‘Super Mario Galaxy: O Filme’ consolida o império da Nintendo no cinema

Portal Inhaí
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Por Hyader Epaminondas

Só quem teve o Super Nintendo como primeiro console no final dos anos 90 entende a nostalgia que esse universo carrega, aquela sensação única de que, por mais que o tempo passe e a tecnologia evolua, o Mario sempre te puxa de volta para dar mais um pulinho. Sem depender das locadoras, “Super Mario World” era o único jogo que eu tinha em casa, era um ciclo infinito de correr, pular, explorar mundos e tentar salvar a princesa, só para descobrir que ela estava em outro castelo.

Três anos após o sucesso colossal de “Super Mario Bros: O Filme”, era apenas questão de tempo até o encanador mais famoso do mundo retornar às telonas, agora em uma sequência mais ambiciosa e esteticamente deslumbrante, sob a direção da dupla Michael Jelenic e Aaron Horvath, para continuar as celebrações de seu aniversário de 40 anos de vida.

Se antes Mario mergulhava pelos canos do subsolo para dar início à sua jornada no Reino dos Cogumelos, agora ele é lançado para cima, atravessando a própria ideia de limite, até alcançar um espaço imerso em criatividade que deixa de ser destino e se transforma em superfície em constante expansão, onde a imaginação projeta aquilo que ainda não tem forma, abrindo definitivamente o extenso catálogo centenário da Nintendo para possíveis novas adaptações no audiovisual.

“Super Mario Galaxy: O Filme” toma como inspiração o jogo homônimo de 2007 e parte desse impulso e o reorganiza como um parque de diversões impossível, desses difíceis de explicar com palavras, com novos cenários onde cada curva revela um excesso novo, cada horizonte se desdobra em outro ainda mais vertiginoso.

As cores preenchem todo o espaço, elas vibram como estrelas recém-nascidas, irradiando um brilho quase tátil, como se pudessem ser colhidas com as mãos. Azuis em diferentes tonalidades que queimam como constelações em combustão, galáxias inteiras funcionando como luzes de um brinquedo que nunca desliga.

Além do Reino dos Cogumelos: Uma galáxia vibrante de novas possibilidades

Mesmo com um ritmo um tanto quanto acelerado e abarrotado de personagens novos, o filme encontra espaço para que cada um respire dentro da sua própria lógica, sem se perder no excesso. Infelizmente, o ponto baixo é o tratamento dado à estreia de Rosalina, que acaba deixada de lado para garantir o foco total no trio principal, apesar de protagonizar uma belíssima cena de ação na abertura do filme.

No centro, três forças conduzem o fluxo da narrativa como órbitas que se cruzam e se afetam: Peach, movida por um impulso ativo de resgate que inverte expectativas; Mario, guiado por um desejo quase gravitacional de ir atrás da princesa; e Bowser, surpreendido por um conflito interno, promovendo uma certa autocrítica sobre suas ações devido a uma fissura provocada pela presença de um novo antagonista, Bowser Jr., que o obriga a se encarar de outro ângulo.

A entrada de Yoshi se mostra mais um acerto nessa sequência, quase instintiva, trazendo calor e proximidade às relações. Sua presença reorganiza o ritmo das cenas e reforça o vínculo entre os personagens, criando momentos de conexão imediata. Enquanto isso, o convidado da vez é Fox McCloud, protagonista da franquia de videogames “Star Fox”, e o que torna sua aparição tão eficaz é o modo como ele se destaca. Sua aura de piloto veterano propositalmente forçada traz uma seriedade que rompe com o padrão, mas que, ironicamente, se encaixa com naturalidade na dinâmica pastelona do grupo.

A trilha sonora, por outro lado, assume um tom mais tímido em relação ao filme anterior ao recorrer à trilha original do jogo. Ela funciona, mas carece de impacto e de uma sinergia mais afinada com algumas cenas. A Illumination compensa visualmente ao apostar na abundância como linguagem: cores saturadas, luzes pulsantes e superfícies minuciosamente detalhadas constroem um espetáculo que convida o olhar a permanecer. Cada planeta carrega uma atmosfera própria, com texturas e ambientação que sugerem estados de espírito distintos, e o nível técnico impressiona pela precisão, enquanto a composição transforma cada quadro em um campo vivo de estímulos.

O que poderia soar disperso se organiza como convergência: até os eventos secundários parecem puxados por forças magnéticas invisíveis, encontrando seu lugar sem ruído, como se o caos fosse milimetricamente coreografado pela genialidade virginiana de Shigeru Miyamoto. Há uma coreografia contínua entre personagens e cenário, como se tudo orbitasse dentro de um mesmo campo emocional.

Blocos, plataformas, cores e texturas retornam com uma nitidez absurda graças ao trabalho impecável da Illumination. E assim, o que antes cabia em uma tela se projeta agora como arquitetura de um parque de diversões cósmico, onde o familiar não conforta, ele deslumbra outra vez, maior, mais intenso, quase infinito.

Há um cuidado em recriar cenários que evocam fases clássicas dos jogos, como se cada planeta fosse um bolo de aniversário de múltiplas camadas: uma mistura orgânica selecionada de “Super Mario Galaxy” e “Super Mario Odyssey”, levemente recheada com um pouquinho de “Super Mario Sunshine” e com a cereja desse bolo sendo “Super Mario World 2: Yoshi’s Island”.

A colaboração entre a Nintendo e a Illumination amadurece ao absorver a essência de “Super Mario Galaxy”, traduzindo para o audiovisual sua grandiosidade em um fluxo que cativa e abraça até os não convertidos, com uma história original que retroalimenta o material base: ele oferece contexto, novos dilemas e profundidade aos personagens, transformando mecânicas clássicas em momentos de história que tornam a experiência de revisitar os jogos ainda mais rica.

“Super Mario Galaxy: O Filme” se move como uma viagem contínua, onde cada órbita sugere retorno e cada salto abre novas possibilidades. O estúdio encontra um ponto de equilíbrio entre espetáculo e sensibilidade, conduzindo a narrativa com atenção aos mínimos detalhes.

O resultado é uma sequência vibrante, com um humor equilibrado que transita com excelência entre a escala épica e a intimidade necessária, definitivamente um prato cheio para os nintendistas, principalmente com a excelente dublagem nacional, que dispensa comentários.

E, para aqueles que não têm pressa de deixar a sala de cinema, as duas cenas pós-créditos são pistas do que vem por aí nesse futuro promissor da Nintendo nos cinemas.



Por Midia Ninja

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