Neste domingo(17), a Avenida Paulista reafirmou seu papel como espaço de manifestações culturais e religiosas, reunindo expressões de fé, ancestralidade e luta política.
De um lado o Ile Obá Ketu, com centenas de pessoas, vestindo roupas claras, aguardavam em fila para receber a bênção e a renovação de saúde física e mental. Os ogãs, com seus atabaques, marcaram o ritmo dos cânticos enquanto os filhos da casa dançavam em celebração afro-brasileira. O ritual do tradicional banho de pipoca, conduzido há 15 anos pelo Ilê, simboliza a purificação e a cura, e tornou-se também um ato político de afirmação e resistência das religiões de matriz africana.
Às segundas-feiras, o mesmo Ilê realiza o ritual dedicado a Obaluaê, orixá da cura, fortalecendo a continuidade dessa tradição na cidade de São Paulo.
Do outro lado da avenida, acontecia a Marcha para Exu, manifestação que busca desconstruir preconceitos históricos e afirmar a importância do orixá. Com cânticos, tambores e palavras de ordem, os participantes reforçaram que Exu não é diabo, mas sim comunicação, movimento e abertura de caminhos.
A coexistência desses dois eventos no coração de São Paulo traduz o sincretismo, a diversidade e a resistência cultural que marcam a Avenida Paulista, transformando-a em um espaço onde espiritualidade e política caminham juntas.
