O time da Mídia NINJA recebeu o Prêmio HTLVida – Ceuci Nunes por seu comprometimento com a cobertura especial da Conferência Internacional de AIDS 2026. O projeto de cobertura colaborativa, coordenado por Oliver Kornblihtt, também contou com a colaboração da International AIDS Society (IAS) e dos afiliados da Mídia NINJA: Planeta FODA, Planeta ELLA, Poderes Pretos, que produziram reportagens, entrevistas, vídeos, registros fotográficos, além de conteúdos em português e espanhol sobre o maior encontro mundial dedicado à resposta ao HIV.
O time NINJA já realiza uma grande cobertura do evento desde sua 25ª edição, em Munique. Os cuidados com a saúde e a busca por compartilhar informações de confiança sobre o HIV, contribuindo para a redução de estigmas sociais e preconceitos, são pautas recorrentes na NINJA. Para além de apenas cobrir o evento, o coordenador do projeto explica que foram mobilizados jornalistas e comunicadores que vivem com o vírus, além de especialistas que trabalham em torno da pauta. Ao todo, foram 15 pessoas envolvidas na cobertura colaborativa, incluindo a equipe de campo e a equipe de suporte.
O Prêmio HTLVida – Ceuci Nunes foi criado para reconhecer pessoas, instituições e organizações que contribuem para o fortalecimento da resposta ao HTLV. A premiação é uma homenagem à médica infectologista, professora e gestora Ceuci Nunes, reconhecida por sua trajetória na saúde pública, na formação de profissionais e pela dedicação à causa do HTLV e às pessoas que vivem com o vírus.

Para Oliver Kornblihtt, co-fundador da Mídia Ninja e coordenador da cobertura, receber a homenagem poucas semanas após a realização da cobertura tornou o momento ainda mais especial. “Foi muito emocionante receber esse prêmio, ainda mais tão pouco tempo depois de termos feito a cobertura. O HTLV é um vírus primo do HIV, mas ainda é pouco conhecido. Muitas pessoas não sabem o que é e, por isso, a pauta não recebe a mesma atenção e investimento que a luta contra o HIV”, explica. Segundo ele, a cobertura buscou justamente ampliar esse debate, reunindo entrevistas com especialistas e pessoas que vivem com HTLV, o que gerou impacto e repercussão. “Foi muito marcante receber essa homenagem e poder estar presencialmente para receber o prêmio, além de ter contato com as pessoas que vivem com HTLV e estavam lá. Foi tudo muito emotivo. E foi muito legal e emocionante ter esse reconhecimento por um trabalho que foi coletivo. Eu fui receber o prêmio, mas ele representa algo que fizemos juntos.”
A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu no dia 25 de agosto, durante o Conexão HTLV-SSA: Diálogos que Fortalecem Respostas, realizado no auditório Sonia Andrade, na Fiocruz Bahia. O encontro reuniu pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes, representantes do poder público e da sociedade civil para ampliar o diálogo sobre os desafios relacionados ao HTLV e discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e cuidado.
Promovida pela Associação HTLVida, em parceria com o IRSI, a programação também apresentou o relatório da participação do grupo na 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro. A cerimônia foi conduzida por Adjeane Oliveira, coordenadora da HTLVida, e Sílvio Lacerda, assessor de Articulação Social do Governo do Estado da Bahia.

O que é o HTLV?
Pouco conhecido pela população, o HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas) é um vírus que pode permanecer no organismo sem apresentar sintomas. Estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HTLV-1 em todo o mundo, sendo o Brasil o país com o maior número de casos, com aproximadamente 2,5 milhões de pessoas infectadas. A maior parte das pessoas que vivem com o vírus não apresenta sinais da infecção, mas uma parcela pode desenvolver doenças associadas ao HTLV ao longo da vida. Entre as possíveis manifestações estão fraqueza muscular, dormência e formigamento, dores no corpo, alterações na visão, dificuldade para caminhar e problemas urinários.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com fluidos corporais infectados, como em relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de agulhas e seringas, transfusão de sangue contaminado e da mãe para o bebê, especialmente por meio da amamentação. O vírus também pode ser transmitido por transplante de órgãos de pessoas infectadas, embora a triagem reduza significativamente esse risco. O HTLV não é transmitido pelo convívio social cotidiano, como abraços, apertos de mão, beijos, compartilhamento de copos e talheres, nem pelo ar ou pela água. A informação e o acesso ao diagnóstico são fundamentais para ampliar a prevenção, reduzir o estigma e fortalecer o cuidado com as pessoas que vivem com o vírus.
Oliver chama atenção para a urgência de colocar o HTLV no debate público e dar espaço para quem vive com o vírus: “O HTLV é um vírus sobre o qual quase não se fala e que pouca gente conhece. E, quando a gente não fala, essas pessoas também ficam invisibilizadas. Quem vive com HTLV precisa ter espaço para contar suas histórias, falar sobre como o vírus afeta suas vidas e sobre os desafios que enfrenta todos os dias. A Bahia é um dos estados com maior número de casos e mesmo assim, se você perguntar na rua o que é HTLV, provavelmente poucas pessoas vão saber responder. Isso acontece não só na Bahia, mas em muitas partes do Brasil. Para mim, é fundamental começar a falar, informar e dar visibilidade ao HTLV. Não dá para combater uma questão que a sociedade sequer conhece. E falar sobre isso também é uma forma de enfrentar o preconceito, de evitar que essas pessoas sejam estigmatizadas e que a sorofobia continue acontecendo. Dar visibilidade é também uma forma de cuidado e de respeito com quem vive com o vírus”, afirma.
Conferência Internacional da AIDS 2026
Realizada pela primeira vez na América do Sul, a 26ª Conferência Internacional de AIDS reuniu no Rio de Janeiro milhares de pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos, lideranças comunitárias e organizações da sociedade civil de diferentes partes do mundo para discutir os desafios e caminhos para o enfrentamento do HIV e de outras infecções. Com o tema “Repensar, Reconstruir e Ascender”, a programação abordou ciência, políticas públicas, direitos humanos e participação comunitária, em um cenário marcado pela redução do financiamento internacional e pelas desigualdades no acesso à prevenção e ao tratamento. Promovido pela International AIDS Society (IAS), o encontro também representou um marco para o Brasil, que sediou pela primeira vez o principal evento mundial dedicado à resposta ao HIV, sob a presidência da médica infectologista e pesquisadora da Fiocruz Beatriz Grinsztejn, primeira mulher latino-americana a ocupar a presidência da organização.
