O livro Violência Algorítmica e Vidas LGBTQIAPN+, lançado na última semana e escrito pelas pesquisadoras Bruna Irineu e Larissa Pelúcio, reúne debates sobre tecnologia, poder e resistência na era digital. A obra chegou às vésperas do 17 de maio, Dia Internacional de Combate à LGBTQIAPN+fobia, data histórica que rememora a despatologização da homossexualidade.
O argumento central é direto: a LGBTQIAPN+fobia não acabou — ela agora dispõe de uma infraestrutura, de um aparato digital. As mesmas plataformas que monetizam identidades LGBTQIAPN+ bloqueiam sistematicamente hashtags básicas de identificação da comunidade, desmonetizam criadoras e criadores e treinam modelos de inteligência artificial com informações que reiteram processos de patologização.
O TikTok, a Meta, a OpenAI e outras gigantes da tecnologia reiteram lógicas sistêmicas em que as vidas LGBTQIAPN+ são simultaneamente hiperidentificadas como interesse de mercado específico e hipersuspeitas como um desvio que deve ser vigiado e punido pelas plataformas, a partir de uma moderação silenciadora que não regula discursos de ódio na mesma medida em que retira conteúdos sobre diversidade sexual e de gênero.
O livro nomeia essa arquitetura como fascismo digital, que opera como um regime sociotécnico articulando autoritarismo político, conservadorismo moral e infraestruturas digitais para restaurar hierarquias excludentes.
Além disso, a obra também cartografa resistências em curso no Sul Global. Nas brechas que todo grande sistema produz, iniciativas de hackerativismo cuir, transfeminista e antirracista constroem contrapoderes ao se reapropriarem das tecnologias, expondo suas lógicas e abrindo fissuras nessas infraestruturas dominantes.
Publicada pelo Selo Editorial da Associação Brasileira de Estudos da Trans-Homocultura, a obra convoca a pessoa leitora a se somar na construção de um futuro que seja nosso, não do cis-tema.
Para download gratuito acesse o link: https://www.researchgate.net/publication/404754805_Violencia_algoritmica_e_vidas_LGBTQIAPN_ensaios_sobre_tecnologia_poder_e_resistencia_na_era_digital
