Caio Blat cobra regulamentação dos streamings e alerta: ‘Estamos perdendo direitos no audiovisual’

Portal Inhaí
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Por Eduardo Sá

Desde criança presente nos palcos e na televisão brasileira, o ator Caio Blat, de 45 anos, não para de atuar e de uns tempos para cá também dirigir filmes e peças. Com mais de 30 anos de experiência nas telenovelas, filmes e palcos nacionais, segue participando de diversos projetos, muitos deles agora próprios de sonhos antigos seus. Nessa trajetória, boa parte de sua obra está relacionada à vida política do país e sempre se manifestou publicamente em defesa dos direitos democráticos e lutas em defesa de um Brasil mais justo. 

Foram quase 30 anos de trabalho na Rede Globo, onde atuou em novelas e minisséries de grande repercussão. No cinema, participou de filmes que retratam de  forma crítica o período da ditadura, como Batismo de Sangue, no qual interpretou o personagem principal de Frei Tito, que foi assinado pelos militares. Também atuou em filmes importantíssimos sobre a nossa história recente, como Xingu e Carandiru, dentre outros. Neste ano será lançado o filme Justino, cujo personagem principal feito por ele é um guerrilheiro homosexual expulso da igreja neopentecostal que luta contra o regime militar.  

Depois de uma temporada recente de sucesso em vários estados com a peça inspirada na obra Os Irmãos Karamazov, do escritor russo Dostoiévski, no dia 20 de março entrou em cartaz no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, Subvbersão Kafka, sobre os três últimos contos do escritor tcheco. Ambos são projetos antigos que, além de estrelados por ele, são também conduzidos sob sua direção. O espetáculo marca o encontro inédito dos três primos no teatro, sendo o dramaturgo Rogério Blat responsável pela montagem e a primeira vez que ele vai dividir o palco com o ator Ricardo Blat. A peça será apresentada em diversos estados nos próximos meses.

Na entrevista à Mídia Ninja, realizada antes da premiação do Oscar, ele ressalta a importância de se debater a regulamentação dos streamings e como isso tem impactado nas relações trabalhistas dos atores e na produção do audiovisual nacional. Fala também sobre a ótima fase do teatro e cinema nacionais, além da importância da cultura e dos artistas na sociedade. Trata ainda do ano eleitoral e a importância de lutar em defesa do regime democrático.

Você começou muito cedo a sua carreira profissional, queria que você falasse também sobre o desafio de o artista se inserir no mercado artístico? 

Caio Blat: Tive muita sorte. Comecei ainda criança, fazia muitas propagandas com uns 9 anos de idade. Tive uma escola muito boa em São Paulo, fui trabalhar na TV Cultura com 12 anos, na época de O Mundo da Lua, programas de altíssimo nível. Estava aprendendo tudo sobre a TV e a educativa respeitava o horário da escola, então foi um privilégio enorme. Fui também para o SBT, que produziu novelas magníficas nos anos 90, como As Pupilas do Sr. Reitor. Mas, ao mesmo tempo, via que muitos atores mirins não permaneciam na carreira depois da adolescência. Não tinha expectativa de ser ator profissional, era um hobby, um aprendizado. Tanto que estudei direito na USP, quando fui chamado para fazer um filme muito importante, o Lavoura Arcaica, meu primeiro filme de cinema, uma adaptação do romance super cultuado do Raduan Nassar. Tinha no elenco o Raul Cortez, Juliana Carneiro da Cunha, Selton Mello, então foi uma experiência incrível e marcante. Os diretores da Globo souberam e me chamaram para fazer um teste e me aprovaram. Me colocaram na série Chiquinha Gonzaga fazendo par com a Regina Duarte, e chamou muita atenção. A Chiquinha foi uma compositora genial, brilhante e revolucionária, que aos 52 anos se apaixonou por um rapaz de 17, se casou e ficou com ele o resto da vida. Tive o privilégio de contar essa história e fazer esse personagem, que me deu muito reconhecimento. Depois desses dois episódios fiquei 24 anos na Globo fazendo muitas novelas, séries, etc. Tive uma estabilidade muito grande, um respeito muito grande também da Globo pela minha carreira independente. Mesmo fazendo muitas novelas, estava o tempo inteiro no cinema e no teatro. 

A nossa carreira é muito difícil e não existe mais esse mercado, essa estabilidade, esses contratos longos. Os salários, que eram muito bons, têm diminuído, assim como os direitos sobre as re-exibições. Estamos passando por uma reinvenção do mercado, está mudando o jeito como o audiovisual é produzido, financiado e distribuído. A partir da internet, dessas empresas gringas que vieram para cá explorar o nosso mercado, que é o segundo maior de streaming do mundo. Elas chegaram aqui sem nenhuma regulamentação e estão explorando essa liberdade, e nós perdendo direitos. Os atores têm perdido os direitos de reexibição, de imagem, os cachês têm diminuído e não existe mais estabilidade.

Você diz que todo mundo virou PJ do ponto de vista contratual e trabalhista? Isso afeta os mais antigos e o pessoal mais novo também?

CB: Acho que acabou a CLT na minha profissão. Ter direitos trabalhistas, décimo terceiro, férias, isso não sei quando e se vai voltar. Então rolou uma “PJtização” geral e praticamente uma uberização também. Trabalha com diárias, com cachês menores e principalmente os nossos direitos de reexibição. A gente está numa luta muito grande, porque o Brasil não criou uma lei de direitos conexos. O ator não é reconhecido como autor do filme ou da novela que fez. Os autores são o escritor e o diretor. O ator que tem ali a sua imagem, a sua voz gravada na novela, no vídeo, não é um autor. Ele tem um direito chamado conexo, que nunca foi regulamentado no Brasil. As empresas gringas vêm aqui, pegam trabalhos feitos anos atrás, colocam no seu cardápio filmes, séries, novelas, reexibem e não pagam absolutamente nada para os atores que estão ali. E aí você tem atores, às vezes passando necessidade, desempregados, que ligam a TV ou entram no streaming e veem seus trabalhos disponíveis sem direito a nada. As pessoas não acreditam quando a gente fala isso. A Fernanda Torres foi a Brasília e falou que mesmo com um reconhecimento gigantesco pelo Ainda estou aqui, prêmios, Oscar, a cada vez que o filme é reexibido em algum streaming ela não recebe nada, mesmo sendo a atriz principal. 

O projeto de regulamentação do streaming, que também estamos numa briga enorme, está sendo feito a passos de tartaruga no Congresso e é uma lei muito tímida. Outros países já colocaram taxas muito maiores para os operadores explorarem o mercado. No nosso PL é oferecida uma taxa de 3% do lucro para investir na cultura brasileira, e ainda assim não passa. Esses 3% ficam aqui para distribuir em todas as regiões, democraticamente, como deveria ser, pelo Fundo Setorial, que gerencia tudo cobrado das empresas de audiovisual e reinveste no trabalho independente. Mas em vez de ir para o Fundo, estão sugerindo que os próprios streamings usem esses 3% para fazer as suas produções. Então, eles mesmos usam o que deveriam pagar de imposto para fazer produções no Brasil. Ou seja, abrimos mão também da decisão do que vai ser feito. Quando você põe no Fundo, tem um edital, concorrência no país inteiro, e isso é distribuído de forma democrática com temas que contemplam minorias e sotaques, por exemplo. Quando deixamos eles decidirem o que vai ser produzido, fazem o que é mais rentável e comercial. A gente pressiona o Ministério da Cultura para ser mais firme e tenta esclarecer o nosso Congresso, que não percebe a importância dessa lei. Parece que os artistas estão querendo algum tipo de vantagem.

Foto: Davi Victor
Foto: Davi Victor

Para a direita, o artista nunca foi bem visto de um modo geral. No governo Bolsonaro ficou muito evidente a interrupção do diálogo com a classe. Como é o papel do artista na sociedade? Como você vê o ofício em relação à sua função social? 

CB: Todo mundo questiona a função da arte dentro de um país em desenvolvimento. A gente tem tanto déficit educacional, de moradia, de saneamento básico, e como se justifica o investimento público na arte? A arte é a construção da nossa subjetividade e da nossa identidade. É o registro da nossa história. Quantos filmes fiz registrando a história do Brasil? A época que passamos pela ditadura, ou as conquistas, como o Xingu, um filme muito importante sobre a descoberta dessa civilização sofisticadíssima dentro da Amazônia e a luta para preservar essa cultura. Contar a nossa história é construir a nossa própria identidade. A importância das novelas num país pobre em que as pessoas não têm dinheiro para investir em lazer e entretenimento. Durante décadas, a novela foi a única fonte de diversão, alegria, distração, de cultura mesmo, para as pessoas. Então, a cultura é um espelho: através dos filmes e séries o Brasil se enxerga, se entende, se questiona. Todos os países desenvolvidos investem e têm subsídios para a cultura. As pessoas da direita adoram questionar a lei Rouanet, que é importantíssima. Os Estados Unidos investem milhões de incentivos para o cinema, porque eles sabem que isso divulga a sua cultura e aumenta a consciência de um país sobre o seu próprio valor e identidade. 

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) fez um estudo seríssimo recentemente, mostrando que a cada real colocado na cultura através de um incentivo, volta sete para a sociedade. Quando você faz um evento cultural,  promove um show, um festival de cinema, movimenta todo o bairro, os hotéis, vendem passagem, as pessoas vêm de outros estados, os restaurantes ficam cheios, os estacionamentos, os táxis, o Uber, as pessoas compram uma roupa nova para ir ao evento. Você movimenta toda a economia quando investe em cultura. Fora o resultado subjetivo, de valorização da nossa arte, história, identidade, é um investimento econômico também. Está comprovado pela FGV, que é uma referência em economia e estatística. Como o Wagner Moura disse muito bem, é difícil explicar a lei Rouanet para quem ainda não assimilou a lei áurea. Num país racista, misógino como o nosso, machista, falar em cultura é quase um luxo. 

O cinema nacional está num momento excepcional, bombando. Não que não existiam filmes maravilhosos, mas agora está com muita evidência. Como interpreta isso? 

CB: Desde a retomada do cinema brasileiro depois do corte, que acabou com tudo, quando teve o Carlota Joaquina, O que é isso, companheiro?, indicado ao Oscar, O Quatrilho, começou a nascer uma nova geração. O cinema se popularizou com a invenção das câmeras digitais, antes era tudo muito caro e artesanal e hoje qualquer um pode fazer um longa até com o celular. Surge uma nova linguagem, toda uma nova geração de roteiristas e autores. Na televisão víamos sempre os mesmos autores de novelas e hoje esse mercado está totalmente renovado. Todo dia surgem também atores novos talentosíssimos. O Brasil é muito rico culturalmente de talentos. O que temos lutado é para regularizar esse mercado, que oscila. Mesmo o Ainda estou aqui e O Agente Secreto com esse reconhecimento gigantesco, temos centenas de filmes que sem distribuição. O próprio Fundo Setorial é intermitente, liberado e depois é contingenciado durante vários anos. Então, dá a sensação de que o Brasil está no auge, porque realmente estamos com um reconhecimento internacional como nunca, mas a luta é grande. Ainda tem muitas fragilidades no setor, muita instabilidade. Os próprios streamings vieram para cá prometendo muito investimento, e acabaram recolhendo. Embora o Brasil tenha uma excelência na qualidade artística, estamos lutando para se transformar numa indústria para que isso seja sólido.

Na época da ditadura tinha um monte de artistas de várias áreas crescendo e virou uma coisa de massa. Além do cinema, está havendo uma renovação geracional de várias áreas e há uma perspectiva para os próximos anos?

CB: Uma conquista recente da arte é o empoderamento das mulheres, que estão cada vez mais sendo ouvidas, dirigindo e escrevendo. E também dos artistas periféricos e pretos, cada vez mais as histórias periféricas e regionais estão tomando importância. Temos uma renovação gigante dos autores, escritores, escritores de periferia, pintores, que a gente não tinha acesso. Hoje ficamos sabendo dos escritores da Rocinha, das periferias das grandes cidades. A música sempre trouxe essa força dos autores periféricos, regionais e finalmente temos esse empoderamento das mulheres, graças a Deus. Essa grande renovação é importantíssima. O teatro com muitas peças, na última Bienal teve muito destaque aos grandes artistas de origem indígena, inacreditável. Finalmente estamos reconhecendo a potência dos artistas brasileiros de todas as origens.

Foto: Davi Victor

Você tem muita experiência e apreço pelo teatro. Apesar de não muito midiatizado, ele está bombando, né? Você falou desse fenômeno pós pandemia das pessoas procurando essa experiência humana coletiva…  

CB: Incrível, o teatro está vivendo um apogeu após a pandemia. Acho que por conta da importância das pessoas se reunirem, se encontrarem para uma experiência coletiva e uma certa saturação de tela também: tantos vídeos, séries… Hoje em dia você tem que se questionar se aquilo é real ou gerado por IA. Ver o ser humano na sua frente ganhou uma importância que não tinha. Todas as peças que assisto, tenho apresentado ou produzido estão cheias. O teatro está vivendo um momento muito bom, muito feliz. Depois de 24 anos na Globo, agora posso me dedicar mais aos projetos pessoais, realizar sonhos guardados na gaveta como Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski, que produzi no ano passado. Fiquei 10 anos estudando, traduzindo, adaptando e nunca tinha conseguido produzir, porque vinham os outros trabalhos. Finalmente reuni uma turma e realizei uma produção enorme de uma grande obra-prima da literatura mundial, que nunca tinha sido adaptada no Brasil. Agora estou ensaiando uma peça em cima dos três últimos contos do Kafka, um projeto de 20 anos sonhando.

Temos essa missão de pegar um autor consagrado e não lido, como o Dostoiévski, e adaptar para uma obra popular. Fomos muito felizes nisso, todas as sessões estavam lotadas em vários estados. Na verdade, esses autores que hoje são eruditos sempre foram populares. Crime e Castigo, O Idiota, Irmãos Karamazov, saiam no jornal como folhetim de novela, era uma coisa para o povo ler em episódios. Depois reuniram num livro desse tamanho, com nome gringo, que na estante vira erudito. Mas, na verdade, é uma obra extremamente popular, como as de Shakespeare. Kafka é um autor, hoje, considerado erudito, Tcheco, escrevia em alemão, mas na verdade é um autor extremamente popular. Então, nós como artistas brasileiros, cem anos depois, temos essa função de tornar a obra acessível ao maior público possível. 

Queria que você falasse um pouquinho mais de mercado, além da uberização tem outros elementos também em relação às tecnologias atuais. Como você vê o mercado no sentido da performance, das redes sociais e influencers na produção artística? 

CB: A transformação da tecnologia causa uma transformação estética também na arte. Estão gravando novelas em formato vertical, por exemplo, porque as pessoas assistem no celular. Uma coisa que tem deixado a gente com a pulga atrás da orelha é que os roteiros, segundo um estudo feito há alguns anos, estão ficando cada vez mais banais. Porque quando a história é muito complexa, tem muitas camadas, muitas tramas paralelas, a pessoa muda de canal, desiste. As pessoas têm visto vídeos cada vez mais curtos, então a mensagem tem que ser muito direta. O meu filho, por exemplo, na primeira vez que pegou uma revista ficou clicando na imagem e não entendia por que ela não abria. Ele brincou de celular e tablet desde pequenininho. Se você não conquista o público e o espectador em dez segundos ele já passa para o próximo vídeo. Essa coisa do TikTok, do Instagram, é muito imediata. Impacta o roteiro, ele tem que começar com uma frase de efeito, com um gancho, criar um suspense para a pessoa ficar até o final. E a mesma coisa na dramaturgia, as histórias têm que se tornar simples, de fácil entendimento, porque a pessoa tem que assistir aquilo no celular, no ônibus ou em casa enquanto está cozinhando. Então, muitos estúdios já rejeitam quando o roteiro tem uma história muito complexa.

É estranho, porque o entretenimento às vezes é “meio raso” e sempre deu público. Você participou da primeira novela que foi exclusivamente de streaming, né? Como você vê essa novidade, é uma tendência sem volta? 

CB: Foi uma experiência incrível. A gente estava como se estivesse reinventando o mercado. Um monte de atores com uma experiência enorme na Globo fazendo a primeira novela brasileira no streaming da Max, que foi a Beleza Fatal. Foi uma aposta grande, ficamos todos muito animados com essa possibilidade de abrir um novo mercado para um novo público. Um novo autor, que é o Raphael Montes, super talentoso, e a novela foi um estouro, deu milhões de assinaturas. Virou fenômeno, teve festas para assistir o último capítulo, coisa que nem na Globo há muito tempo a gente não via. Mas, ao mesmo tempo, não é um investimento constante. É uma por ano, esperaram resultado para encomendar uma segunda temporada. Então, é uma novidade, uma alegria que esteja abrindo, mas, ao mesmo tempo, não é um mercado com força, investimento e estabilidade para substituir. 

Nos últimos anos temos uma sociedade muito polarizada e a classe artística com dificuldades neste contexto. Agora estamos em ano eleitoral, a categoria tem debatido sobre quais as perspectivas na política federal? 

CB: Temos uma polarização ainda muito grande, e ela empobrece muito o debate. Antes o debate político era feito em cima de fatos, dados, pesquisas e hoje é totalmente ideológico e absurdo. Nos últimos quatro anos, da volta para um governo democrático, vimos uma melhoria enorme na economia: o Brasil voltou a crescer, o dólar caiu, a taxa de desemprego é a menor da história, etc. Mesmo assim o pessoal da direita continua pregando o terror, de que o país está indo buraco abaixo, de que temos uma ditadura do Supremo. Quando a política está tão polarizada, ninguém se escuta, os argumentos com dados se perdem em ideologias, em notícias falsas, em opiniões. Sinto um ressentimento muito grande de uma classe média que tinha certo privilégio e está vendo a classe C ascender, os pretos ascenderem, as mulheres se emanciparem, e por isso o machismo está batendo recordes. As mulheres estão ocupando seus lugares de poder e os homens ficam ressentidos, querendo retomar uma liderança que sempre ocuparam. Os homens sempre ganharam mais, tiveram a última palavra, então essa ascensão tem criado um grupo muito ressentido.

Existe uma injustiça tributária enorme e o Congresso não se preocupa com isso, não quer taxar grandes fortunas e investimentos, então é muito difícil esse discurso no Brasil. E a polarização empobrece muito o debate político, tem muita desinformação, essa desregulamentação na internet possibilita essas coisas. Esses grupos ressentidos vão se aglutinando em torno de um discurso que se agrava, que espelha aquilo que eles sentem e vão se fechando em nichos sem se comunicar com o outro. Não é só no Brasil, o Trump conseguiu ser reeleito e invadiu a Venezuela aqui do lado e agora está explodindo o Irã fazendo uma guerra comercial tarifária mundial bizarra e expulsando imigrantes do país. A gente viu na Europa o crescimento da extrema direita de novo em vários países, há um discurso muito polarizado e radicalizado, são tempos difíceis. Acho que essa briga vai durar um bom tempo e ficar para a próxima geração. 

Foto: Davi Victor
Foto: Davi Victor

Vai rolar uma mobilização nas eleições, os artistas vão se engajar e se envolver? 

CB: Conforme as eleições se aproximam, o engajamento vai aumentando. Todo mundo começa a ouvir muita besteira e quer responder, participar, se posicionar. Hoje em dia, fica até chato o artista não se posicionar, quando a extrema-direita fala em acabar com a eleição, com a urna eletrônica, fechar de novo o Ministério da Cultura. O artista que apoia a direita fica até meio esquisito. Então, conforme a eleição se aproxima, os artistas e a população em geral vão se mobilizar cada vez mais. 

Como é que você vê o cenário político nos próximos anos?

CB: Se a gente conseguir se manter num Estado Democrático, já estamos em vantagem. Acabamos de sofrer uma tentativa de golpe, de passar por um governo que fechou o Ministério da Cultura, que não comprava vacina no meio de uma pandemia, então a gente está com um absurdo tão grande que  continuar debatendo dentro do campo democrático já é uma vantagem.

Agora que você já está com uma vasta carreira profissional e muita bagagem no teatro, cinema e novela, como estão os seus projetos para os próximos anos?

CB: Tem bastante coisa boa acontecendo, estou estreando dia 20 de março, no Sesc, o Subversão Kafka, essa versão dos contos dele. Vai ter Beleza Fatal 2, no Max, devido ao sucesso da primeira temporada. Fiz um filme muito importante também, que conta a história de um pastor de uma igreja neopentecostal, que foi expulso porque era homossexual, chamado Justino. Uma figura real, que existe, dirigido pelo Eduardo Belmonte, um filme muito legal para esse ano. E acabamos de ganhar um edital da EBC, da TV Brasil, e vamos produzir um filme sobre o livro Angústia, de Graciliano Ramos. Todos os filmes de obras do Graciliano são obras primas com 40 anos, então está na hora de ter um olhar contemporâneo. O Angústia é uma homenagem ao Dostoievski, sabia? Ele quis escrever um Crime e Castigo tropical, e estou muito feliz com esse projeto para o ano que vem.





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