Varanda abre o segundo semestre com novo álbum e parceria com Fernanda Takai

Portal Inhaí
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O sonho é a seiva temática que costura o novo álbum de estúdio da banda Varanda, chamado Às vezes um sonho pode ser um planeta inteiro ou uma canção ou uma cama com travesseiro de pluma de ganso ou um apagão ou a grande luz no meio desse grande túnel no qual estamos inegável infalível incansavelmente passageiros.

O disco chega no dia 28 de agosto, pelo Selo Sesc Minas Musical. Antes disso, em 14 de agosto, a Varanda apresenta o single “Anjo de Papel”, antecipando a chegada do álbum completo.

Com 11 faixas inéditas e autorais, o álbum apresenta um novo momento estético do grupo juiz-forano, formado por Mario Ricardo (guitarra), Amélia do Carmo (voz), Augusto Vargas (baixo e voz) e Bernardo Bara (bateria).

Gravado em São Paulo, Às vezes um sonho… teve produção musical de Fernando Rischbieter, que também assina a mixagem e a masterização ao lado de Pedro Vinci (Estúdio YB e Matraca Records/SP). O disco conta ainda com a participação especial de Fernanda Takai na canção “Sereno”.

O sonho como tema motriz

No que diz respeito à temática, este segundo álbum de estúdio da Varanda viaja para outra atmosfera, criando um espaço de invenção a partir do que os sonhos dizem — e até onde podem nos levar. O guitarrista Mario Ricardo aponta que a escolha dessa abordagem foi natural, resultado direto de um momento propício para que o tema dos sonhos ganhasse espaço.

“Passamos por muitas coisas novas e grandiosas nesses últimos anos. Desde o lançamento do Beirada [debut da Varanda, de 2024], muita coisa aconteceu. Acho que isso fez a gente botar mais fé nos nossos próprios sonhos e trabalho”, diz.

Foto: Yan Gabriel

Som e visão

Em Às vezes um sonho…, a Varanda passeia por linhas mais densas e sóbrias em seus arranjos, apropriando-se da abstração onírica para brincar com tudo aquilo que sonhar pode ser — ou até onde isso pode levar.

“Costurar todas essas músicas no espaço do sonho fez muito sentido quando olhamos para a amplitude das possibilidades de um sonho. O nome se fez num grande texto justamente para tentar abarcar essas muitas nuances da nossa perspectiva. Sonhar é também projetar, idealizar, viajar, fugir da realidade. Pode ser bom ou ruim — o sonho pode ser o fio de esperança que te conecta com a realidade ou a nuvem que te carrega pra bem longe dessa mesma realidade. Ser artista é caminhar por essa corda bamba, essa relação de amor e ódio com o sonho”, ressalta a vocalista Amélia do Carmo.

No leque de referências sonoras incorporadas e transformadas no novo disco, a Varanda recupera coisas que os integrantes da banda sempre curtiram e ouviram, mas que ainda não haviam chegado à epiderme do som. O rock dos anos 60 e 90 trazido por Mario, os discos de Yo La Tengo e Stereolab que não saíam dos fones de Augusto e as intenções vocais que Amélia ainda não havia experimentado. Ou, como resume o baterista Bernardo Bara: “Nesse segundo álbum o tiro é mais certo, tem uma direção mais clara e reflete o entrosamento que esses anos de estrada vêm trazendo”.

A produção de Fernando Rischbieter também foi um elemento importante na construção dos arranjos de Às vezes um sonho…. Para o produtor, o processo passou pela percepção de que as ideias da banda já apontavam para uma sonoridade específica.

“Foi um processo muito feliz perceber que as ideias fluíram e que os desafios foram sendo vencidos de maneira criativa. Já nas demos que a banda me mandou, senti ecos de uma sonoridade que remetia à segunda metade dos anos noventa, umas tintas meio PJ Harvey, Smashing Pumpkins e Pato Fu. Isso me deu vontade de usar ferramentas como o Mutator, que é um filtro analógico que você pode processar qualquer fonte sonora, dando um ar de ‘futuro do passado’”, indica Fernando.

É claro que o visual da banda também se modificaria em Às vezes um sonho…. Tanto nas fotos de divulgação, feitas por Yan Gabriel, quanto na capa, ilustrada por Pietra Coelho, há uma estética nostálgica e onírica que, de certa forma, traduz o que a Varanda quer cantar agora.

“O ensaio de fotos foi todo feito em filme porque estávamos dispostos a abraçar o inesperado — e foi justamente o que aconteceu”, detalha Amélia. “Houve um problema com o revelador do filme colorido e o resultado foram ruídos, cores e texturas inesperadas, que, no fim das contas, agradaram bastante a gente. Apareceram novas camadas para esses experimentos e foi uma tradução visual bem feliz do que a gente experimentou musicalmente também”, aponta.

Mas antes, um “Anjo de Papel”

Escolhida como single, “Anjo de Papel” é uma canção que traduz bem o conceito do novo álbum da Varanda. “Acho que por ser uma canção que me veio quase de um lugar onírico, porque os primeiros versos dessa música vieram pra mim do nada, em uma manhã. E aí fui construindo a música a partir daí”, destrincha o compositor Augusto Vargas.

“Penso que essa música é um convite pro ouvinte sonhar, entrar em contato com essa nostalgia da infância e, ao mesmo tempo, encarar um tempo que não volta. É um excelente ponto de partida para entender o clima que o álbum vai ter.”

Sobre a Varanda — Formada por Mario Ricardo (guitarra), Amélia do Carmo (voz), Augusto Vargas (baixo e voz) e Bernardo Bara (bateria), a Varanda é uma banda de Juiz de Fora (MG) que vem ampliando sua circulação nacional desde o lançamento de uma série de singles, a partir de 2021, e, mais recentemente, do primeiro álbum de estúdio, Beirada, de 2024.

Com o indie pop como ponto de partida, a identidade sonora da Varanda também passa pelo rock psicodélico, dream pop, MPB e outras referências que se misturam nas composições do grupo. Em 2026, a banda estreou no Lollapalooza Brasil, em São Paulo, e, meses depois, prepara o lançamento do segundo disco, Às vezes um sonho pode ser um planeta inteiro ou uma canção ou uma cama com travesseiro de pluma de ganso ou um apagão ou a grande luz no meio desse grande túnel no qual estamos inegável infalível incansavelmente passageiros, com produção musical de Fernando Rischbieter e distribuição pelo Selo Sesc Minas Musical.



Por Midia Ninja

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