limites das críticas ao governo israelense e podem incentivar a discriminação contra Israel ou contra comunidades judaicas.

Os defensores do movimento argumentam que o boicote é uma forma não violenta de pressão política destinada a promover os direitos dos palestinos.


Debate separa críticas a Israel e antissemitismo

Um dos principais pontos de conflito está na definição das manifestações que podem ser consideradas antissemitas.

Republicanos e integrantes do governo Trump afirmam que parte dos protestos realizados nas universidades ultrapassou a crítica política e criou ambientes hostis para estudantes judeus.

Manifestantes sustentam que a condenação às ações do governo israelense não representa hostilidade contra o povo judeu. Para eles, equiparar toda defesa dos palestinos ao antissemitismo limita o debate sobre a guerra.

As universidades enfrentam pressão de diferentes grupos. De um lado, há cobranças para que protejam estudantes judeus contra ameaças e discriminação. Do outro, instituições são criticadas quando restringem protestos favoráveis à população palestina.

O projeto aprovado na Câmara amplia esse debate ao relacionar o comportamento institucional das universidades ao recebimento de recursos federais.


Senado ainda precisa analisar o projeto

A aprovação na Câmara não torna a proposta automaticamente válida em todo o país.

O texto ainda deverá ser analisado pelo Senado, onde enfrentará novas discussões sobre liberdade acadêmica, discriminação, política externa e uso de recursos públicos.

Caso seja aprovado sem mudanças, o projeto poderá ser encaminhado para a sanção do presidente. Se os senadores modificarem a redação, os deputados precisarão votar novamente.

Até a conclusão de todas essas etapas, nenhuma universidade perderá automaticamente recursos federais com base no projeto aprovado nesta quinta-feira.

A tramitação no Senado deverá mostrar se a proposta possui apoio suficiente para avançar e se os parlamentares farão mudanças para estabelecer limites mais claros entre boicote institucional e liberdade de expressão.



TV Cenário

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