Por Marjourie Corrêa
Falar de futebol feminino por muito tempo significou olhar apenas para quem estava com a bola nos pés, mas é preciso ter consciência de que a verdadeira revolução da modalidade no Brasil passa por outra pergunta urgente: quem ocupa as cadeiras onde as decisões são tomadas?
A profissionalização do esporte não é feita apenas de bons salários e gramados adequados, embora isso também seja uma necessidade e ainda urgente. A verdadeira mudança do esporte vai além disso, porque exige a presença de mulheres na liderança de diversos setores. Marketing, arbitragem, tecnologia, governança e ciência do esporte.
Com a aproximação da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil e o avanço do Projeto de Lei que coloca o futebol feminino como prioridade na política pública nacional, o debate ganha contornos de reparação histórica e urgência institucional.
Ocupar a gestão para transformar o jogo
A mudança já é visível no cotidiano dos clubes e entidades brasileiras:
- Na linha de frente dos clubes: Nomes como Thais Picarte no Santos, Tamarisa Lopes no Internacional e Laura Louzada no Botafogo-SP mostram que o olhar feminino reorganiza a base, o marketing e a inclusão. No Juventude, metade dos departamentos já é liderada por mulheres.
- Nas comissões técnicas e ciência: Profissionais como Bruna Vasconcelos, no Fortaleza, e Camila Estefano provam que a presença feminina é indispensável no rendimento e na formação de atletas.
- Na representatividade de topo: A consolidação de Leila Pereira no Palmeiras, somada à atuação de Cris Gambaré e Aline Pellegrino na CBF, com Pellegrino assumindo a Diretoria de Legado do Mundial de 2027, mostra o tamanho da ocupação que está em marcha.

Comparado ao que vem sendo feito ao redor do mundo, o movimento acompanha passos semelhantes em clubes da Europa e na própria FIFA, onde a estrutura da Copa no Brasil já conta com 70% de mulheres em sua equipe de operação.
Mais que representatividade: poder de decisão
Para que os efeitos se concretizem, é preciso entender que colocar mulheres na gestão não deve ser feita como uma medida apenas para preencher algum tipo de cota em organograma ou atingir metas. É preciso a transformar a lógica do mercado, furar as bolhas das antigas redes de influência masculinas e criar referências reais para as próximas gerações, para que seja feita uma mudança cultural, rompendo a lógica estrutural de como é feito hoje em dia, para que uma garota que ama futebol tenha consciência que pode ser jogadora, se quiser, mas pode (e deve!) também ser presidente, diretora, estrategista ou técnica.
É muito importante também que não se permita que todo esse movimento, muito menos o legado de 2027, se encerre com o apito final da Copa, porque o verdadeiro e grande impacto estará na estrutura permanente que ficará para o esporte brasileiro, garantindo investimento, igualdade e respeito. Para democratizar o futebol de forma definitiva, é fundamental garantir que as mulheres não estejam presentes apenas na hora de jogar, mas principalmente no momento de decidir os rumos do esporte no país.
Texto produzido com informações de GE, MKT Esportivo e UOL.
