Pioneiras da Seleção Brasileira deixam legado para as gerações

Portal Inhaí
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Por Sofia Ricardo – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

A história do futebol feminino no Brasil é, desde sempre, marcada por resistência, busca de reconhecimento e valorização. Em 1941, Getúlio Vargas assinou um decreto que proibia mulheres de jogarem futebol no país, estreitando ainda mais a livre existência das mulheres nesses espaços. Foi apenas em 1979 que a lei foi revogada, e assim, em 1983, a modalidade foi regulamentada.

O Esporte Radar Clube foi o pioneiro na modalidade, que adotou o futebol feminino em 1981. O clube carregou nomes e serviu de base para a futura Seleção feminina. Fizeram parte ex-atletas como Marilza Martins da Silva, a Pelezinha, além de Marisa Pires, a Caju, primeira capitã da Seleção Brasileira Feminina, e Márcia Matos, a Russa, que participou do Mundialito e foi bicampeã sul-americana em 1991 e 1995.

Em 1986, a Seleção Brasileira Feminina foi formada e realizou seu primeiro jogo oficial, contra os Estados Unidos, encerrando a partida com 2 a 1. Alguns anos depois, em 1988, ocorreu o torneio da FIFA na China, marcado pelas diversas personalidades pioneiras: Marisa Pires, Roseli de Belo, Márcia Matos, Marilza Martins da Silva, Suzana Cavalheiro, Fia e Cebola. Essas mulheres conquistaram um sonho, mas também precisaram enfrentar o machismo.

A falta de reconhecimento e valorização do futebol praticado por mulheres vem em decorrência do preconceito que existe há anos. A seleção formada em 1986/1988 participou do chamado Torneio Experimental da China, que teve início no dia 1º de junho de 1988 e contou com a participação de doze países: Austrália, Noruega, Tailândia, China, Holanda, Canadá, Costa do Marfim, Japão, EUA, Suécia, Tchecoslováquia e Brasil. A competição durou até o dia 12 e foram realizados 26 jogos, somando 81 gols marcados, aproximadamente 3,1 por partida. Segundo os dados da FIFA, totalizou 375.780 pessoas, ou seja, uma média de 14.453 por jogo. Os dados reforçam que o evento teve um grande número de público.

Em 1991, ocorreu a primeira Copa do Mundo Feminina oficial, que contou com jogadoras como Meg, Rosa Lima, Marisa, Elane, Marcia Silva, Fanta, Marilza, Solange, Adriana, Roseli, Cenira, Miriam, Márcia Tafarel, Nalvinha, Pretinha, Doralice, Rosangela Rocha e Maria Lúcia,

LEGADO PARA O FUTEBOL ATUAL

A trajetória e trabalho das pioneiras abriram caminhos para as jogadoras que vieram em seguida. Por serem pioneiras na Seleção, acabaram por receber massivamente ataques e comentários que reforçam o preconceito, mas sua presença no esporte também serviu de inspiração para diversas outras mulheres, que perceberam que podem fazer o mesmo.

Marisa, a capitã, fez parte da primeira Seleção e disputou o primeiro Campeonato Mundial da FIFA, realizado em Guangdong, na China, em 1988. Participou de três Mundiais (1988, 1991 ambos na China e 1995 na Suécia), uma edição dos Jogos Olímpicos (1996 em Atlanta -USA) e dois Sul-Americanos (1991 e 1995, ambos no Brasil).

Ex-capitã Marisa (Foto: Reprodução/@marisacaju)

A imperatriz da bola, Sissi, nascida em Esplanada, interior da Bahia, esteve presente na primeira formação da Seleção Brasileira, em 1988. Em 2000, a atleta camisa 10 na Copa de 1995, foi eleita a segunda melhor jogadora do mundo, pois impressionava pela habilidade com a bola e por ser ótima na cobrança de faltas. 

Jogadora Sissi (Foto: Reprodução/@selecaofemininadefutebol)

Pretinha começou sua trajetória nos subúrbios cariocas de Realengo e Campo Grande. Após 4 anos da primeira formação de jogadoras da Seleção (1988), entrou para a equipe em 1991. Ela foi a primeira jogadora brasileira a marcar um gol em Olimpíadas e a primeira artilheira da seleção nos Jogos de Atlanta, em 1996. Também foi artilheira em 2004, em Atenas, quando o Brasil conquistou a primeira prata.

Pretinha (Foto: Reprodução/@pretinha_12)

Entraria para a equipe nacional, em 1995, Formiga, a volante com maior número de jogos pela Seleção Brasileira masculina ou feminina, com maior número de participações em Mundiais (7) e a mais velha a disputar uma Copa do Mundo – feito obtido na França, em 2019. 

Formiga (Foto: Reprodução/@Oficial_formiga)

Depois, em 2002, Marta aparece como atleta da Seleção. Nascida em Alagoas, foi eleita a melhor jogadora do mundo na Copa da França, ela tornou-se a maior goleadora da competição, com 17 gols. Vale relembrar que o Brasil conquistou a medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004, tendo ocorrido na primeira participação em Olimpíadas e com pouco tempo de investimento do futebol feminino no País.

Marta, camisa 10 da Seleção Brasileira (Foto: Amerpear via Wikimedia)

Angelina nasceu em Nova Jersey, nos Estados Unidos, mas tem dupla nacionalidade. Em 2021, entrou para a Seleção. As principais conquistas incluem a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o título da Copa América com a Seleção, além do troféu da Liga Nacional (NWSL) pelo Orlando Pride.

Angelina (Foto: Reprodução/@angelinacostantino)

A lista de jogadoras que formaram a seleção ao longo dos anos é extensa, e as atletas que conquistaram seu espaço no futebol são uma continuação das pioneiras da Seleção Feminina de Futebol, que abriram os caminhos para as atuais jogadoras, que por sua vez continuam gerando novas oportunidades e visibilidade para as próximas gerações. Progressivamente, a infraestrutura, investimento e oportunidades para as mulheres no esporte crescem, apesar de ainda se ter desafios para receberem reconhecimento.

COPA DO MUNDO DE 2027

Em 2027, vai acontecer no Brasil a Copa do Mundo feminina, sendo sediada pela primeira vez na América do Sul. Essa edição contará com 32 seleções e terá 8 cidades-sede, sendo elas:  Belo Horizonte (Mineirão), Brasília (Mané Garrincha), Fortaleza (Castelão), Porto Alegre (Beira-Rio), Recife (Arena de Pernambuco), Rio de Janeiro (Maracanã), Salvador (Arena Fonte Nova) e São Paulo (Neo Química Arena). 

As possíveis jogadoras da Seleção Brasileira que podem ser escaladas para a Copa do Mundo Feminina de 2027 são: Lorena (KC Current) como goleira, Isa Haas (Club América), Tarciane (Lyon) e Mariza (Tigres) como defensoras. Meio-campistas estão Angelina (Orlando Pride); Duda Sampaio (Corinthians); Ary Borges (Angel City); Yaya (PSG). E como atacantes estarão Amanda Gutierrez (Boston Legacy), Gabi Portilho (San Diego Wave), Gio Garbelini (Atlético de Madrid), Kerolin (Manchester City) e Marta (Orlando Pride).

Durante as nove edições de Copa do Mundo Feminina, entre as jogadoras com mais partidas no Mundial, a brasileira Formiga está em segundo lugar, tendo entrado em campo 27 vezes, atrás de Kristine Lilly, dos Estados Unidos, que esteve em 30 jogos.

A admiração pelo futebol feminino vem crescendo, reflexo do espaço que está sendo conquistado pelas mulheres ao longo desses anos. No Brasil, o interesse do público aumentou 34% desde 2018, segundo dados do Ibope Repucom, enquanto as buscas online sobre o tema cresceram 170% nos últimos cinco anos. Esse aumento é visto nas torcidas, na audiência em partidas do futebol feminino e até mesmo em repercussões nas redes sociais.

Além disso, em um movimento de resgate e valorização da memória das pioneiras, o Projeto de Lei 2653/26, da Comissão de Esporte do Senado, destina um prêmio de R$ 500 mil a cada jogadora da Seleção Brasileira de futebol feminino que participou, como titular ou reserva, da Copa do Mundo de 1995. O projeto ainda segue em análise e tramitação no Congresso.

FUTEBOL FEMININO NO EXTERIOR

Apesar da legalização e inclusão no futebol ter demorado, as mulheres já praticam o esporte há mais de 100 anos. Foi apenas em 23 de março de 1895, em Londres, na Inglaterra, que o primeiro torneio oficial de futebol feminino ocorreu. Organizado pelo British Ladies Football Club (BLFC), uma instituição de futebol de mulheres inglesas, lembra a Fédération Internationale de Football Association (FIFA). A competição foi entre os times do Norte (vermelho) e do Sul (azul) no campo do Crouch End Athletic, na capital britânica.

O jogo encerrou com um 7 a 1 e teve destaque com jogadoras como Nettie Honeyball, Florence Dixie, Helen Graham (goleira do Norte) e Daisy Allen (uma menina com idade entre 11 e 14 anos apenas). A partida se tornou um ponto de partida fundamental para a oficialização e prática do esporte ao redor do mundo, que viria a se oficializar no Brasil anos depois.

O legado das pioneiras da Seleção Feminina de Futebol do Brasil envolve a profissionalização do esporte praticado por mulheres e também serviu de inspiração para as outras gerações, que continuam dominando o campo e se destacando cada vez mais.



Por Midia Ninja

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