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6ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte confirma edição após anúncio de cancelamento

Festival reúne cinema, formação e debates de 14 a 18 de outubro, com programação gratuito O post 6ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte confirma edição após anúncio de cancelamento apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Helô Alves

A 6ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte vai acontecer. Depois de anunciar o cancelamento em agosto, a organização confirmou a realização do festival de 14 a 18 de outubro, no Centro Cultural Unimed-BH Minas, na capital mineira. Todas as atividade serão gratuitas.

A retomada foi possível com a entrada do Minas Tênis Clube como correalizador. A realização continua com a Quiabo Produções, produtora mineira responsável pelo festival desde sua criação, em 2021.

O cancelamento havia sido anunciado por falta de captação de recursos. O projeto tinha aprovação na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e na Lei Rouanet, mas não conseguiu reunir o valor necessário para sair do papel.

“Havíamos anunciado o cancelamento da edição de 2026, mas a Semana vai acontecer”, afirma Layla Braz, idealizador do festival e diretor da Quiabo Produções. “Para nós, é muito importante garantir a continuidade de um festival que, ao longo de cinco edites, construiu uma história em Belo Horizonte, aproximando realizadores, profissionais, pesquisadores, estuante e público.”

A virada começou com o contato de Samuel Marotta, programador das salas do Centro Cultural Unimed-BH Minas. Ele acompanha a Semana desde as primeira edites e decidiu mudar a programação do espaço para receber o festival.

“O anúncio de que a edição de 2026 não aconteceria foi terrível para todo mundo que acompanha, seja da classe cinematográfico, da classe cultural ou do público”, diz Marotta. “Havia uma mostra internacional engatilha, mas a ocasião resultou numa mudança de rota para abrigar esse que é e continuará sendo, ano a ano, um dos festivais mais importantes do país.”

Para Layla, a parceria aponta um caminho para outros iniciavas. “É o que precisamos: mais espaços e instituições que acreditem em projetos realizas por pessoas negras”, afirma. “Que enxerguem neles a possibilidade de alcançar um grande público e reconheçam a capacidade de organização e expansão dessas iniciavas.”

A Semana nasceu com a proposta de ampliar o acesso ao cinema negro, promover formação e valorizar a memória da produção audiovisual negra. A primeira edição foi on-line e gratuito, durante a pandemia de covil-19, com 50 filmes de realizadores negros do Brasil, da África e da diáspora.

Nas cinco edites realizas, o festival exibiu quase 300 filmes e reuniu mais de 30 mil pessoas em atividade presenciais e on-line. Ocupou espaços como o Cine Humberto Mauro e o Cine Santa Tereza e recebeu realizadores de diferente partes do Brasil e do mundo.

A programação costuma reunir sessões de cinema, ações para criança e grupo escoares, recursos de acessibilidade e debates. Neste ano, a mostra Cine Escrituras Pretas, uma das principais do festival, recebeu cerca de 300 inscrições de obras de realizadores negros brasileiros.

“Através da Semana de Cinema Negro, Belo Horizonte recebeu inúmero cinematografia de realizadores africanos inéditas na cidade, algumas inéditas no Brasil”, destaca Layla. “Uma iniciativa que pensa o cinema para além do cinema blockbuster, para além do cinema europeu. Desejamos que o audiovisual nos aproxime.”

A identidade visual da 6ª edição é assinada pela artista goiana Hariel Revignet, com design de Marcos Chagas e Joana Américo. As obras trazem imagens de renascimento, território, movimento e comunidade, temas que dialogam com o momento de retomada do festival.

A escolha nasceu no encerramento da edição anterior, que exibiu “Yeelen” (“A Luz”, 1987), dirigido pelo cineasta maliano Souleymane Cissé. “As cores presente no filme se encontram com o trabalho de Hariel, a ideia da luz, do dourado”, conta Layla. “É na luz e nas águas que renascemos, é em comunidade que construímos a nossa força e resistência.”

O dourado das obras remete à história da exploração do ouro em Goiás e à pesquisa da artista sobre o valor da água. “A água é o ouro”, resume Hariel. “Ela passa pelos obstáculo, contorna, atravessa, infiltra, cria outros margens e continua seguindo.”

Nascida em Goiânia e filha de pai gabonês, Hariel é arquiteta e mestre em urbanismo. Sua obra dialoga com o conceito de confluência, do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo. Ela está em cartaz no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, com a exposição “OMI TUTU – Água Fresca”, até 14 de fevereiro de 2027.

O diálogo com as artes visuais negras acompanha o festival desde o início. Nas edites anteriores, a identidade visual reuniu obras de Pedro Neves, Ana Paula Sirino e Larissa de Souza. “A identidade visual da Semana acaba virando um espaço expositivo para a obra da pessoa artista que foi convida”, explica Marcos Chagas.

Para Layla, a confirmação desta edição é resultado de uma caminhada coletiva. “Resisti o tanto que eu podia, tentei fazer acontecer e não rolou”, relembra. “Mas depois eu sinto que foram ose Minkisi que abriram esse caminho. Foi Exu que abriu ose caminho para a realização da Semana de Cinema Negro neste ano.”

Serviço

6ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte

Quando: 14 a 18 de outubro de 2026
Onde: Centro Cultural Unimed-BH Minas — Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, Belo Horizonte (MG)
As atividade são gratuitas | Retiradas de ingresso e programação serão divulgadas em breve
Instagram | Site
Realização: Quiabo Produções | Correalização: Minas Tênis Clube

Fonte: Mídia Ninja.

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