A pressão por acesso ao lenacapavir chegou ao estande do Ministério da Saúde na 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS. Em uma manifestação realizada nesta quinta-feira (30), ativistas interromperam as atividades do espaço com palavras de ordem e exigiram que o governo brasileiro adote medidas para ampliar o acesso ao medicamento.
“Quebra de patente já!” ecoou pelos corredores do Riocentro enquanto manifestantes denunciavam que não é possível aceitar negociações que mantenham medicamentos essenciais inacessíveis para quem precisa.

A ativista Susana Van der Ploeg resumiu a principal reivindicação do ato: “Nós não podemos aceitar que o Ministério da Saúde negocie nossas vidas. Nós queremos a quebra de patente já!”
O lenacapavir é uma tecnologia altamente eficaz para a prevenção e o tratamento do HIV e tem potencial para transformar o enfrentamento da epidemia em escala global. No entanto, segundo os ativistas, o preço abusivo e as barreiras impostas pelas patentes mantêm o medicamento fora do alcance de milhões de pessoas, especialmente nos países de baixa e média renda.
Apesar de ter sido testado em pesquisas clínicas com participação brasileira e aprovado pela Anvisa, o medicamento continua inacessível para a maior parte da população devido ao monopólio exercido pela Gilead.
Durante o protesto, os ativistas cobraram uma posição mais firme do Ministério da Saúde diante do monopólio da indústria farmacêutica e defenderam que o governo adote mecanismos como o licenciamento compulsório para permitir a produção de versões genéricas e ampliar o acesso ao lenacapavir.
A mobilização ocorre em meio à crescente pressão internacional para que governos coloquem a saúde pública acima dos interesses comerciais e assegurem que uma tecnologia capaz de transformar a resposta ao HIV chegue a todas as pessoas que dela necessitam. Para os movimentos sociais, não basta negociar preços. É preciso enfrentar o monopólio das patentes para garantir acesso universal ao lenacapavir.
