Por Sé Souza
Foi dada a largada à 36ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema. Em uma noite quente e emocionante no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, neste sábado (7), o festival abriu sua programação celebrando o cinema brasileiro e homenageando duas personalidades fundamentais para o audiovisual contemporâneo: o cineasta Kleber Mendonça Filho e a produtora Emilie Lesclaux. Os dois receberam o Troféu Eusélio Oliveira em reconhecimento às suas contribuições para o cinema.
A cerimônia marcou o início de uma edição que celebra os 300 anos de Fortaleza sob o tema “Fortaleza, 300 anos de luz e cinema”. Com mais de 45 filmes na programação, o festival segue até 13 de novembro, com mostras competitivas, exibições especiais, debates e atividades gratuitas.
Ao receber a homenagem, Emilie Lesclaux destacou a trajetória construída no Brasil desde sua chegada, em 2002, e a relação profissional e pessoal com Kleber Mendonça Filho, com quem desenvolve uma parceria de mais de duas décadas. A produtora ressaltou a importância de reconhecer o trabalho de quem atua nos bastidores e de fortalecer o cinema produzido fora dos grandes centros.
“Essa homenagem é um reconhecimento muito especial para mim. Porque reconhece um ofício que fica nos bastidores e reconhece que produzir, fazer cinema fora do centro não é só importante, é necessário”, afirmou.
Emilie também falou com orgulho sobre sua atuação no Recife e no Nordeste, destacando o trabalho coletivo e os desafios de produzir cinema longe dos principais polos da indústria audiovisual. Para ela, fazer filmes a partir desses territórios também representa um ato de resistência.
“Eu tenho muito orgulho de fazer cinema no Recife, no Nordeste e levar esse cinema para muitos lugares. E é um ato de resistência e eu acho que a gente faz muito bem”, declarou.
A produtora agradeceu às pessoas que fizeram parte de sua trajetória, aos filhos Martin e Tomás, à mãe e a Kleber, a quem atribuiu inspiração e incentivo ao longo da carreira. Ao encerrar sua fala, celebrou o cinema brasileiro.
Já Kleber Mendonça Filho ressaltou sua ligação afetiva e profissional com o Cine Ceará e com o Cineteatro São Luiz, espaço que também integra sua memória como espectador e cinéfilo. O diretor destacou a relação entre Recife e Fortaleza, cidades que, segundo ele, compartilham importantes conexões culturais e cinematográficas.
“Recife e Fortaleza estão unidas por muitas coisas, uma delas é terem duas das melhores e mais belas salas de cinema do mundo hoje”, afirmou.
Em seu discurso, o cineasta também dedicou parte da homenagem aos estudantes brasileiros e defendeu a importância da universidade pública e dos mecanismos de incentivo estatal para a produção cultural. Ao lembrar sua própria formação e a trajetória de seus filmes, destacou que o audiovisual brasileiro depende de políticas públicas para continuar existindo e se desenvolvendo.
“Eu sou fruto da universidade pública. E os meus filmes, dos curtas-metragens ao “O Agente Secreto”, tiveram participação de incentivos públicos”, declarou.
Kleber também comentou a experiência de dialogar com profissionais de outros países sobre os modelos de financiamento cultural e ressaltou a relevância dos incentivos públicos para a produção cinematográfica brasileira. Ao final, compartilhou o reconhecimento com Emilie, sua companheira de vida e de cinema, e com os filhos do casal.
A abertura também contou com a exibição especial de “Sul de Teerã”, documentário de oito minutos dirigido por Kleber Mendonça Filho, coprodução entre Brasil e Estados Unidos, realizado em 2026. Na sequência, o público acompanhou “Terra Firme”, longa-metragem de ficção dirigido por Alexandre Vale, gravado no litoral cearense e selecionado para a Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-Metragem.
A programação da 36ª edição continua até 13 de novembro, ocupando espaços como o Cineteatro São Luiz e o Cinema do Dragão. Além da competição ibero-americana de longas e da brasileira de curtas, o festival apresenta a Mostra Olhar do Ceará, dedicada à produção audiovisual do estado, e três mostras sociais. Os debates com realizadores também integram a programação, que tem entrada gratuita.
Foto: Sé Souza/Cine NinjaFoto: Sé Souza/Cine NinjaFoto: Sé Souza/Cine NinjaFoto: Sé Souza/Cine NinjaFoto: Sé Souza/Cine NinjaFoto: Sé Souza/Cine NinjaFoto: Sé Souza/Cine Ninja
Fonte: Mídia Ninja.
