Por Mark Maia
A CABANUS, Coletivo Amazônico de Batidas Anárquicas Noturnas e Ultra Subversivas, completa 1 ano de resistência celebrando a mistura de sonoridades como funk, eletrônica e o ritmo contagiante “Rock doido”, culminando em um gênero tipicamente regional: a evolução do som paraense. A festa acontecerá no Palácio dos Bares, no dia 22 de maio, a partir das 22h.
O ritmo que cresce diretamente das periferias de Belém mostra um cenário em comum com outros locais do Brasil: o aumento da onda de novos ritmos e novas formas de expressão musical, e o Norte não ficaria de fora disso.
O coletivo nasceu no dia 5 de abril de 2025, idealizado por DJ Argel, DJ Sacra e DJ Hibisco, a partir da necessidade de pertencimento. Diferente dos gêneros musicais comerciais que predominam no mercado fonográfico brasileiro, a CABANUS é um grito de liberdade da experimentação musical, onde DJs nortistas se encontram para manter viva a cultura underground com um toque regional, diferenciando-se das demais sonoridades.
“Nasceu muito dessa necessidade de ter um espaço em que eu pudesse tocar umas coisas mais diferentes, mais experimentais, e os meus amigos também”, relata um dos idealizadores do coletivo, DJ Argel.


O projeto já reuniu diversos DJs da cena local e nacional, como DJ Méury, Miss Tacacá e os cofundadores da Submundo 808, Tresk e Clei, considerada a maior festa de funk submundo do cenário, além de representar diversos ritmos, como eletrônico, experimental e diferentes vertentes do funk: submundo, bruxaria, rock doido e outros gêneros nortistas.
“Eu queria que tivesse um senso estético, um senso de pertencimento, um senso que realmente dialogasse com a cena local, com a nossa cultura e com a nossa história”, acrescenta DJ Argel.
A proporção do alcance do evento mostra a potência do cenário underground: milhares de pessoas já passaram pelas edições da CABANUS e impulsionam a música experimental do Norte. O encontro, que será realizado nesta sexta-feira, 22, no Palácio dos Bares, demonstra a versatilidade e a multiplicidade de rostos e gêneros musicais, sendo uma declaração à cultura musical noturna.
“É gratificante demais ver que todo o esforço vem trazendo resultados e aumentando cada vez mais a cultura e a cena urbana de Belém. Cada CABANUS tem sido maior e, em cada edição, a gente vê um grito de autenticidade local e autoafirmação que exalta nossa autenticidade musical, e isso acaba sendo gás”, afirma DJ Sacra, idealizador do coletivo.
O evento vai muito além de uma reunião: é uma comunhão de modos de vida, gostos musicais, estilos e estéticas únicas. A escolha do Palácio dos Bares para celebrar esse 1 ano de atuação é estratégica. O local é responsável pela disseminação da música eletrônica amazônica, sendo também a casa das aparelhagens e da cultura periférica. Localizado especificamente no Jurunas, bairro periférico e às margens do rio, simboliza a identidade amazônica e a periferia urbana.


Para uma das idealizadoras da CABANUS, DJ Hibisco, o Palácio dos Bares é cultura viva paraense, acumulando décadas de memória popular e carregando um simbolismo particular da herança noturna contemporânea de Belém.
“Ali tem muita história, tanto em relação ao tecnobrega quanto ao rock doido, que é um dos estilos que nós contemplamos na CABANUS, além das aparelhagens. Ele foi escolhido pelo mesmo motivo que a Feira do Açaí, palco da nossa última edição da CABANUS na rua: o rio, a arquitetura, a noite de Belém, os sons da cidade… tudo isso faz parte da experiência que queremos propor, pois são espaços que carregam a essência amazônica e precisam ser exaltados por isso”, relata DJ Hibisco.
O movimento de começar algo novo para as próximas gerações de produtores é uma forma de exaltar o patrimônio simbólico e, de acordo com DJ Hibisco, ocupar diversos lugares com arte, mantendo-a viva para essa nova geração.
A line-up que irá se apresentar nesta edição é reflexo do próprio objetivo do coletivo: reunir artistas da margem com sonoridades experimentais que se integram à identidade do evento e da CABANUS. Estão confirmados nomes da cena jovem experimental como Kadoosh, Coytada, Zero, Guadalajara e JonJon, além dos idealizadores da CABANUS: Argel, Sacra e Hibisco.
A CABANUS é um convite ao pertencimento e à construção coletiva, agindo como um mecanismo cujo objetivo é a liberdade sonora e o fomento à criatividade sem perder a identidade. O coletivo não pertence somente às noites, mas também ao DNA do som brasileiro e nortista. É uma forma autêntica de conectar diferentes expressões da cultura urbana amazônica, não apenas na sonoridade, mas em todas as formas artísticas vindas predominantemente da periferia, colocando as margens no centro da capital do Norte.
