Por Evelyn Ludovina
A equipe do projeto “Ciência Cidadã como ferramenta de pesquisa em escolas ribeirinhas” retomou as viagens pelas comunidades de Rondônia para iniciar um novo ciclo de atividades. A iniciativa capacita estudantes de escolas públicas ribeirinhas para atuarem como cientistas da pesca, monitorando a atividade pesqueira com pescadores locais e contribuindo para a coleta de dados sobre espécies e práticas de pesca. Em 2026, o projeto foi ampliado e passou a atender também duas novas escolas na Reserva Extrativista do Lago do Cuniã.
A iniciativa integra o Programa Ciência Cidadã para a Amazônia, da Aliança Águas Amazônicas, que busca conectar organizações, democratizar a produção de conhecimento e fortalecer o manejo sustentável da pesca. Neste novo ciclo, a equipe também pretende reduzir a evasão registrada no ano passado, ampliando o envolvimento das escolas e fortalecendo o vínculo com gestores e professores, para integrar a iniciação científica à rotina escolar.
Além da formação técnica, o projeto busca estimular uma mudança de percepção dos estudantes sobre o território onde vivem e a importância da pesca para a subsistência das comunidades. Segundo a analista ambiental Dayana Catâneo, o engajamento começa pelo reconhecimento do próprio ambiente. A proposta é fazer com que os jovens compreendam a relevância do Rio Madeira, um dos principais rios da Amazônia, com grande diversidade de espécies, presente no cotidiano das comunidades ribeirinhas.
O incentivo à participação também inclui bolsas do programa “Jovem Cientista da Pesca Artesanal”, promovido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Um dos exemplos é o da estudante Fernanda Oliveira, da comunidade Terra Caída, que representou os bolsistas de Rondônia no lançamento do novo edital do programa, em Brasília. A experiência, segundo a equipe, contribui para que os jovens passem a investigar a própria realidade e valorizem o conhecimento tradicional das comunidades.
O biólogo Felipe Lins, integrante da equipe técnica, afirma que a mudança também é percebida nas famílias. “Vi alunos que eram alheios à atividade pesqueira se questionarem, depois de alguns meses: ‘por que comemos menos branquinhas do que antes?’ ou ‘não reparava qual espécie de peixe eu comia’”, relata. Para ele, a produção científica passa a dialogar diretamente com a subsistência das comunidades.
A troca de conhecimento também ocorre de forma horizontal. Jamile Ferreira, graduanda de Biologia da Universidade Federal de Rondônia, destaca que a pesquisa beneficia tanto estudantes quanto a equipe técnica. “Assim como os alunos, eu também venho adquirindo conhecimento com os resultados coletados por eles. É gratificante ver que o empenho deles está gerando bons resultados para a pesquisa”, afirma.
