É uma coisa louca, que mexe com a gente (e eu não falo só do Brasil)

Portal Inhaí
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Crônica de Paula Cunha, para a Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

A Copa do Mundo já começa com uma sensação de cansaço. O brasileiro está saturado. Saturado dos jogadores, das polêmicas, do futebol que promete e não entrega. Mas esse desgaste dura pouco, muito pouco, só os primeiros minutos. Mas antes, peraí: quem sou eu pra opinar? Ora, ora: todo brasileiro é comentarista e eu, assim como minhas amigas e família, vamos dar nossos palpites. Na maior parte do tempo, eu não gosto muito dos jogadores, mas, aconteça o que acontecer, eles vão ter meu amor incondicional. Confuso, né? Onde foi parar minha racionalidade?

Eu preciso me envolver menos com futebol, é o segundo jogo que eu fico assim e o outro era amistoso. Mas a bola vai rolando e vai me dando uma ansiedade… Dessa vez fiquei até enjoada no pré-jogo e, pior, durante. Depois do gol do Marrocos, fiquei triste, muito triste. Aí comemorei o gol do Vini Jr. e meu coração disparou. Disparou e não acalmava, não voltava ao normal por nada. Coloquei o aparelho medidor de batimentos: 132, 135,138. Ai meu Deus do céu! Eu vou ter um negócio que nem aquele homem que morreu na Copa passada. Fui tomar um ar gelado na janela e senti o cheiro de chuva e churrasquinho, parecia Ano Novo quando chove.

Então o Romário acha que quem sentiu que o empate com o Marrocos foi uma derrota não entende de futebol? Mas quem precisa entender pra saber que o jogo não foi bom? Hoje me deparei com esses dados divulgados pela Fifa: Vini Jr foi o jogador mais veloz da Seleção Brasileira no jogo, com 34,1 km/h, enquanto Casemiro foi o mais lento, com 26,5 km/h. Fala a verdade: quem não sabia que o Vini Jr tinha jogado bem e o Casemiro, não tão bem, pra não falar outra coisa?

Durante a partida do Brasil, eu queria tirar do jogo e colocar em algo comfort: Harry Potter. Minhas bochechas ficaram quentes. É, perder dá vergonha. De repente comecei a me preocupar se os jogadores vão se machucar. Nunca tinha pensado nisso, mas assisti esse jogo pensando nisso. A verdade é que, enquanto eu tentava entender o jogo, meu corpo dizia: “Não, nós só vamos sentir.”

No dia seguinte, enquanto via jogos novos e alguns replays, a Copa seguiu me emocionando. O Paraguai ficou 16 anos sem participar de uma Copa do Mundo e a emoção agora era tão grande que um jogador chorou na coletiva de imprensa. O técnico disse: “Meus jogadores estão mesmo emocionados e eu quero que eles sintam isso’’. Vi Curaçao fazer seu primeiro gol numa Copa do Mundo e Cabo Verde, em sua primeira participação, conseguiu segurar a Espanha no zero a zero. Vozinha, o goleiro, foi muito elogiado e viu seu Instagram pular de 50 mil pra mais de um milhão de seguidores. O técnico da Tunísia foi demitido depois de um jogo: 5 a 1 para a Suécia. Pois é, não tem ninguém de brincadeira.

E apesar do meu sofrimento no último sábado, preciso confessar uma coisa: a ansiedade também pode ser positiva. Ela pode te impulsionar e estimular de um jeito bom, se for em pequenas doses. Em imensas, como a minha no jogo do Brasil, vira sofrimento e aí nada mais é importante, porque acaba a brincadeira. Eu tento pegar leve comigo enquanto tomo meu chá de maracujá e camomila e marco mais uma consulta na cardiologista. Sexta-feira tem mais e eu vou torcer de pijama. É muito bom assistir futebol todo dia!



Por Midia Ninja

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