Para onde vai a audiência? A disputa da mídia na Copa do Mundo

Portal Inhaí
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Por Analice Ruas e Danielly Amaro – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Durante décadas, acompanhar uma Copa do Mundo era uma experiência relativamente parecida para a maioria dos brasileiros.

Os jogos passavam na televisão, os debates aconteciam nos programas esportivos e os principais veículos de comunicação influenciavam boa parte dos assuntos que dominavam as conversas do dia seguinte. A narrativa do Mundial passava pelas mãos de grandes emissoras, narradores conhecidos e jornalistas especializados que ajudavam a construir os personagens, as rivalidades e os momentos marcantes de cada edição.

A Copa de 2026 acontece em uma realidade um pouco diferente.

Pela primeira vez, milhões de pessoas acompanham o mesmo torneio por caminhos completamente distintos. Alguns assistem aos jogos pela televisão aberta. Outros preferem transmissões digitais, cortes nas redes sociais, podcasts, canais independentes ou conteúdos produzidos por criadores que sequer pertencem aos veículos tradicionais de imprensa.

A mudança parece simples, mas altera profundamente a forma como o futebol é consumido.

Se antes poucas empresas concentravam a atenção do público, hoje a disputa acontece em várias telas ao mesmo tempo.

Poucos casos representam melhor essa transformação do que a ascensão da CazéTV. Em poucos anos, o projeto liderado por Casimiro Miguel deixou de ser apenas um fenômeno da internet para se tornar uma das principais forças da cobertura esportiva brasileira. A plataforma mostrou que existe espaço para uma linguagem mais próxima do público digital e passou a disputar audiência diretamente com empresas que dominaram a transmissão esportiva por décadas.

Foto: Divulgação/CazéTV

Isso não significa que a Globo tenha deixado de ser relevante. Pelo contrário, a emissora continua sendo uma das maiores potências da comunicação brasileira. Mas a simples existência dessa disputa já representa uma mudança significativa em relação às Copas anteriores, quando a atenção do público estava muito mais concentrada em poucos veículos. Hoje, a cobertura esportiva é distribuída entre diferentes plataformas e formatos de conteúdo.  

Ao mesmo tempo, a transformação não envolve apenas empresas de comunicação. Ela também muda quem ocupa os espaços de exposição dentro dos grandes eventos esportivos.

A presença da influenciadora Virginia Fonseca em ações ligadas à Copa do Mundo gerou críticas e discussões nas redes sociais. Enquanto parte do público questionava seu conhecimento em relação ao futebol, outros apontavam que seu alcance digital e influência explicam exatamente por que ela está ali.

A discussão revelou um conflito cada vez mais comum na comunicação contemporânea: o que define a relevância hoje? Experiência e especialização ou capacidade de alcançar milhões de pessoas?

Foto: Reprodução/Instagram

Não existe uma resposta simples.

O fato é que a influência digital passou a ter um peso que seria difícil imaginar há alguns anos. Em um ambiente onde atenção vale dinheiro, audiência e visibilidade, criadores de conteúdo se tornaram peças estratégicas para marcas, patrocinadores e organizadores de eventos.

Mas nem os influenciadores são a única novidade desta Copa, a Inteligência Artificial também entrou em campo.

Ferramentas capazes de criar imagens, vídeos, legendas e textos em poucos segundos passaram a fazer parte da rotina de empresas de mídia e criadores de conteúdo. O avanço da tecnologia trouxe novas possibilidades para a produção de informação, mas também abriu espaço para dúvidas e questionamentos.

Recentemente, uma publicação da revista Veja gerou repercussão após utilizar conteúdo produzido com IA, reacendendo debates sobre transparência, credibilidade e os limites éticos do uso dessas ferramentas no jornalismo.

Foto: Reprodução

Em um torneio que mobiliza bilhões de pessoas ao redor do planeta, a velocidade da informação ganhou um papel central. Ao mesmo tempo, a necessidade de identificar o que é real, verificar conteúdos e compreender quem está produzindo cada narrativa também nunca foi tão necessária.

No fim das contas, Globo, CazéTV, Virginia Fonseca e IA fazem parte da mesma história. Todos representam diferentes formas de disputar a atenção do público em uma Copa do Mundo que já não pertence a uma única tela, plataforma ou voz.

Se antes milhões de brasileiros assistiam à mesma Copa, hoje cada pessoa acompanha um Mundial diferente. Uns pela televisão. Outros pelas redes sociais. Alguns por influenciadores. Outros por jornalistas. E há quem receba informações produzidas por algoritmos antes mesmo de abrir um site de notícias.

A bola continua a mesma. O que mudou foi quem tem o poder de contar a história dela.



Por Midia Ninja

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