Atriz, diretora, cantora e compositora, a artista celebra o reconhecimento por “Pele de Rinoceronte” e constrói uma trajetória marcada pela valorização das periferias e da presença negra no cinema e no teatro brasileiro.
Filha de pai mineiro e mãe pernambucana, Naruna Costa nasceu e cresceu na periferia de Taboão da Serra, em São Paulo. Ainda menina, encontrou no teatro uma forma de expressão e, através dele, conheceu também um grande amor. Uma história intensa que terminou cedo demais, deixando-a viúva aos 31 anos. Hoje, Naruna se define como alguém “remendada” e pronta para seguir seu sonho de militar através da arte.
Essa trajetória de resistência e criação ganhou novo reconhecimento no 54º Festival de Cinema de Gramado, onde a atriz recebeu o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em “Pele de Rinoceronte”, dirigido por Marcello Ludwig Maia. Em sua estreia no festival, Naruna interpreta Maria Thereza, uma advogada criminalista responsável pela estratégia de acusação de um homem envolvido em um feminicídio inspirado no célebre caso de Ângela Diniz.
No longa, Maria Thereza cruza sua trajetória com a de uma repórter policial, interpretada por Débora Falabella, e com a própria vítima, vivida por Camila Lucciola. A partir dessas personagens, o filme aborda os impactos sociais da violência de gênero e as diferentes formas de opressão enfrentadas pelas mulheres.
Ao receber o prêmio, Naruna relacionou o reconhecimento à história de seus pais, que foram lavradores, e à ideia de que toda semente plantada pode florescer. Para a atriz, o Kikito representa também uma forma de fazer vingar a memória das milhares de mulheres assassinadas no Brasil por homens que não aceitam sua liberdade.
“E esse prêmio pra mim significa isso, uma boa vingança”, afirmou Naruna durante seu discurso de agradecimento.
54º Festival de Cinema de Gramado – Melhor Atriz Coadjuvante De Longas-metragens Brasileiros, Naruna Costa, por “Pele de Rinoceronte”. Foto: Edison Vara/Ag.Pressphoto
Com uma carreira que atravessa diferentes linguagens, Naruna foi protagonista da série “Irmandade” e também integrou produções como “Todas as Flores”, “Beleza Fatal” e “Falas Negras”. Mais recentemente, participou da novela “Coração Acelerado” e do longa “Dolores”, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar. A atriz também estará nas séries “Instinto”, do Globoplay, e “Habeas Corpus”, da Netflix, além dos filmes “Amadeo”, “Delicadeza” e “Os Demônios da Rua Scarpa”.
Para além da atuação, Naruna Costa também é diretora, cantora e compositora. A artista prepara sua estreia na direção de longas-metragens com um documentário sobre o poeta Sérgio Vaz e atualmente atua como professora no Curso de Atuações do Centro de Pesquisa Teatral.
Entre o teatro, a televisão e o cinema, sua trajetória permanece profundamente ligada ao território de onde veio. Naruna Costa constrói uma arte que coloca as periferias paulistanas, a negritude, a memória e a resistência no centro da narrativa, reafirmando o cinema e o teatro como espaços de representação, transformação e disputa de novas perspectivas.
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