De Mussolini a Putin, como ditaduras transformaram a Copa do Mundo em propaganda política 

Portal Inhaí
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Por Labelle Fernanda, para cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

Enquanto torcedores comemoravam gols e títulos, governos enxergavam outra disputa em campo: a da construção de sua própria imagem. Em diferentes edições da Copa do Mundo, regimes políticos transformaram o maior torneio de futebol do mundo em uma vitrine política, usando o esporte para exaltar o poder e fortalecer sua imagem perante a população e a comunidade internacional.

Desde a criação da competição, diferentes edições foram marcadas pelo chamado sportswashing, conceito que descreve o uso de grandes eventos esportivos para atenuar ou desviar a atenção de críticas relacionadas a violações de direitos humanos, conflitos políticos ou práticas autoritárias.

Itália 1934: o Mundial a serviço do fascismo

Um dos primeiros casos ocorreu em 1934, na Copa do Mundo realizada na Itália, quando o regime fascista de Benito Mussolini utilizou a competição para fortalecer sua propaganda política e transmitir uma imagem ultranacionalista do país. O esporte ocupava um papel central na construção da identidade nacional e na demonstração da força do regime.

Naquele período, o governo investiu em grandes obras públicas, desfiles, eventos e competições esportivas para transmitir uma imagem de ordem, eficiência e grandeza. Há também suspeitas de decisões de arbitragem favoráveis à Itália, especialmente em partidas decisivas.

Brasil 1970: o tricampeonato e a ditadura militar

Já em 1970, na Copa do Mundo disputada no México, em que a Seleção Brasileira conquistou o tricampeonato, o Brasil enfrentava um dos períodos mais repressivos da ditadura militar. O governo do general Emílio Garrastazu Médici aproveitou o sucesso da equipe para tentar desviar a atenção da turbulência política vivida pelo país.

A música “Pra Frente Brasil”, criada como um jingle para incentivar a Seleção Brasileira durante o Mundial, passou a ser utilizada para reforçar uma narrativa de união nacional, patriotismo e otimismo em relação ao país.

Argentina 1978: futebol em meio à repressão

Na Copa de 1978, sediada pela Argentina, o país vivia a ditadura militar comandada por Jorge Rafael Videla. A poucos quilômetros do Estádio Monumental, onde foi disputada a final, funcionava a Escola de Mecânica da Armada (ESMA), um dos principais centros clandestinos de detenção e tortura do regime. O governo utilizou o torneio para melhorar sua imagem internacional, enquanto organizações de direitos humanos denunciavam desaparecimentos forçados e perseguições políticas. A goleada por 6 a 0 sobre o Peru, que garantiu a classificação da Argentina para a final, permanece cercada por suspeitas de favorecimento político, embora nunca tenham sido comprovadas.

Rússia 2018: a volta do debate sobre sportswashing

A Copa do Mundo da Rússia, em 2018, aconteceu em meio a críticas internacionais relacionadas à anexação da Crimeia, às restrições à liberdade de imprensa e a denúncias de violações de direitos humanos. Para historiadores, o governo de Vladimir Putin utilizou o Mundial como uma oportunidade para projetar uma imagem de eficiência, organização e estabilidade diante da comunidade internacional.

O torneio também reacendeu o debate sobre o sportswashing, termo utilizado para descrever a estratégia de governos e instituições de recorrerem a grandes eventos esportivos para melhorar sua reputação internacional e reduzir o impacto de críticas sobre suas ações políticas.



Por Midia Ninja

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